Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Um povo de pecadores
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Este mundo de aparências em que vivemos não gosta de falar de pecado. Muito menos gosta de se assumir como pecador. Porque não gosta de mudar, de se converter. Prefere fingir que tudo está bem, que cada um de nós deu o seu melhor, que somos todos as melhores pessoas que se podem encontrar ao cimo da terra. Se nem tudo corre bem, é culpa do “sistema”.

Pobre daquele que, por algum motivo, todos apontam como pecador. É tratado como proscrito, olhado com desprezo por todos e em especial pela comunicação social, sempre sobranceira e disponível para julgar aqueles que caem nas suas malhas.

Muitas vezes nos acusaram (sobretudo a nós, católicos) de nos preocuparmos mais com o pecado que com o anúncio alegre da salvação – dizem que sublinhámos um sentimento de culpa que impede o progresso. Não digo que, por vezes, não tenha sucedido. Mas a salvação que Jesus nos traz é salvação de quê? Se tudo está bem; se somos todos bons; se não temos nada a mudar, então vivemos já no Paraíso. Não precisamos de Salvador nem de salvação.

Das celebrações eucarísticas quase desapareceu aquele momento inicial onde todos, diante de Deus e do mundo inteiro, publicamente, nos reconhecemos como pecadores – refiro-me à “confissão”, em que todos nos reconhecemos pecadores por pensamentos, palavras, actos e omissões, “por minha culpa, minha tão grande culpa”. Noto, com cada vez mais frequência, que é substituída por uma cantiga mais ou menos “ternurenta” onde se lamenta o mal do mundo.

Talvez para mostrarmos que estamos na “moda”, esquecemos esta realidade tão simples mas tão importante: somos pecadores, membros de um povo de pecadores, sempre a necessitar de conversão, como recorda o Concílio Vaticano II.

Não se trata de reconhecer que não existe solução e que estamos condenados ao pecado e às consequências que ele sempre traz consigo – trata-se antes de nos darmos conta da realidade do que somos, e de mostrar o quanto confiamos na misericórdia de Deus que, verdadeiramente, nos pode transformar e nos acolhe mesmo assim como somos, pecadores.

Aliás, quanto mais deixamos que brilhe sobre nós a luz de Deus, o Santo, o “três vezes Santo”, tanto mais percebemos a nossa realidade e a Sua misericórdia.

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