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“Maior fraternidade entre as religiões”
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O Papa Francisco assinalou o 50º aniversário da declaração ‘Nostra Aetate’, do Concílio Vaticano II, que marcou uma mudança de postura da Igreja no diálogo inter-religioso. Na semana em que foi anunciada uma visita papal a Milão, em 2016, o Papa condenou a discriminação contra as comunidades ciganas. Acabou o Sínodo, o que vai fazer o Papa?

 

1. O Papa Francisco elogiou, esta quarta-feira, 28 de outubro, os progressos do diálogo inter-religioso, nomeadamente envolvendo a Igreja Católica, no 50º aniversário da declaração ‘Nostra Aetate’, do Concílio Vaticano II, que marcou uma mudança de postura da Igreja neste campo. Francisco sublinhou em particular o diálogo com os muçulmanos e os judeus. “Agradecemos de forma especial a Deus pela verdadeira transformação que houve nestes 50 anos no diálogo entre cristãos e judeus. A indiferença e a oposição transformaram-se colaboração e benevolência. De inimigos e estrangeiros tornámo-nos em amigos e irmãos”, afirmou.

Este novo clima de diálogo permite aos fiéis de todas as religiões unirem-se em certas causas e assim corresponder às expectativas do mundo. “O mundo olha para nós, crentes, e convida-nos a colaborar uns com os outros e com os homens e mulheres de boa vontade que não professam qualquer religião, pede-nos respostas reais sobre muitas questões: a paz, a fome, a pobreza que afeta milhões de pessoas, a crise ambiental, violência, especialmente aquela cometida em nome da religião, a corrupção, a decadência moral, a crise da família, a economia, as finanças, e, sobretudo, esperança. Acreditamos que não temos receitas para estes problemas, mas temos um grande recurso: a oração. E nós, crentes, orar. Precisamos orar. A oração é o nosso tesouro, a que recorremos de acordo com as suas tradições, pedindo os dons pelos quais a humanidade anseia”, disse ainda Francisco.

Durante a tradicional audiência geral das quartas-feiras, na qual participaram representantes de diversas religiões, o Papa não deixou de referir os temas mais complicados, como o extremismo religioso. “Por causa da violência e do terrorismo, difundiu-se uma atitude de suspeição ou mesmo de condenação das religiões. Na verdade, apesar de nenhuma religião ser imune ao risco de desvios por parte de indivíduos ou grupos fundamentalistas ou extremistas, temos de olhar para os valores positivos que estas vivem e que propõem, e que são fontes de esperança”.

No final da audiência geral, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco propôs um momento de oração em silêncio, cada um na sua tradição religiosa, pedindo “maior fraternidade entre as religiões e, em particular, para com os irmãos mais necessitados”.

 

2. O Cardeal Arcebispo de Milão, D. Angelo Scola, anunciou que o Papa Francisco vai realiza uma Visita Pastoral àquela diocese do norte da Itália no dia 7 de maio de 2016. A notícia da visita do Papa foi dada pelo cardeal na manhã desta terça-feira, 27 de outubro. Recorde-se que o Papa Emérito Bento XVI visitou Milão em 2012, por ocasião do VII Encontro Mundial das Famílias.

 

3. O Papa Francisco condenou, esta segunda-feira, dia 26, o racismo e a discriminação de que são alvo as comunidades ciganas na Europa, mas também avisou as mesmas que devem fazer a sua parte, respeitando as leis nacionais e enviando os filhos para a escola. O Papa já visitou vários acampamentos de ciganos e povos itinerantes nos arredores de Roma, desde que foi eleito, e voltou a lamentar as condições precárias em que muitos vivem, o que por vezes leva a tragédias: “Não queremos ver mais tragédias familiares, em que crianças morrem de frio ou em incêndios”, exclamou.

Os ciganos, diz o Papa, têm o direito a manter as suas culturas. “Chegou o tempo de extirpar preconceitos, discriminação e desconfiança mútua de séculos, que estão frequentemente na base de discriminação, racismo e xenofobia”. Mas os ciganos cristãos também têm um papel a desenvolver neste processo, insiste, “evitando tudo o que não seja digno desse nome: falsidade, fraude, vigarices e lutas”.

A exploração de crianças, muitas vezes usadas para mendigar, também foi criticada por Francisco, que disse que embora caiba ao Estado garantir o direito à educação, “é o dever dos adultos ver se os filhos vão para a escola”.

 

4. O Papa Francisco presidiu, no passado Domingo, à Missa que encerrou o Sínodo dos Bispos dedicado à família. “Podemos caminhar através dos desertos da humanidade não vendo aquilo que realmente existe, mas o que nós gostaríamos de ver. Somos capazes de construir visões do mundo, mas não aceitamos aquilo que o Senhor nos coloca diante de olhos”, começou por dizer, alertando: “Uma fé que não sabe radicar-se na vida das pessoas, permanece árida e, em vez de oásis, cria outros desertos”. Mas “há uma segunda tentação”, acrescentou Francisco: “cair numa ‘fé programada’”, ou seja, “caminhar com o povo de Deus, mas já a nossa guia de marcha, onde tudo está previsto. Sabemos onde ir e quanto tempo gastar; todos devem respeitar os nossos ritmos e qualquer inconveniente perturba-nos. Corremos o risco de nos tornarmos como ‘muitos’ do Evangelho que perdem a paciência”.

 

5. Terminado o Sínodo dos Bispos sobre a família, as expectativas voltam-se agora para o que o Papa Francisco irá fazer depois da aprovação do relatório final. O Papa Francisco poderá optar por uma exortação apostólica ou por uma encíclica, depois dos bispos sinodais terem aprovado um documento consultivo em que ganhou algum destaque a questão dos católicos recasados.

Não é por acaso que o Papa convocou dois Sínodos para recolher material para eventualmente fazer um documento, o que é o mais provável. Não se sabe se será uma exortação apostólica ou uma encíclica, mas brevemente, daqui a um mês, começa o Ano da Misericórdia. Muitos observadores e especialistas até ligaram os dois assuntos, porque o registo foi o do acolhimento e o da compreensão pelas várias situações da família, nomeadamente os casos mais difíceis onde há mais problemas, e onde se inclui essa polémica, divulgada em muitos média, de que a partir de agora haverá mais abertura. O documento não toca na doutrina, nem diz que é possível, por exemplo, os divorciados recasados acederam aos sacramentos. Existe, sim, um conjunto de três parágrafos - são 94 ao todo - que são mais complexos, porque tocam estas questões que poderão vir a tocar nas questões da doutrina. Mas, para já, ainda não está definido.

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