Domingo |
À procura da Palavra
Do Pai aos irmãos
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DOMINGO IV QUARESMA Ano C
“Este teu irmão estava morto e voltou à vida,
estava perdido e foi reencontrado.”
Lc 15, 32

 

Ultrapassando os nomes de Deus que o Antigo Testamento tinha apresentado, muitos deles com imagens bélicas como “Senhor dos Exércitos”, Jesus ousa chamá-l’O “Pai” (e ensina-nos a fazer do mesmo modo!). “Abba”, em aramaico, exprime proximidade e afecto, e quase poderia traduzir-se por “Paizinho”! Não se prendendo a questões de género, esta parábola do pai e dos dois filhos, pai, esse, que Rembrandt pintou com uma mão masculina e outra feminina, envolve-nos num amor-misericórdia que sempre nos interpela. Quantos “pais” e “mães” cada um de nós teve (ou tem), para além daqueles que nos deram a vida, e assim os sentimos, porque nos amaram e nos fizeram crescer? No fundo, porque nos ajudaram a ser melhores irmãos, mais responsáveis e fraternos, mais capazes de responder com amor ao egoísmo, com justiça à indiferença, e não será esse o grande desejo de todos os pais e mães: que cada filho seja feliz com outros?

É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, diz um provérbio africano. Mas as referências primeiras são os pais, e algumas das questões levantadas por um artigo de Santana Castilho, professor universitário, há dias no jornal Público, são prementes. Ele refere a falta “tempo para [a criança] brincar livremente, a actividade mais séria do seu crescimento”; “que mais escola não significa melhor educação”; “que a falta de presença e disponibilidade dos pais impede a consolidação dos laços afectivos profundos, que caracterizam a relação pais/filhos”; “que essa ausência dificulta o desenvolvimento da personalidade das crianças, o qual requer figuras claras de referência”; “que a prevalência dos interesses profissionais sobre o direito ao bem-estar mental das crianças tem reflexos nefastos no futuro de todos nós”.

Não sabemos se o pai da parábola que Lucas nos narra era um bom educador. Mas sabemos que amava os seus filhos. Que pouco lhe interessavam os bens e as propriedades, a fama ou as honrarias, e tudo seria capaz de sacrificar por causa deles. Com que dor aceitou ser “morto” pelo filho mais novo quando lhe deu a parte da herança reclamada? Com que esperança suspirou pelo seu regresso? Com que alegria saiu ao seu encontro e deu início à festa? Com que dor descobriu a dureza de coração do filho mais velho? Com que humildade veio insistir com ele para acolher o irmão? Quem imagina Deus sentado no seu trono celeste a “ver o mundo passar” bem pode mudar de ideias, sob o risco de “inventar” um Deus que não é o Pai de Jesus Cristo!

Talvez alguns pensem que este pai é um “bonzão”, pouco exigente e até “injusto” na distinção que faz dos filhos. Será que então não estaremos a ser “filhos mais velhos”, especialistas em classificar os outros, revelando a falsidade de um serviço sem amor, de uma presença sem calor? A exigência deste pai não é intransigência, mas esperança na aprendizagem pelos erros, e responsabilização na missão renovada de ser filho. Castigo foi a descida do filho à desumanização, donde o arrependimento e a memória do amor firme do pai o fizeram sair. É a mesma memória que o pai quer despertar no irmão mais velho para que não fique fora da festa. Porque, esse sim, seria o mais triste castigo!

P. Vítor Gonçalves
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