Doutrina social |
Cracóvia, Auschwitz e Nice
Construir hoje o mundo de amanhã
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Nos próximos dias terá início a Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, Polónia. Poderá constituir uma experiência rica para quem tiver a capacidade de ser mais do que turista. E mais rica ainda para quem tiver a oportunidade de se deixar interpelar pela visita a Auschwitz, ali a uns 50 quilómetros e já com a reserva para 300 mil peregrinos.

 

O passado e o presente

O cenário provavelmente fará surgir a velha e atual pergunta: como foi possível isto acontecer sem vozes de indignação e sem ações impedindo o inaceitável? A pergunta continuará a abanar consciências. Isso é bom se contribuir hoje e amanhã para a sua não repetição. Compreende-se a frase de George Santayana numa placa à entrada de um dos pavilhões: “aqueles que não são capazes de lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”.

Não seremos responsabilizados pelo passado dos outros; mas não podemos eximir-nos a responder pelo que nos nossos dias vai acontecendo. Antes as coisas aconteciam e o seu conhecimento diluía-se num perímetro restrito de pessoas. Hoje de uma forma geral não podemos alhear-nos daquilo que, quase em tempo real, entra nas nossas vidas. A maiores possibilidades corresponde uma responsabilidade acrescida. As palavras de João Batista anunciando a presença de Jesus apontam uma atitude em duas vertentes: Estai atentos e convertei-vos; isto é, não fecheis os olhos à realidade e fazei que ela se vá transformando cada vez mais segundo os critérios de Deus.

 

O tempo que temos

O Vaticano II, assumindo os questionamentos levantados dentro e fora da Igreja, deixou bem clara a perspetiva de um olhar aberto à realidade e de uma atitude que, olhando para o alto, para aquilo que nos ultrapassa, motiva as pessoas a construírem um mundo mais perfeito. A Gaudium et Spes é a expressão dessa experiência conciliar. Hoje não podemos dormir sobre esses propósitos. A nossa fé é incompatível com o culto aos deuses que povoam a nossa sociedade; o sistema que comanda o mundo é estranho a considerações que ultrapassem o terra-a-terra e o desfrutar o momento presente. Por isso propõe o lucro como fim primeiro de tudo o que se faz. Este paganismo é tão dominador como o dos tempos passados. Num mundo racionalizado e desenvolvido continuamos a ver “Mamon”, o ídolo referido por Jesus,” com os seus sacerdotes hábeis em números e estatísticas, e os seus fiéis cumpridores dos ditames apresentados. Esse “deus” é tão altivo e feroz que em cada dia exige suor e sangue e frequentemente a vida dos súbditos com um preço de fome, de doença e de ignorância. É tão cínico que os dispensa de pensar, seja nas razões profundas da vida, seja na maneira de as pôr em prática.

 

Nem todos iguais

Interrogamo-nos perante a violência e a barbárie do que vai sucedendo à nossa volta, como na semana passada em Nice ou em Istambul. E há razões de sobejo para isso. Mas quando o mesmo se passa num qualquer país de África, com imagens de uma crueldade arrepiante, de uma indizível desumanidade, nós temos que nos perguntar: Como é possível saber disto sem se indignar e exigir alguma explicação? O que é que se mostrou e o que é que se disse das chacinas em Beni do Congo, na Nigéria, na República Centro Africana? Há dias, associando-se a uma campanha pela paz na Síria, promovida pela Caritas Internacional, o Papa apontava o dedo aos traficantes de armas e a todas as potências internacionais que continuam a alimentar a guerra. “Alguns dos países que fornecem as armas estão entre aquelas que apelam à paz”. É a hipocrisia requintada e a desumanidade camuflada. Se, pelo contrário, os poderosos assumissem uma luta pacífica, com as armas da verdade e do compromisso na melhoria de vida dos outros, seguramente que seriam encontrados caminhos para travar o sofrimento indizível para milhões de pessoas. Quando há dias a NASA anunciou que a Sonda Juno entrou na órbita de Júpiter perguntamo-nos como é possível conseguir uma tão grandiosa façanha e manter ao mesmo tempo uma grande parte da humanidade sujeita à fome, à doença e à morte prematura. Essa poderá ser a primeira causa da desagregação social e das guerras que pairam sobre todos nós. Os jovens de hoje têm de tomar em conta esse dado para poderem construir o amanhã.

texto pelo P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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