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Associação Candeia
Amizades que geram Vida
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Os campos de férias da Candeia são uma experiência marcante para crianças institucionalizadas, em que muitas têm o primeiro contacto com Deus, e também para os monitores, que no trabalho de campo descobrem “a beleza das pequenas coisas”. Porque o tempo de férias é curto, a associação apresenta agora um projeto que procura oferecer uma família ‘p’ra Vida’ das crianças e jovens que vivem em casas de acolhimento.

 

Tudo começou em 1991, quando um grupo de amigos sentiu a necessidade de animar e acompanhar crianças que vivem institucionalizadas. De simples atividades pontuais, rapidamente o compromisso dos jovens passou para o acompanhamento regular dos estudos dessas crianças, durante todo o ano letivo. Depois, a ideia cresceu e transformou-se também em campos de férias para várias idades. Miguel Monteiro conheceu recentemente a Candeia mas sublinha ao Jornal VOZ DA VERDADE que o “único requisito” para se ser voluntário, e que se mantém desde a criação da associação, é: “Amar o outro! É saber, independentemente de ser tímido ou extrovertido, amar o outro. É estar disponível para aprender, partilhar”.

Atualmente, Miguel, de 27 anos, faz parte da direção da Candeia e é responsável pelo pelouro da Comunicação. O primeiro contacto que teve com esta associação foi há 4 anos atrás, quando no seu local de trabalho um amigo lhe falou do projeto. “Desde aí, foi sempre uma relação com muito amor e alegria. Uma vez Candeia, para sempre Candeia”, afirma, sorridente, este designer gráfico.

 

Encontro

Uma das ‘faces’ mais conhecidas desta associação, que está presente na Diocese de Lisboa, são os campos de férias em exclusivo para aproximadamente 120 crianças que, por diversos motivos, tiveram como lar uma instituição de acolhimento. Durante o mês de agosto, divididos por diferentes faixas etárias (‘Faíscas’, dos 6 aos 11 anos; ‘Fagulhas’, dos 12 aos 14 anos; e ‘Fogueiras’, dos 15 aos 18 anos), os “miúdos” têm uma semana “especial” que foi preparada por 15 a 22 animadores por grupo. “Os campos de férias, este ano, vão decorrer numa propriedade entre Sines e Porto Covo”, adianta Miguel, abordando também a importância da mensagem evangélica que está presente em todo o trabalho realizado pela Candeia: “A matriz cristã está presente de forma total no dia-a-dia da Candeia. Nos fins-de-semana de atividades, por exemplo, tentamos sempre que haja uma Missa e alguns momentos de oração, a que chamamos o ‘Bom dia, Senhor’, ‘Boa noite, Senhor’. Muitas das crianças só vivem na Candeia estes momentos de relação com Deus”. Miguel Monteiro salienta, por isso, a importância da presença dos sacerdotes nesta atividade: “Nos campos de férias é obrigatório que na equipa de campo exista um ‘capelão’ (padre) que também faz parte da equipa que organiza o campo. Há sempre a Missa diária e vários momentos de oração para crianças e animadores. Aproveitamos muito para viver essa espiritualidade e essa convivência com Deus, que no campo de férias é muito presente e intensa. Acontece também, nas crianças, encontrarem Deus nos próprios campos... e de repente desperta uma curiosidade para uma relação com Ele, que pode passar pela catequese e pela aproximação da Igreja. Isso é muito interessante”.

 

Atenção constante

As atividades da Candeia não ficam restritas ao Verão. Durante todo o ano, os cerca de 120 animadores, na sua maioria jovens entre os 18 e os 28 anos, preparam outras atividades. Com um calendário “regido pelo ano letivo” dos miúdos, de forma a “articular com as próprias instituições”, existe um acompanhamento permanente. A ‘Domingada’ é uma tarde de atividades, preparada de acordo com a faixa etária e acontece duas vezes por mês. Existe também uma atividade de ocupação dos tempos livres, duas vezes por mês, preparada com a casa da Associação Protetora das Florinhas da Rua, agora em Loures, e com o CAT – Centro de Acolhimento de Tercena. A esta oferta juntam-se também os fins-de-semana que “pretendem ser uma espécie de aperitivo para os campos de férias de verão, e onde os miúdos têm atividades, de sexta-feira a Domingo”, explica Miguel Monteiro.

 

Pequenas coisas

Para quem participa como animador nas atividades da Candeia, os testemunhos são marcantes. Para Margarida Fonseca, a experiência como monitora em campos de férias da Candeia mostram-lhe a “genuinidade e a beleza das pequenas coisas”. “Na Candeia aprende-se a fazer muito com pouco. Do nada pode nascer uma atividade espetacular, um abraço pode dar uma alegria imensa a um miúdo, e até um rebuçado ou um sorriso pode transformar qualquer um”, testemunha esta jovem de 28 anos que, no final de agosto, será monitora do campo de férias para os ‘Fogueiras’, dos 15 aos 18 anos.

Perante as histórias de vida complicadas que muitas crianças transportam, Margarida garante que o “segredo” para as ultrapassar está em “aceitar os outros tal e qual como eles são, esquecendo as histórias difíceis dos miúdos e amando-os, mesmo com os seus defeitos”. “Na Candeia somos todos miúdos... é um mundo mágico onde não há vergonhas de nada”, afirma.

 

O projeto de uma vida

O projeto ‘Amigos p’ra Vida’ é um “filho da Candeia” e nasceu com o objetivo de “dar mais, dar um projeto de vida às crianças e jovens”, explica, ao Jornal VOZ DA VERDADE, Ana Sofia Marques, fundadora da Candeia e agora uma das responsáveis por este projeto. “O que a Candeia faz é fantástico mas acabámos por chegar à conclusão que as crianças e jovens precisam de mais do que isso, em termos de projeto de vida. O que a associação proporciona é muito mágico e sente-se quando se está em campo com os miúdos mas, por vezes, como as institucionalizações são muito prolongadas, há alguns deles que não têm alternativa a viver toda a vida numa instituição... e o sistema não dá resposta”, explica esta advogada com experiência na área da infância e juventude.

O ‘Amigos p’ra Vida’ tem então como objetivo “criar momentos e oportunidades a famílias para conhecerem os miúdos, relacionarem-se com eles e dar-lhes apoio”, frisa Ana Sofia.

 

Amizades que permanecem

Algumas das famílias que hoje se dispõem a ser amigas ‘p’ra Vida’ das crianças sinalizadas pela Candeia acolhem essa disponibilidade porque “também puderam viver as relações de amizade, enquanto monitores de campos de férias da associação”. “Hoje, a Candeia tem animadores jovens, estudantes universitários que estão no seu início de vida e que acabam por formar a sua própria família... As amizades que foram gerandas entre esses jovens e os miúdos foram muito importantes e ainda hoje continuam a ser”, constata Ana Sofia Marques, que juntamente com Joana Seabra Gomes, Joana Simões Correia, Margarida Reis e Rita Seabra Gomes são o rosto deste projeto, que também conta com o voluntariado de inúmeros profissionais de várias áreas.

 

Fazer a diferença

Este projeto é apresentado com duas grandes vertentes. A primeira assenta na relação de amizade ‘p’ra vida’ e acontece, sobretudo, com os miúdos para quem o tribunal já decidiu que ficam na instituição até se autonomizarem ou com aqueles que têm um projeto de reintegração na família biológica e que contam, para sempre, com o apoio da família que os apoiou anteriormente. “É um apoio essencial para os miúdos e para a família biológica porque, normalmente trata-se de famílias muito frágeis”, refere Ana Sofia.

A segunda vertente do projeto ‘Amigos p’ra Vida’ é ativada nas situações em que as crianças precisam da família ‘p’ra Vida’ como família. Este caso acontece em especial para crianças que não têm resposta dada pelo sistema. “São casos em que se não houvesse esta relação, a criança não teria uma família disponível para a acolher. Isto acontece, por exemplo, com crianças mais velhas e que são mais difíceis de adotar. Em tudo existe um acompanhamento do tribunal e dos técnicos das próprias instituições”, salvaguarda a advogada.

Atualmente existem cerca de 20 crianças que beneficiam de uma família ‘p’ra vida’ mas existe ainda uma lista de diversas “crianças sinalizadas para as quais não temos famílias”, lamenta. Para Ana Sofia Marques, o futuro do projeto vai passar pela captação de mais famílias. “Tem sido impossível parar de crescer o número de crianças sinalizadas. No entanto, este é um projeto de família e acreditamos que as famílias, tantas vezes famílias já com filhos, podem fazer a diferença”, afiança.

 

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É bom ser (e ter) amigos p'ra vida

[carta de apresentação do projeto ‘Amigos p’ra Vida’]

A Ana e o Carlos conheceram a Sara e a Sónia quando estas estavam numa casa de acolhimento. Ao fim-de-semana e férias, passearam, brincaram e celebraram juntos: construíram laços. Mesmo depois das irmãs voltarem para junto da mãe, a Ana e o Carlos continuaram ao seu lado. Partilharam momentos únicos e construíram uma amizade sólida, responsável e dedicada: tornaram-se Amigos p'ra Vida. E, passados 9 anos, continuam a sê-lo.

Também o Francisco conheceu a Maria numa casa de acolhimento. Estabeleceram uma relação de amizade tão forte que hoje o Francisco vive integrado na família da sua Amiga p’ra vida.

Mudar a vida de crianças e jovens como a Sara, a Sónia e o Francisco, é estar lá para os ouvir, levá-los a conhecer sítios novos, apoiar nos trabalhos de casa, fazê-los rir e olhar em frente, jogar à bola, fazer desenhos, soprar as velas em aniversários, dar carinho no Natal...

O projeto Amigos p’ra Vida tem como missão encontrar para cada criança ou jovem institucionalizado, uma pessoa ou família voluntária que pretenda ser apenas isso – um Amigo p’ra Vida – ganhando com esta relação também um amigo para a vida.

Procuramos famílias que queiram, como a Ana, o Carlos e a Maria, partilhar o seu tempo em família, investir numa amizade, ajudar a crescer, confortar, mimar: Famílias que aceitem ser um porto seguro.

Envolva-se neste projeto e ajude-nos a construir um presente mais feliz e futuros cheios de esperança! 

 

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Candeia

www.candeia.org

www.facebook.com/associacaocandeia

 

Amigos p’ra Vida

www.amigospravida.pt

texto por Filipe Teixeira; fotos por Candeia
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