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Diocese de Manono, na República Democrática do Congo
“Ninguém nos visita”
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Na terrível história deste país assombrado pela guerra, há uma cidade que parece ser hoje terra de ninguém, como se fosse um lugar fantasma. Em Manono vivem pessoas que estão como que exiladas na própria terra. É como se não existissem. A pobreza é chocante e interpela-nos. É preciso fazer alguma coisa…

 

Christine du Coudray, chefe de departamento de projectos da Fundação AIS, visitou recentemente a República Democrática do Congo e ainda está como que em estado de choque com o que viu. Neste país, as marcas da guerra estão por todo o lado, como se fossem um aviso, uma ameaça. Têm sido guerras patrocinadas por milícias que vivem da extorsão das riquezas naturais que se escondem no subsolo. A violência, nesta região de África, é uma história antiga. Os mais antigos lembrar-se-ão ainda do Congo Belga, os mais novos recordarão o Zaire, mas o país é o mesmo. Apenas tem mudado de nome. Agora é a República Democrática do Congo. Desde os tempos coloniais até aos dias de hoje, são imensas as histórias de tragédia, de violência, de morte. Na base de tudo está a riqueza imensa do subsolo e as profundas rivalidades étnicas que têm manchado de sangue a história do país. De acordo com a Cruz Vermelha Internacional, nos últimos vinte anos morreram mais de cinco milhões de pessoas por causa da guerra.

 

Uma enorme tragédia

A responsável pelos projectos da AIS visitou a diocese de Manono e diz que nunca viu nada assim. “Ao sobrevoar Manono vê-se uma bonita cidade, com ruas estreitas cobertas por copas de mangueiras” – explica Christine. Esta cidade foi idealizada ainda nos tempos coloniais. Nos anos 50 do século passado, os belgas descobriram a riqueza que se esconde no subsolo e decidiram criar ali uma empresa de extracção de minérios. Por causa disso nasceu uma cidade que ainda hoje é recordada, pelos mais velhos, pela excentricidade do bem-estar que era proporcionado aos seus habitantes, em relação ao que era habitual na época. Era quase um luxo, ali, em África. As casas tinham água corrente e luz eléctrica a todas as horas do dia. Havia escolas e centros de saúde e estradas. Ainda hoje, vista dos céus, Manono parece ter preservado a promessa de felicidades desses tempos. Mas quando se caminha pelas suas ruas, quando se repara bem nos destroços das casas, nas ruínas em que se transformou a cidade, percebe-se bem a dimensão da tragédia. “Vista de perto, descobre-se uma cidade fantasma. Tudo foi destruído pela guerra, em 1999. A população foi embora. Só sobraram ruínas, hoje completamente abandonadas”, explica Christine.

 

Pobre país rico

A cidade foi destruída pela guerra e a igreja é, na sua extrema pobreza, o retrato fiel desse suicídio humano. Quando Christine du Coudray se encontrou pela primeira vez com o Bispo de Manono, D. Vicente de Paulo, ele acolheu-a dizendo: “Bem-vinda. Ninguém nos visita, a não serem vocês.” Pior do que a pobreza que espreita nas ruas, nas casas, nas pessoas, é a sensação de que tudo isso é inevitável por causa da guerra e a guerra é inevitável por causa da riqueza que se esconde debaixo da terra. É uma aparente contradição. Um país extremamente rico com pessoas tão pobres. Ao longo dos anos, as empresas mineiras foram esculpindo a região ao mesmo tempo que esventraram montes e vales. A riqueza conduziu à perdição. Por causa do ouro, estanho, coltan – o famoso ouro-azul – e tungsténio, o país sucumbiu. Perante tanta riqueza, a cobiça alimentou grupos armados e rivalidades regionais. Os conflitos abriram caminho às pilhagens, à violência, às populações em fuga. Aos refugiados.

 

Sinais de esperança

A Igreja de Manono é hoje o espelho da região, o retrato do país. Quando D. Vicente chegou, a diocese estava sem bispo há 5 anos. O isolamento e a falta de meios estavam a minar tudo e todos. Era preciso recomeçar. Regenerar a fé e os sentimentos da vocação sacerdotal nos padres. Hoje, aos poucos, há sinais de esperança. Em Setembro foram ordenados dois diáconos e dois sacerdotes. Mas é longo e penoso o caminho ainda por percorrer. O Bispo é uma pessoa afável, simpática e humilde. Muito humilde. A sua casa reflecte bem o estado a que chegou a região. O telhado está quase a cair e a capela encontra-se num estado lamentável. “O que eu posso fazer? Não posso arranjar a minha casa enquanto o meu padre na paróquia de Piana vive em condições bem piores…”

 

“Peço-vos que rezem…”

Reconstruir é a palavra de ordem. Na diocese de Manono, a ajuda prestada através dos benfeitores e amigos da Fundação AIS tem feito toda a diferença. É preciso e urgente ajudar o bispo D. Vicente a reconstruir as igrejas e capelas, a fazer renascer das ruínas os seminários e enchê-los de jovens. É preciso ajudar os padres e as irmãs de Manono e de todas as dioceses do país no trabalho de promoção social, para que a Igreja continue na sua missão de levar a paz e a reconciliação a todos os cantos da diocese, a todas as aldeias do país. É fundamental que continuemos todos a ter presente, nas nossas orações, as necessidades da igreja deste país africano. Os pedidos de ajuda do bispo D. Vicente trazem à memória as palavras do Arcebispo de Bukavu, que visitou o nosso país em 2013, a convite da Fundação AIS. “Peço-vos que rezem pelo Congo”, disse então D. François-Xavier Rusengo.“Precisamos das vossas orações e não se esqueçam que se Deus escuta as orações de todos, muito mais escutará as dos portugueses pela intercessão da Virgem de Fátima”.

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