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A. Pereira Caldas
As sementes de Fátima
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Maio de 2016 chegou ao fim. Para trás, ficou a memória de mais uma impressionante manifestação de fé a fazer pequeno o espaço sagrado da  Cova de  Iria – ali onde, do cimo de uma azinheira, a Virgem apareceu aos  três Pastorinhos e lhes pediu que transmitissem ao mundo a sua mensagem.

Maio é, há 99 anos, para Portugal e para o sentir mais profundo do povo português, o mês de Maria. Outra vez, Maio chegou e partiu, lançando à sua passagem sementes novas, como que fertilizadas, dos valores essenciais contidos na mensagem de Fátima. São sementes de esperança, sementes que, apesar das crescentes dificuldades e contingências que as rodeiam, hão-de conseguir germinar e, de alguma forma, travar          quem, talvez na ânsia de se sentir e julgar “deus”, insiste – para não dizer que se compraz … – em enfraquecer ou destruir  as traves mestras da existência do homem e do seu comportamento na vertigem deste tempo surpreendente. Um tempo onde tudo pode acontecer e tudo pode mudar ao gesto e ao som de um estalar de dedos – que hoje dá pelo nome de “click”…

Será, por isso, pelas brutais contradições sem sentido que dominam a natureza humana que o amor, instrumento fundamental na construção da Paz, se dissolve e se perde numa violência física e psicológica sem limites; ou que a fome continua, incontrolável, a semear a morte por países e continentes; ou que o terrorismo cresce, assustador e irracional, a abrir as portas de uma nova e estranha forma de guerra, onde se combate um inimigo que não se vê e se mata porque sim… Ou porque não…

É nesta amálgama de factos e sentimentos, trágica mas real, que a mensagem de Maria ganha uma nova força redentora, lembrando à humanidade que Cristo morreu para a salvar. Porque a Paz ainda é possível e a esperança nunca se perde.

O que é preciso é acreditar. Afinal, cem anos depois e, por certo, perante o Papa, Fátima reafirmará a sua importância como a insubstituível mensageira do Amor e da Justiça.

E como o Altar do Mundo permanecerá.