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China: Cardeal emérito de Hong Kong envia mensagem à AIS
“Por favor, rezem por nós!”
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A China é um dos países sinalizados no relatório da Fundação AIS, divulgado esta semana, em que a perseguição aos Cristãos se acentuou nos últimos dois anos. Todos os que se mantêm fiéis ao Papa e ao Vaticano arriscam a prisão, os campos de reeducação, até a morte.

 

No passado dia 30 de Janeiro, uma sobrinha-neta do Bispo D. Cosme Enxiang foi contactada por um funcionário governamental de Yixian que lhe comunicou, sem mais pormenores, o falecimento do prelado. Desde 13 de Abril de 2001 que ninguém sabia do paradeiro de D. Cosme, de 93 anos, um dos maiores símbolos da perseguição que o Governo de Pequim tem exercido sobre os cristãos na China. A sua vida foi um exemplo de fidelidade assombroso à Igreja e ao Papa. Nasceu em 1922, em Shizhuang, província de Hebei. Ordenado sacerdote em 1947, conheceu a violência da prisão pela primeira vez em 1954, recusando-se a cumprir ordens do regime comunista de Mao Tsé-Tung. Três anos mais tarde, a sua pena foi agravada. Condenado a trabalhos forçados, foi desterrado primeiro para a gélida região de Heilongjiang e depois para as minas de carvão de Shanxi. De corpo franzino, mas com uma espantosa convicção interior, D. Cosme Enxiang sobreviveu às duríssimas condições de vida nessas cadeias, robustecendo ainda mais a sua fé.

 

Igreja Clandestina

Libertado em 1980, foi sagrado bispo secretamente dois anos mais tarde. O seu trabalho junto das comunidades cristãs fiéis ao Vaticano, a chamada Igreja Clandestina, fez com que as autoridades o mantivessem detido novamente desde 1987 até 1993. Em 13 de Abril de 2001 regressou à prisão e, desde então, nunca mais se soube nada dele até Janeiro deste ano, quando a sobrinha-neta foi informada do seu falecimento. Desde então, a família tem reclamado a entrega dos seus restos mortais, mas as autoridades têm-se negado a fazê-lo com receio de que o funeral se possa vir a transformar numa gigantesca manifestação de protesto pela repressão religiosa que se vive na China, pois D. Cosme é visto como “um mártir da fé”, tendo estado encarcerado 54 anos e nunca negado, em momento algum, a sua fidelidade ao Evangelho e ao Papa.

 

Agressão governamental

São muitos os bispos e sacerdotes detidos na China nos dias de hoje. O Relatório “Perseguidos e Esquecidos?”, sobre os Cristãos oprimidos por causa da sua fé, entre os anos de 2013 e 2015, editado pela Fundação AIS e lançado esta semana em Lisboa, é peremptório sobre a situação terrível em que se encontram os fiéis neste país asiático. “Em 2014, os crentes na China sofreram a mais dura perseguição alguma vez vista durante mais de uma década: 449 líderes religiosos foram detidos, por comparação com 54 em 2013.” O documento, citando uma outra organização, a Christian Solidarity Worldwide, refere que, “desde Janeiro de 2015”, foram já registados “mais de 650 incidentes de agressão governamental” só na província de Zeijang, “envolvendo a demolição parcial ou total de igrejas”.

 

Voz desassombrada

Beneficiando do estatuto especial que se vive em Hong Kong, fruto das negociações para a entrega da colónia, entre Londres e Pequim, e que se consumou em 1997, o Cardeal Joseph Zen Ze-kiun é hoje uma voz desassombrada na defesa dos direitos humanos na China, em especial no que diz respeito à liberdade de culto dos Cristãos. Em declarações à AIS – e que constam no referido Relatório - o Bispo Emérito de Hong Kong denunciou um clima terrível de opressão face aos Cristãos, que também existe em relação a outras minorias religiosas, como é o caso dos Budistas no Tibete. “O Governo chinês intensificou recentemente as perseguições. Vimos igrejas demolidas e cruzes retiradas dos edifícios, por isso, não podemos ter muita esperança no imediato”, acrescentando que “a Igreja ainda está escravizada pelo Governo” de Pequim.

 

Mensagem à AIS

Já durante o corrente ano, este prelado havia classificado como “um insulto à fé” e uma “violação dos direitos religiosos dos cristãos”, a campanha das autoridades, nomeadamente na província de Zhejiang, de remoção de cruzes e de demolição de templos. Entretanto, numa mensagem enviada à Fundação AIS, este cardeal, de 83 anos, pede encarecidamente as orações dos benfeitores e amigos da AIS. “Por favor, rezem por nós, rezem pela Igreja na China. Para que os nossos corajosos irmãos e irmãs, perseverem. Para que aqueles que duvidam se mantenham fortes e para que os fracos e os que erraram, regressem”.

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