Lisboa |
Centenário (1915-2015) das Filhas de São Paulo
Vidas que comunicam Cristo
<<
1/
>>
Imagem

Foram a segunda congregação da Família Paulista a serem fundadas pelo beato italiano padre Tiago Alberione. As Filhas de São Paulo, conhecidas por Irmãs Paulinas, celebram este ano o centenário e têm como missão anunciar Cristo através da comunicação editorial.

  

Na Paulinas Editora, situada no Prior Velho, a irmã Cristina Baginska, da Polónia, é a Filha de São Paulo que recebe todos os que ali se dirigem. De sorriso fácil, mas tímido, esta religiosa do norte da Polónia foi uma das representantes do Instituto Missionário Filhas de São Paulo em Portugal presente nas celebrações oficiais do centenário (1915-2015) da congregação, que decorreram em Itália, e celebra, este ano, os 25 anos dos primeiros votos. A irmã Cristina chegou a Portugal em novembro de 2008 e recorda ao Jornal VOZ DA VERDADE as circunstâncias em que conheceu as Filhas de São Paulo, há quase 30 anos, “ainda em pleno comunismo na Polónia”. Cristina, então com 19 anos, trabalhava na sua paróquia, num pequeno quiosque, onde vendia os poucos livros religiosos que havia na altura. “Nessa época, em meados dos anos 80, não havia editoras católicas na Polónia, existiam somente algumas editoras que tinham permissão para publicar livros religiosos”, descreve. Cristina já pensava na vida religiosa, apesar de não querer ser catequista, por achar que “não tinha paciência para dar catequese às crianças”, nem enfermeira, por entender “que não tinha jeito para dar injeções e ver sangue”. “Eu tinha uma tia que era provincial de outra congregação que me convidou a ir trabalhar para a Cúria, mas era algo que eu não queria, até porque depois a minha tia deixava de ser provincial e ainda me enviavam para ser enfermeira…”, recorda, hoje, a irmã Cristina Baginska. Segundo conta, o seu desejo era entrar numa congregação com um carisma voltado para a comunicação e para os livros. “Foi então que o meu pároco trouxe de Itália cassetes áudio em polaco, para vender na nossa pequena livraria, com cânticos e reflexões religiosas. Eram lindíssimas! Muito bonitas, com capas coloridas! Eu nunca tinha visto nada assim, porque na Polónia era tudo cinzento. Depois trouxe-me o Novo Testamento com uma capa lindíssima. Comprar a Bíblia era uma coisa impossível no meu país, nessa época. Tê-lá, era uma grande graça”, assegura.

Antes de fazerem o chamado exame de maturidade, que dá acesso à universidade, os estudantes polacos peregrinam ao Santuário de Chestokowa, “equivalente ao Santuário de Fátima”. Nesta peregrinação, Cristina conheceu os Padres Paulistas, a primeira congregação da Família Paulista. “Um Padre Paulista deu-me um pequeno livro, intitulado ‘As Filhas de São Paulo na Igreja’. Era um fascículo muito simples, que eu li, e senti no coração que era isto. Sem ver nenhuma Filha de São Paulo, escrevi uma carta para a congregação em Roma a pedir para ser admitida”, relata. A resposta foi positiva e Cristina, em setembro de 1986, juntamente com mais três jovens, começa o postulantado, em Chestokowa. “Ficámos na casa dos Padres Paulistas, depois fomos para Lubin, e tornámo-nos no primeiro grupo de noviças da congregação na Polónia”, conta, lembrando-se do tempo de comunismo que se vivia, à época, no seu país: “Morávamos na casa de uma família, não podíamos ir juntas à Missa, não podíamos aparecer juntas em qualquer lugar”.

 

Jesus Mestre

A irmã Cristina Baginska é uma das 15 religiosas (12 portuguesas, duas italianas e uma polaca) do Instituto Missionário Filhas de São Paulo presentes em Lisboa. Esta congregação foi fundada, em Itália, pelo beato padre Tiago Alberione, em 1915, auxiliado pela irmã Tecla Merlo, cofundadora. A primeira chegada a Lisboa das Filhas de São Paulo acontece em 1950, por envio do fundador, como refere ao Jornal VOZ DA VERDADE a irmã Sofia Antunes. “Quando chegámos a Lisboa, o senhor Bispo não nos quis receber, dizendo que não tinha condições para nos ajudar a viver. Fomos para a Diocese do Porto e tivemos um problema semelhante, contudo fomos acolhidas pela família Lencastre. A nossa primeira casa foi, por isso, no Porto. O ‘regresso’ a Lisboa, digamos assim, aconteceu em 1957, com a vinda de duas religiosas do Porto”.

Aos 39 anos, a irmã Sofia é a religiosa portuguesa mais nova da congregação. “A missão que está por trás de um anúncio do Evangelho, por trás de uma escrita de um livro ou de uma música, e a simplicidade de vida das religiosas, foram o que mais me fascinou”, recorda esta jovem irmã, que em 1994 ainda fez o 1º ano do curso de Ciências Geofísicas, antes de entrar, no ano seguinte, na congregação.

A espiritualidade do Instituto Missionário Filhas de São Paulo é centrada em Jesus Mestre. “Toda a nossa espiritualidade é centrada em Jesus Mestre, Jesus que nos ensina. Relevamos este Jesus por inteiro, que nos ensina. Era muito comum o nosso fundador dizer que nós estamos na escola de Jesus e estamos como Maria, que escuta e acolhe a Palavra, e como Paulo, cuja Palavra escutada é depois anunciada aos outros. Como Paulo fez, também nós queremos fazer à sua maneira, sem medo ir a todos, sem ir somente a um povo, mas procurando rasgar os confins”, descreve a irmã Sofia.

‘Viver e comunicar Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida’ é o carisma desta congregação, cuja missão se concretiza na publicação de livros, através da Paulinas Editora. “O grande impacto que temos em Portugal é na publicação de livros. No entanto, algumas das nossas obras não são só direcionadas para o campo religioso, mas também para o campo da cultura. Como o nosso fundador costumava dizer: ‘Devemos falar de tudo, mas de forma cristã’, ou seja, não é preciso estar sempre a citar Jesus”, salienta esta religiosa, responsável pela área financeira e de administração na Paulinas Editora e que entre 2005 e 2008 esteve no Brasil, na área do marketing.

 

O dia de uma Filha de São Paulo

Começa cedo, “com a oração pessoal, por volta das 6 horas da manhã”, o dia de uma Filha de São Paulo. Às 7h30, as religiosas têm Eucaristia na capela da residência, seguindo-se o pequeno-almoço, pelas 8h00, e a saída para o trabalho meia hora mais tarde. Às 13h00 as religiosas voltam a casa para almoçar, regressando ao trabalho pelas 14h30, onde permanecem até às 18h00. “Ao final da tarde, já na residência, algumas das irmãs fazem a chamada ‘visita eucarística’, com uma hora de adoração, junto do Santíssimo Sacramento. Outras irmãs já o fizeram na capela da Paulinas Editora. É uma regra de vida”, frisa a irmã Sofia, que integra a equipa da Pastoral Vocacional do Patriarcado de Lisboa. Às 19h45, antes ainda da refeição, as religiosas rezam a oração comunitária. “As noites são sempre diferentes: temos a noite informativa, em que cada uma dá uma informação, temos a apresentação dos livros que publicamos, e há noites em que simplesmente estamos juntas”, descreve. Nos fins-de-semana, em especial nos sábados à tarde, as religiosas fazem um tempo de estudo e partilha na comunidade; em alguns Domingos, realizam visitas culturais, “em grupo ou sozinhas”. Uma vez por mês decorre “o retiro na comunidade, com um tempo mais prolongado de oração”, conta a irmã Sofia.

 

Duas italianas em Lisboa

As irmãs Delfina Repetto, de 70 anos, e Rina Risitano, com 77 anos, de Itália, são do mesmo grupo de noviciado e fizeram juntas os primeiros votos, em 1965, há precisamente 50 anos. “No centenário das Filhas de São Paulo celebramos 50 anos de profissão, que coincidiu com o cinquentenário da congregação”, brincam estas religiosas, ao Jornal VOZ DA VERDADE, lembrando que aquando da celebração dos primeiros votos tiveram “a oportunidade de ver o fundador, padre Tiago Alberione, na casa mãe, em Alba”. A profissão perpétua foi feita também no mesmo dia, em 1971.

A irmã Rina Risitano está em Portugal há 8 anos e chegou para lidar com a questão dos direitos de autor estrangeiros. Natural de Messina, no sul de Itália, entrou na congregação com 23 anos, “a idade limite nessa altura”. Esta religiosa esteve em Nápoles, Milão, Roma, onde trabalhou dez anos no apostolado do cinema, “que deixaram uma marca”. Em 1981, deixou Itália e trabalhou sempre no estrangeiro: 22 anos em Inglaterra, onde fez “um curso na BBC” e trabalhou “na área do audiovisual”, depois Moscovo, durante três meses “numa livraria”, e Estados Unidos, ao longo de dois anos e meio. Em 2007 voltou a Itália, pensando que “ia ficar por casa”, no seu país, mas foi “desafiada” a vir para Portugal. “Uma frase do fundador marcou-me toda a vida: ‘Já perguntaram a vós mesmos para onde caminha esta humanidade?’”, questiona.

A outra religiosa italiana presente em Lisboa, a irmã Delfina Repetto, é natural de “uma pequena terra que não está no mapa”, situada a cerca de 100 quilómetros da casa mãe da congregação, em Alba. Conheceu “muito nova” as Filhas de São Paulo, que iam à sua terra anualmente para as pessoas poderem renovar a assinatura da revista Família Cristã. “A minha avó, e depois a minha mãe, dava hospedagem às religiosas, que falavam de alegria e simplicidade”, conta, lembrando a sua irmã mais velha, que entrou também na congregação. A irmã Delfina tinha “um grande desejo de ir para os países de missão, em África ou na América Latina”, ganhou “coragem” e em 1981 pediu isso mesmo “à superiora geral”, que a enviou, para sua “desilusão”, para a Alemanha onde esteve três anos numa “livraria associada a uma paróquia”, seguindo depois para a Argentina para trabalhar na Família Cristã. A etapa portuguesa começou em 1988, coordenando a área gráfica da Paulinas Editora. “Portugal é uma terra de missão, com gente de todos os continentes”, frisa a Filha de São Paulo.

  

____________________


“Dar a conhecer o Amor de Deus”

Na peregrinação nacional a Fátima da Família Paulista, no passado dia 3 de outubro, D. José Traquina, Bispo Auxiliar de Lisboa, lembrou a missão das Filhas de São Paulo. “Dar a conhecer o Amor de Deus, é sua missão há 100 anos. Não são Consagradas para fugir do mundo, mas para assumir a Missão de Cristo e da Igreja de evangelizar o mundo que Deus ama”, referiu. 

 

____________________


A presença em Lisboa das Filhas de São Paulo

 

Residência

Situada em Alvalade, no espaço geográfico da paróquia de São João de Brito, a casa das Filhas de São Paulo acolhe atualmente 15 religiosas: a irmã provincial, irmã Nazaré, uma irmã que cuida da casa, dez irmãs que vão diariamente para a Paulinas Editora, sendo que duas das religiosas fazem um trabalho de difusão nas escolas, uma irmã que trabalha na loja Paulinas Multimédia e uma religiosa que, devido à idade avançada, passa os dias no centro de dia paroquial.

Rua Alexandre Rey Colaço, 7, 1700-023 Lisboa
Telefone: 218484355; Emai: fsp.lisboa@paulinas.pt

 

Paulinas Multimédia

A livraria das Filhas de São Paulo em Lisboa, na Rua Morais Soares, dá emprego a quatro leigos, estando três a tempo inteiro e uma em regime de trabalho parcial. Tendo como responsável a irmã Maria Oliveira, a loja tem disponível livros, CD’s, DVD’s e diversos produtos multimédia. Possui também um espaço para conferências, encontros temáticos, lançamentos de produtos e outras atividades para as mais diferentes faixas etárias.

Rua Morais Soares, 56-A, 1900-348 Lisboa
Telefone: 218139038; Email: liv.lisboa@paulinas.pt

 

Paulinas Editora

No Prior Velho fica a sede da Paulinas Editora, gerida pela irmã Eliete Duarte e que tem cerca de uma dúzia de empregados. É o sector criativo da editora, onde nasce a ideia de um livro, até à sua concretização e ao envio para as pessoas, exceto o serviço de tipografia, que é contratado fora. Além do serviço de escritório da editora, fica também aqui situado o armazém dos livros e a livraria aberta ao público.

Rua Francisco Salgado Zenha, lote 5, 2685-332 Prior Velho
Telefone: 219405640; Email: editora@paulinas.pt

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por DPB e Filhas de São Paulo
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
Isilda Pegado
1. Neste tempo, em que o individualismo parece imperar, apesar da destruição que gera na Sociedade,...
ver [+]

P. Duarte da Cunha
Que todos os homens querem ser felizes não parece ser objecto de discussão entre pessoas sãs. Todos queremos, de facto, ser felizes.
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES