Missão |
Daniela Pereira
“Em Moçambique encontrei-me e reforcei o sentido da minha vida”
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Daniela Pereira nasceu a 31 de julho na Guarda, numa família católica. É licenciada e mestre em Reabilitação Psicomotora pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa. Em 2006 participou num Campo de Férias da Juventude Hospitaleira (JH), na Casa de Saúde Rainha Santa Isabel, em Condeixa. Foi crescendo com este movimento de jovens. Em Outubro de 2015 partiu em missão com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus (IHSCJ) para Moçambique.

 

Nasceu numa família católica e é a primeira filha “de um casal apaixonado, fruto de um amor que foi crescendo ao longo de 12 anos, e irmã de um jovem com 17 anos”, como partilha. Frequentou a catequese desde os 6 anos, em maio de 2008 recebeu o sacramento do Crisma e diz-nos que “foi sem dúvida um dia de grande alegria e emoção, pela afirmação perante Jesus e toda a minha família de que queria continuar a pertencer à família de Deus e queria ter um papel cada vez mais ativo na sua missão e na construção da sua obra.” Neste caminho de catequese, no verão de 2006 a sua prima Ana, Jovem Hospitaleira, desafiou-a a participar num Campo de Férias Hospitaleiro na Casa de Saúde Rainha Santa Isabel, em Condeixa, “marcado pela cumplicidade criada com jovens para mim desconhecidos, pela sensibilidade, simplicidade e alegria de cada utente e pela entrega diária de cada Irmã a cada uma das utentes. Sem dúvida uma das experiências que marcou e definiu grande parte do meu percurso até aos dias de hoje”.

 

Ser para o outro

A partir do verão de 2006 as IHSCJ, através da JH, passaram a ser parte da sua vida de forma “muito especial e próxima. Foi possível descobrir-me, encontrar-me e conhecer o essencial que o Principezinho nos fala, no olhar, no sorriso, nas mãos e nos abraços das meninas acolhidas em cada Casa das Irmãs Hospitaleiras. Foi com as IHSCJ e com a JH, que descobri o que realmente me faria feliz e concretizada, para o resto da vida – ser para o outro, sobretudo para o mais frágil, com quem melhor se partilha a linguagem dos afetos e da aceitação da condição humana. Desde então fiz várias atividades da JH, crescendo na fé e enquanto ser humano, encontrando pelo caminho amigos para a vida”, partilha. “Ao mesmo tempo fiz também parte de um grupo de jovens da Guarda – ´À Guarda de Deus´, com quem vivi e partilhei verdadeiros momentos de proximidade com Jesus e com a comunidade, onde pude ser, crescer, aprender e viver o amor de Jesus, tal como um jovem precisa, questionando, interrogando e ao mesmo tempo encontrando respostas e aconchego com outros jovens”, diz-nos. Foi também com este grupo que em 2011 participou nas Jornadas Mundiais da Juventude e considera que esta experiência foi “marcante pela perceção e compreensão, de que não sou a única que busca o encontro e o amor de Jesus, somos milhares de jovens nesta busca constante”. No mesmo ano ingressou na Faculdade e considera que foram quatro anos “de grandes oscilações na vida cristã, tendo momentos de maior força e proximidade com Jesus e outros de maior escuridão. No entanto a JH e o voluntariado sempre tiveram uma presença marcante e determinante nas minhas decisões e caminhos a percorrer, nunca me deixando afastar dos trilhos de Jesus e do seu amor.”

 

Fortalecer percurso JH

Ao longo de toda a sua caminhada, “a vontade de partir em missão foi sempre falando ao coração”. Recorda as palavras do seu pai “a missão é feita diariamente com quem está mais próximo de nós” e um testemunho de uma missionária que partiu em 2013 com os Irmãos de S. João de Deus “e que levou consigo para essa missão o projeto de mestrado da sua área profissional. Esse testemunho fez crescer em mim também esse projeto e vontade de aliar a missão à prática da missão profissão escolhida com a certeza de que iria permitir entregar cada dia em prol do outro. E assim nasceu e cresceu e cresceu o sonho de partir em missão com as IHSCJ para o Centro de Reabilitação Psicossocial das Mahotas (CRPS) em Maputo.” A 11 de Outubro de 2015 partiu para missão com a Inês Correia e partilha: “partimos com um projeto em conjunto, com campos de ação em ambas as áreas de formação de cada uma, com o objetivo central de ser uma ajuda adicional à missão das Irmãs no CRPS e de alguma forma contribuirmos para a mesma missão. Esta missão foi uma surpresa diária para mim, bastante diferente do que eu estava à espera, sobretudo nas dificuldades que pensei que iria sentir e que afinal foram outras. Senti que ao longo de toda a experiência de missão fui muito protegida da realidade moçambicana pelos muros físicos, afetivos e emocionais do CRPS sobretudo pela presença amiga das Irmãs Hospitaleiras. No entanto, no CRPS encontrei uma realidade ainda escondida e muito estigmatizada, onde o peso da cultura impera sobre qualquer direito humano. As pessoas com deficiência são as mais pobres dos pobres, são abandonadas, rejeitadas, desrespeitadas, sendo necessária a luta constante dos direitos enquanto seres humanos destas pessoas e famílias, que são acolhidas no CRPS de braços abertos e com a perspetiva de pelo menos dentro daqueles ‘muros’ poderem ser exatamente aquilo que são, sem sentirem qualquer repressão ou discriminação. No CRPS sentem-se ‘pessoas’ tendo um papel essencial no decorrer das atividades que nele decorrem. Foi um encontro com crianças e jovens que saciam a sede afetiva na fonte essencial, sentindo que mesmo numa cultura, país e continente diferentes a linguagem dos afetos é universal. Voei para as Mahotas com o pensamento de que seriam 8 meses a entregar tudo o que sou a uma população carente e com várias necessidades, no entanto quase desde o primeiro momento tive a certeza que este voo seria de certeza uma experiência de grande crescimento e ajuda para mim, sobretudo no autoconhecimento, autodescoberta e na capacidade de ultrapassar obstáculos. Para este crescimento foi essencial o testemunho diário da Inês, que questionou, colocou em causa, pensou, refletiu, amou, abraçou e foi essencial para esta missão. A família foi sem dúvida o pilar, a rocha e o grande anjo da guarda que Deus colocou para sempre no meu caminho, dando em cada dia mais valor ao seu amor, à sua essência, à sua simplicidade, à sua compreensão e à sua presença essencial em qualquer parte do mundo. (…) Saí de Moçambique com a plena certeza de que o mundo não é cor-de-rosa, mas sim cor-de-rosa com bolinhas brancas, riscas amarelas, e triângulos azuis, o que torna a nossa vida mais entusiasta e com maior possibilidade de fazer a diferença na vida do outro. Deus teve uma presença muito forte nesta experiência pela presença diária da Inês e pela força de viver de cada criança e jovem do CRPS. Para além das mulheres de Deus, que de branco caminham e fazem milagres diários nas vidas que cruzam. Em Moçambique encontrei-me e reforcei o sentido da minha vida, tendo agora mais certeza de que esta só faz sentido, quando é vivida para o outro. Fazer missão em Moçambique enquanto JH, fortalece e enriquece o percurso de quase 10 anos enquanto JH e dá sentido a cada amanhecer, numa cultura, cidade, país e continente diferentes, pois a essência permanece – ‘Uma pessoa vale mais que o mundo inteiro’.”

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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