Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Um milagre especial
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Antes de começar a escrever este texto, sabia o que pretendia escrever. Por vezes não é assim! Porém, deixa-se a pena correr, que é como quem diz, começamos a teclar e as letras vão começando a criar formas e a permitir que ideias se transmitam àqueles a quem pretendemos chegar.

Às vezes, penso que, será pela, aparente, falta de assunto que vamos vendo tantas vidas serem desnudadas na comunicação social. Isto é, vidas que podiam viver sob o anonimato mas que, por intenção própria, pela força do cargo, função ou atitude que se assume, ou até pela imposição dos media, se tornam públicas e, mais do que isso, deixam de ter vida própria.

Assistimos, recentemente, por graça de Deus, ao milagre do nascimento de uma criança que, após a morte cerebral de sua mãe, se manteve, pela tecnologia e, estou convicto, por vontade de Deus, em gestação até ao momento em que se considerou viável a sua extração. Não quero, mais uma vez, falar da dimensão da vida, até porque, ainda no passado Domingo, no artigo ‘Na Tua Palavra’, neste jornal, D. Nuno Brás nos ajudou nessa mesma reflexão.

Preocupo-me, sim, como cidadão, padre e jornalista, com o futuro desta criança que passou a ser pública. A notícia do seu nascimento correu por todo o mundo, porque o nascimento foi notícia. Mas daí para a frente, a vida da criança torna-se privada. Não é necessário explorar os sentimentos da família, as condições da família, os problemas da família, o futuro da família e o da própria criança. O pai desta criança que, segundo a comunicação social terá tido os seus problemas pessoais, afirmou também que o nome dado, Salvador, é testemunho do bem que este filho lhe fez.

Acredito na conversão, e acredito que Deus terá permitido a vida desta criança para salvar o seu pai e talvez para salvar muitos outros. Não sei, sequer, se este pai é crente ou não, mas o próprio acredita no milagre que este filho já realizou em si.

Preocupo-me, agora, com o tipo de jornalismo que, em alguns lugares, se vai fazendo, intrometendo-se no foro íntimo e familiar. Sei que não é de hoje, mas a nossa postura diante das situações pode ajudar a mudar, porque os media, hoje, dão-nos o que vão percebendo que nós queremos ver e ouvir.

Não precisamos, agora, de saber como vai ser a vida desta criança, onde vai estudar, os amigos que vai ter, a ruas por onde vai passar ou a vida que vai viver. Esta vida é mais um dom de Deus por quem podemos e devemos rezar, tal como somos convidados a fazer por tantos outros, inclusive os que não conhecemos. O poder da nossa oração acompanha e protege. Não precisamos de mais. Contudo reconheço que, se toda a vida é um milagre, este foi um milagre muito especial!

 

P. Nuno Rosário Fernandes, diretor
p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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