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Papa pede perdão pelos “escândalos” da Igreja
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“Peço perdão”, disse o Papa, na semana em que o Sínodo dos Bispos entrou na segunda fase. Francisco pediu solução para a crise de “enormes proporções” no Médio Oriente e exprimiu ainda “dor pelos numerosos mortos” na Turquia.

 

1. O Papa Francisco pediu “perdão” pelos escândalos da Igreja, em particular os que aconteceram recentemente, sem referir casos específicos. “Antes de iniciar a catequese, gostaria de pedir-vos perdão em nome da Igreja pelos escândalos que nos últimos tempos aconteceram, tanto em Roma como no Vaticano. Peço perdão”, disse o Papa, na passada quarta-feira, 14 de outubro, na audiência pública semanal, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

Na catequese, Francisco frisou depois que “o terno e misterioso laço de Deus” com as crianças nunca deve ser “violado”. O Papa começou a sua reflexão a partir do alerta de Jesus contra os escândalos, relatado pelos Evangelhos. “Jesus é realista e diz: é inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai do homem por causa do qual acontece o escândalo”, advertiu. “Apenas se olharmos as crianças com os olhos de Jesus poderemos realmente entender como, ao defender a família, protegemos a humanidade”, defendeu o Papa.

No final da audiência-geral, Francisco lançou um apelo a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se celebra neste sábado, dia 17 de outubro: “Este dia propõe que cresçam os esforços para eliminar a extrema pobreza e a discriminação, e para assegurar que cada um possa exercitar plenamente os próprios direitos fundamentais. Somos todos convidados a fazer nossa esta intenção, para que a caridade de Cristo atinja e alivie os irmãos e as irmãs mais pobres e abandonados”.

 

2. “A maioria dos participantes do Sínodo sobre a Família julga necessário encontrar soluções a respeito dos sacramentos para os divorciados recasados” e “embora os bispos estejam ainda divididos sobre este tema, a novidade é que a maior parte da Assembleia concordou que ‘não fazer nada ou mudar tudo’ não são posturas representativas ou realistas”, adiantou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, em conferência de imprensa no passado dia 12 de outubro, no início da segunda semana de trabalhos. Os 270 padres sinodais, cardeais, bispos e sacerdotes que participam no Sínodo começaram a debater a terceira parte do ‘Instrumentum Laboris’ (documento de base), que inclui a questão dos divorciados que contraíram novo matrimónio. De acordo com a Rádio Vaticano, “alguns explicaram que apesar de mudar a doutrina não ser possível, se pode conjugar ‘verdade e misericórdia’ e estudar ‘soluções e caminhos pastorais’ para os divorciados que se recasaram civilmente. Outros, no entanto, expressaram uma posição ‘negativa’ sobre dar a comunhão a estes fiéis”. O padre Lombardi revelou que este tema foi abordado na sessão de sábado, 10 de outubro: “Alguns pronunciamentos – poucos – eram contrários; mas é preciso lembrar que isto era sempre no contexto da atenção da Igreja por todas as pessoas que se encontram em situações difíceis e que é necessário encontrar também maneiras para lhes fazer sentir integrados na vida da Igreja, e a proximidade da Igreja”.

Sobre as alegadas divisões entre os participantes, um blog de informação religiosa publicou uma carta que treze cardeais teriam enviado ao Papa denunciando que a metodologia utilizada no Sínodo é intencionalmente ‘pilotada’ para que seja dominado pelo problema teológico/doutrinal da comunhão aos divorciados que se recasaram. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé não quis comentar a existência do documento, mas fez notar que alguns cardeais, presumivelmente signatários, desmentiram ter participado na redação dessa carta.

Por fim, o padre Lombardi esclareceu que será o Papa a decidir se vai publicar ou não o documento final, a ‘Relatio Finalis’, que os padres sinodais deverão votar com as suas propostas sobre a família no próximo dia 24 de outubro. “O que hoje não sabemos ainda com certeza é o que o Papa decidirá sobre a ‘Relatio’. Ele pode fazer como no ano passado e ordenar a sua publicação imediata; ou dizer aos padres sinodais: ‘Obrigado, eu tenho-a para mim e faço uma Exortação Apostólica’. Pode também receber, refletir e publicá-la depois de alguns dias”, explicou o porta-voz do Vaticano.

 

3. O Papa Francisco defendeu uma intervenção internacional para resolver a crise humana de “enormes proporções” no Médio Oriente. Durante os trabalhos do Sínodo dos Bispos, Francisco recordou a “escalada de violência”, convidando à “reconciliação e à paz” na região. “Estamos dolorosamente impressionados e acompanhamos com profunda preocupação o que se está a passar na Síria, no Iraque, em Jerusalém e na Cisjordânia, onde se assiste a uma escalada de violência que envolve civis inocentes e continua a alimentar uma crise humanitária de enormes proporções. A guerra traz destruição e multiplica os sofrimentos das populações. A esperança e o progresso só se alcançam com opções de paz”, disse Francisco, ao presidir a um momento de oração, no início da reunião geral dessa manhã.

O Papa dirigiu-se depois à comunidade internacional para que esta “encontre uma maneira de ajudar eficazmente as partes interessadas a alargar os seus horizontes para além dos interesses imediatos e a usar os instrumentos do direito internacional e da diplomacia para resolver os conflitos em curso”.

 

4. O Papa Francisco lamentou, no passado Domingo, 11 de outubro, os atentados na Turquia. Num telegrama enviado ao presidente turco Erdogan, Francisco diz-se triste ao saber da perda de vidas e dos ferimentos causados nas pessoas, vítimas das explosões de sábado em Ancara. Ao mesmo tempo que lamenta este “ato bárbaro”, o Papa pede a Erdogan que transmita a sua proximidade espiritual a todas as famílias e também ao pessoal de segurança e de emergência que trabalha para ajudar os feridos.

Durante o Angelus, a “terrível tragédia” na Turquia também esteve no centro das orações de Francisco. “Recebemos ontem, com grande dor, a notícia da terrível tragédia que aconteceu em Ancara, na Turquia. Dor pelos numerosos mortos. Dor pelos feridos. Dor porque os autores do atentado atingiram pessoas indefesas que se manifestavam pela paz. Rezo por aquele querido país e peço ao Senhor que acolha as almas dos defuntos e conforte os que sofrem e os familiares”, afirmou o Papa.

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