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Cristão condenado a trabalhos forçados na Coreia do Norte
O preso “036”
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Natural do Canadá, Hyeon Soo Lim foi preso na Coreia do Norte quando desenvolvia trabalho humanitário. Acusado de conspirar contra o regime, foi agora condenado a prisão perpétua com trabalhos forçados. Isolado de todos, nem a Bíblia pode ler.

 

A vida mudou completamente para Hyeon Soo Lim. No início do ano passado, a família perdeu o contacto com ele, depois de Soo Lim ter iniciado mais uma viagem até à Coreia do Norte, onde desenvolvia regularmente trabalho humanitário em nome da Igreja Presbiteriana da Coreia. A ausência de notícias não augurava nada de bom e o pior veio mesmo a revelar-se apenas algumas semanas mais tarde: Hyeon estava detido. Mas porquê? Algo de estranho se teria passado. Afinal, este cristão, de 60 anos de idade, nascido na Coreia do Sul mas com cidadania canadiana, ia com alguma frequência ao mais hermético país do mundo onde a sua Igreja era responsável pela construção de um orfanato e de lares para idosos. Acusado de “actos contra o Estado”, foi condenado a prisão perpétua com trabalhos forçados.

 

Incomunicável

Agora, sabe-se, o preso “036” é obrigado a abrir buracos nos terrenos do campo de concentração onde se encontra, durante oito horas por dia. Está incomunicável e nem um exemplar da Bíblia – que pediu às autoridades – lhe deram ainda. Desconhece-se quantos cristãos estão presos na Coreia do Norte. Considerados como “inimigos” do Estado, os Cristãos não podem, em momento algum, revelar qualquer prática religiosa, sob risco de poderem ser presos de imediato. No entanto, há sinais, embora ténues, de que o povo Coreano não esqueceu as suas raízes cristãs, apesar da tenebrosa perseguição de que é alvo. Um relatório recente do Governo dos EUA dá conta da existência de “inúmeros casos de membros de Igrejas clandestinas presos, maltratados, torturados ou mortos devido às suas crenças religiosas”. A Fundação AIS também tem denunciado isso nos seus relatórios, colocando a Coreia do Norte como o país do mundo onde é mais arriscado alguém assumir a sua fé em Jesus. Haverá, actualmente, talvez 200 mil presos em campos de concentração do regime de Pyongyang. Alguns, uns milhares, são cristãos. A descoberta de um simples exemplar da Bíblia em casa é suficiente para que toda a família seja deportada para um desses campos de concentração.

 

Igreja clandestina?

O regime é impenetrável. Em inquéritos realizados junto de refugiados que conseguiram escapar do país, há indícios de que, na região fronteiriça com a China, haverá uma Igreja clandestina. Hyeon Soo Lim não é o único cristão estrangeiro preso pelo regime de Pyongyang. Nos últimos dias o mundo ficou a saber também da detenção de Kim Dong Chul, um norte-americano, assim como de pelo menos mais dois cidadãos sul-coreanos, presos sob a acusação de espionagem. Um deles, Kim Kuk-gi, de 60 anos, foi detido por “espalhar propaganda religiosa em igreja clandestina”. A Coreia do Norte tem igualmente nas suas prisões o missionário sul-coreano Kim Jeong-wook, condenado em Outubro de 2013 a trabalhos forçados quando procurava dar abrigo e alimentos a norte-coreanos que tentavam abandonar o país pela fronteira com a China.

 

Verdadeira razão

Talvez esta seja a verdadeira razão para a prisão perpétua de Hyeon Soo Lim. Nunca se saberá realmente. Mas é bem provável que nas suas muitas viagens até à Coreia do Norte este missionário tenha procurado ajudar as comunidades cristãs que, embora clandestinamente, continuam a manter viva a chama da fé. Soo Lim está agora preso num campo de concentração. É obrigado a trabalhar arduamente durante oito horas por dia, apesar da sua débil condição física. Ninguém sabe como ele está. No entanto, seguramente, o preso “036” não tem dúvidas de que no mundo inteiro há milhares de pessoas que rezam por ele. E também por todos os norte-coreanos que arriscam a vida só por se manterem fiéis a Cristo.

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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