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A uma janela de Roma
“Reafirmar o papel insubstituível dos pais na educação dos filhos”
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Francisco falou novamente aos pais. Na semana em denunciou a perseguição disfarçada aos cristãos, o Papa canonizou duas santas palestinianas, recebeu o Presidente do Estado da Palestina e encontrou-se com os religiosos de Roma.

 

1. O Papa pediu aos pais separados para não usarem os filhos nos seus problemas conjugais. “Nunca tomeis os vossos filhos como reféns. Devem crescer com a mãe falando bem do pai e vice-versa. Isso é muito importante, é muito difícil para os separados, mas é algo que se pode fazer”, referiu, na audiência-geral de quarta-feira, dia 20 de maio. “A educação, que é como que a coluna vertebral do humanismo, enfrenta, contudo, hoje em dia, dificuldades. Observa-se uma crise no pacto educativo entre a sociedade e a família”, observou o Papa. Por outro lado, muitos pais veem-se “sequestrados” pelo trabalho e nunca têm tempo para os filhos. “Diante deste quadro, é preciso reafirmar o papel insubstituível dos pais na educação dos filhos. Não se trata de contentar-se com um diálogo superficial, mas de acompanhar os filhos, compreendendo-os e corrigindo-os quando necessário”, sublinhou o Papa Francisco, que contou uma pequena história pessoal: “Quando estava na 4ª classe, disse uma palavra feia à professora e ela escreveu uma repreensão à minha mãe que se apresentou na escola para falar com ela. Depois chamaram-me, a minha mãe disse-me docemente que eu não me tinha comportado bem e eu tive que pedir desculpa à professora à frente da minha mãe. Fiquei a pensar que até tinha acabado bem. Mas aquele era apenas o primeiro capítulo, depois em casa começou o segundo capítulo… Hoje uma professora faz algo semelhante e no dia seguinte os pais vão à escola pedir-lhe explicações, porque os técnicos disseram que não se deve repreender!”.

O Papa condenou ainda o “crime inaceitável” da perseguição religiosa, associando-se a uma iniciativa de oração pelos cristãos “mártires” dos tempos atuais, promovida pela Conferência Episcopal Italiana (CEI), marcada para este sábado. Francisco deixou outro apelo, tendo em mente a celebração da Virgem Maria, ajuda dos cristãos, no dia 24 de maio, pelos católicos chineses, que se reúnem no Santuário de Sheshan, em Xangai. “Também nós vamos pedir a Maria que ajude os católicos na China a ser cada vez mais testemunhas credíveis deste amor misericordioso no meio do seu povo e a viver espiritualmente unidos à rocha de Pedro [o Papa], sobre a qual está construída a Igreja”, declarou.

 

2. Francisco denunciou, na passada segunda-feira, a perseguição disfarçada aos cristãos, feita “com luvas brancas”, mas efetiva, e que parece interminável. A denúncia foi feita numa breve audiência às religiosas palestinianas que vieram a Roma para as canonizações da véspera. Vieram aos milhares para participar na canonização das primeiras santas palestinianas e encheram a Sala Clementina para uma breve audiência papal. Francisco, ao ver-se rodeado de tantas carmelitas de Belém e Irmãs do Rosário de Jerusalém, as duas congregações da respetivas santas, não resistiu à provocação. “O presidente do Estado da Palestina disse-me que tinha partido da Jordânia, num avião cheio de freiras! Coitado do piloto”.

Francisco pediu às religiosas para rezarem pela paz e, sobretudo, pelos cristãos perseguidos e expulsos de suas casas. “Rezem às duas novas santas pela paz na vossa terra, para que termine esta guerra interminável e que haja paz entre os povos. E rezem pelos cristãos perseguidos, expulsos das suas casas, das suas terras e também vítimas da perseguição feita ‘com luvas branca’ – perseguição escondida, mas efetiva”.

No final do encontro, o Papa convidou a rezarem muito pela paz e, cada uma na sua língua, a rezarem com ele uma Avé Maria.

 

3. O Papa Francisco presidiu, Domingo, dia 17, à cerimónia de canonização das quatro novas santas, entre as quais as duas primeiras santas palestinianas dos tempos modernos. Na oração Regina Caeli, depois da Missa, Francisco falou do exemplo das novas santas árabes: "Que o Senhor conceda, pela sua intercessão, um novo impulso missionário aos respetivos países de origem. Que os cristãos dessas terras, inspirando-se no seu exemplo de misericórdia, caridade e reconciliação, olhem com esperança para o futuro, prosseguindo no caminho da solidariedade e da convivência fraterna”. As religiosas Maria Alfonsina Ghattas, fundadora das Irmãs do Rosário, e Maria de Jesus Crucificado Baourdy, fundadora do Carmelo de Belém, foram proclamadas como santas pelo Papa Francisco, durante a Missa na Praça de São Pedro, no Vaticano. As novas santas foram canonizadas juntamente com as religiosas Maria Cristina da Imaculada Conceição (Itália, 1856-1906) e Jeanne Émilie de Villeneuve (França, 1811-1854).

 

4. O Papa Francisco recebeu em audiência, no sábado, dia 16 de maio, Mahmoud Abbas, Presidente do Estado da Palestina que participou no Domingo, na Praça de São Pedro, na celebração da canonização das duas beatas palestinianas. No encontro com o Papa, foi manifestada a grande satisfação pelo consenso alcançado sobre o texto do acordo entre a Santa Sé e o Estado da Palestina sobre aspetos essenciais da vida e da atividade da Igreja Católica na Palestina, documento que será assinado num futuro próximo.

Uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé informa que o Papa Francisco e Mahmoud Abbas abordaram o tema do processo de paz entre a Palestina e Israel e expressaram o desejo de que as negociações possam ser retomadas para que seja procurada uma solução justa e duradoura para o conflito.

 

5. “A vida consagrada é uma doação pessoal a Deus e aos irmãos”, salientou o Papa, no encontro com religiosos e religiosas da Diocese de Roma, no âmbito do Ano da Vida Consagrada, que decorreu no dia 16 de maio, na Sala Paulo VI. Francisco lembrou a dimensão alegre e festiva da vida consagrada e recordou aos religiosos de Roma que não deve haver concorrência entre paróquias e congregações pois nas dioceses deve “reinar a harmonia e o diálogo”.

Nesta audiência, e em resposta a um dos religiosos presentes, o Papa sublinhou que a vida consagrada feminina representa 80% da vida religiosa na Igreja e que a mulher consagrada é o rosto de Maria e da Mãe Igreja. “Ela oferece um acompanhamento terno e materno sobretudo aos enfermos e mais necessitados da nossa sociedade. O papel da mulher na Igreja representa a profunda expressão do génio feminino”, afirmou.

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