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Milhares de Marias e Josés pedem a nossa ajuda
E se um dia formos nós?
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Pessoas sem nada, perdidas, assustadas. Nos milhares de refugiados que procuram um porto seguro na Europa, não haverá ninguém que não lamente tudo o que perdeu: a família, a casa, o trabalho. Os entes queridos. Os amigos. Agora precisam de ajuda. Precisam de nós.

 

Nada disto é novidade. Basta recuar até ao fim da II Guerra Mundial para vermos estes mesmos rostos, para escutarmos quase estas histórias, estes lamentos. Nada mudou. São as mesmas lágrimas. Passaram tantos anos e, afinal, repetem-se os mesmos erros, provocam-se as mesmas injustiças. O mundo continua perigoso. Como sempre.
Fez agora um ano, nos primeiros dias de Agosto, quando os terroristas do autoproclamado “Estado Islâmico” avançaram imparáveis no Iraque, conquistando aldeias, vilas e cidades. Milhares de pessoas fugiram, em pânico, deixando tudo para trás. Muitos vivem agora acotovelados em campos de refugiados. As suas vidas mudaram de um dia para o outro. O mesmo sucedeu na Síria, o mesmo está a acontecer na Líbia, no Afeganistão…

 

Mãos estendidas

Os refugiados são pessoas que perderam tudo, que estão de mãos estendidas à espera de ajuda. Há famílias inteiras a viver em contentores, simulacros de casas. Há famílias inteiras a percorrer caminhos empoeirados, perigosos, em busca de algum asilo em algum país que as acolha. Há milhares de pessoas que caíram nas mãos de traficantes, a quem entregaram tudo o que tinham e o que não tinham, apenas para conseguirem fugir. Fogem da guerra, fogem do medo. Fogem da morte. Da Síria e do Iraque chegam-nos lancinantes pedidos de ajuda. Pedem-nos roupa e água. Pedem-nos medicamentos e comida. Pedem-nos orações e vida. A Fundação AIS tem procurado ajudar as comunidades cristãs que continuam no Iraque e na Síria. Quase todos vivem em campos de refugiados ou abrigados no que resta das suas casas. Rodeados de guerra por todos os lados, estas famílias procuram sobreviver todos os dias. Não é fácil. Falta-lhes tudo: Agora, na Síria, até a água passou a ser um objetivo militar. Os constantes cortes de eletricidade e de água transformam a vida dos que ficaram nestes países num inferno ainda maior. E isso ainda dá mais valor aos homens e mulheres, aos padres e às irmãs que continuam no terreno, incansáveis, a ajudar. Às vezes apenas podem dar um gesto de conforto, um carinho, um mimo. Mas um sorriso, numa cidade arruinada, vale mais do que todo o ouro que se possa acumular.

 

Ajudar os refugiados

É imenso o trabalho realizado todos os dias pela Igreja local. Por causa da guerra, todos são refugiados. Os que estão em campos improvisados, os que procuram asilo na Europa e os que permanecem nas suas casas. Todos têm vidas desfeitas, todos estão enlutados, todos precisam de auxílio. A história do Cristianismo está cheia de refugiados. José e Maria também foram forçados a fugir, também conheceram ruas empoeiradas, as portas fechadas das estalagens e o medo de quem é perseguido. Desde então até aos dias de hoje, a história repete-se. Apenas mudam os protagonistas. Um dia, poderemos ser nós. Ninguém sabe. Um dia poderemos ser também obrigados a fugir, a palmilhar estradas sem destino, a estender a mão em busca de ajuda. O mundo vive uma das piores crises de refugiados de que há memória. Não vale a pena fingir que não os vemos. Não vale a pena fingir que não os ouvimos. Os refugiados precisam de ajuda, agora. Não precisam de hipocrisia.

 

texto por Paulo Aido,

Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

 

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EM 1940, EM TODO O MÉDIO ORIENTE HAVIA CERCA DE 20% DE CRISTÃOS. HOJE HÁ APENAS 3,8%. O QUE ESTÁ A ACONTECER AOS CRISTÃOS E AOS SÍRIOS, DENTRO E FORA DA SÍRIA? QUAL SERÁ O SEU DESTINO?

 

Os dados falam por si. O número de mortos da guerra civil síria ascende a 220 mil. São cerca de 12 milhões de pessoas a necessitar de ajuda humanitária. Quase 5 milhões de pessoas, em zonas sitiadas, 7.6 milhões de deslocados internos e cerca de 4 milhões de refugiados registados.

 

É doloroso saber que na Síria 25% das escolas foram destruídas, danificadas ou utilizadas como abrigos. Cerca de 5,6 milhões de crianças foram afectadas por esta crise, das quais mais de 1 milhão foram obrigadas a fugir do país. Mas agora são mais: quase 3 milhões de crianças sírias não frequentam a escola e 11.021 crianças foram mortas desde 2011.

 

Em todo o lado só se vê o esqueleto dos edifícios, a estrutura. Está tudo destruído. O apoio da Fundação AIS à Síria têm aumentado desde 2011 e já perfazem um total de 7 milhões de euros, tendo sido direccionadas para a ajuda de subsistência, pois é a única forma de apoiarmos as pessoas que permanecem no seu país. 

 

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REZAR O TERÇO PELA PAZ NA SÍRIA

Os Cristãos da Síria voltam-se agora para Nossa Senhora de Fátima, a quem pedem as nossas orações. É a última esperança para a paz. A imagem peregrina de Fátima devia estar em Damasco, mas a visita foi cancelada por falta de condições de segurança. No entanto, a Fundação AIS pede a intensificação de oração pela paz na Síria, particularmente a oração do Terço, durante todo o mês de setembro.

  

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“A dramática situação de tantos milhares de pessoas que demandam a Europa como lugar de paz e sustento para si e para os seus, arrostando com duríssimas dificuldades para chegar e permanecer no nosso Continente, exigem de todos nós a resposta mais humana e capaz. Todas as famílias, comunidades e organizações católicas colaborarão inteiramente com as instâncias nacionais e internacionais que se conjugarem nesse sentido, para uma resposta que só pode ser global, dada a complexidade dos problemas a resolver, a curto, médio e longo prazo.”


Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, numa carta aos diocesanos por ocasião do novo ano pastoral 2015/16

  

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Bispos associam-se à Plataforma de Apoio aos Refugiados

Os bispos portugueses associaram-se à PAR – Plataforma de Apoio aos Refugiados, que foi apresentada no passado dia 4 de setembro, em Lisboa, e reúne organizações da sociedade civil portuguesa para apoio aos refugiados. Numa nota, a Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana anuncia que deu o seu apoio à PAR e salienta que é necessário “minimizar o impacto da grave crise humana que atualmente é vivida a nível mundial”.

Informações: http://www.refugiados.pt ou www.facebook.com/plataformadeapoioaosrefugiados

 

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Cáritas Diocesana de Lisboa disponível para apoiar os refugiados

O presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa garantiu ao Jornal VOZ DA VERDADE que a instituição “está disponível para tudo o que for necessário no apoio aos refugiados”. “Independentemente de pertencermos à Plataforma de Apoio aos Refugiados, estamos disponíveis para apoiar ao nível da alimentação, medicamentos – fruto de um protocolo que vamos fazer com a Ordem do Farmacêuticos – e estamos na disposição de contactar professores de Português que possam dar aulas de língua portuguesa que favoreça a integração destas pessoas”, revelou o presidente da instituição, José Frias Gomes.

Entretanto, a Cáritas Portuguesa revelou que vai canalizar parte da verba da campanha de Natal para o acolhimento de refugiados sírios. “A Cáritas, em Portugal, não regateará esforços no seu contributo para esta imperativa missão. Neste momento, analisa que recursos humanos, logísticos e financeiros próprios poderá afetar para minorar este indigno e revoltante flagelo. Anuncia, desde já, que parte do valor angariado através da Operação 10 Milhões de Estrelas – um gesto pela paz, realizada, anualmente, no tempo de Natal – será canalizada para esta causa”, refere um comunicado do presidente da instituição, Eugénio Fonseca, sublinhando que a Cáritas Portuguesa “não se fechará a quaisquer outras iniciativas que possam surgir para socorrer os nossos irmãos que estão a ser chacinados pela loucura dos seus governantes e pela indiferença de uma boa parte da humanidade”.

 

texto por Diogo Paiva Brandão

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