Lisboa |
Cardeal-Patriarca inaugura Centro Pastoral do Murtal, na Parede
“Para que o Evangelho continue vivo”
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Há quase 50 anos que a comunidade do Murtal, na Paróquia da Parede, celebrava a Eucaristia num pré-fabricado. O novo Centro Pastoral do Murtal, onde está situada a Igreja do Bom Pastor, foi benzido pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa e “está agora ao serviço da Igreja e da comunidade”, segundo referiu o pároco, padre Morgadinho.

 

“Se edifícios como estes se levantam é para vos edificardes a vós, no conhecimento de Deus, no louvor do Pai e no serviço dos irmãos”, salientou o Cardeal-Patriarca de Lisboa na bênção da nova Igreja do Bom Pastor, no Centro Pastoral do Murtal, da Paróquia da Parede, em Cascais. “Estas coisas acontecem se as pessoas angariam fundos, se conseguem apoios das entidades oficiais, para que nós nos reunamos e tenhais aqui um sítio para ouvir a Palavra de Deus, para crescer com Cristo através do conhecimento de Deus. Está aqui: louvar a Deus, servindo os irmãos”, acrescentou D. Manuel Clemente, na celebração do passado Domingo, 12 de fevereiro.

O novo templo é um sonho antigo da comunidade do Murtal, que durante muitos anos celebrou a Eucaristia num pré-fabricado. “Temos agora este edifício, talvez amanhã consigamos ter mais, mas o que importa é o que já está: a presença de Jesus Cristo, o seu Evangelho, a vida de todos, como Deus nos ensina e agora, pelo seu Espírito, nas comunidades cristãs, nas famílias cristãs, continua a crescer no mundo”, destacou o Cardeal-Patriarca, sublinhando que “o culto a Deus deve ser praticado em espírito e em verdade”. “E isso não tem lugar, é nos lugares todos: é nas nossas casas, é em qualquer lugar, é perto, é longe, é nas igrejas esplendorosas que temos, é nas construções mais simples como esta em que estamos agora reunidos, é onde for”, lembrou D. Manuel Clemente aos muitos fiéis que encheram a pequena Igreja do Bom Pastor.

 

Pré-fabricado há… 45 anos

Estávamos em março de 2004 quando a Paróquia da Parede pediu ajuda ao então Cardeal-Patriarca D. José Policarpo para a construção de uma igreja no Murtal. Foi durante a Visita Pastoral a esta paróquia da Vigararia de Cascais, num encontro do Cardeal-Patriarca com os agentes de pastoral. O pároco da altura, padre José Baptista da Silva, confessou nesse encontro de há quase 13 anos que a igreja do Murtal “é pré-fabricada, tem já 31 anos, pelo que não oferece segurança”. D. José Policarpo começou por lembrar que, “há mais de vinte anos, quando era Bispo Auxiliar, a nova igreja já era uma prioridade”, e deixou a promessa que toda a comunidade paroquial ansiava: “Havemos de inaugurar a igreja do Murtal”.

Esse dia chegou, a 12 de fevereiro de 2017, com o atual pároco, padre Octávio Gil Morgadinho, a referir que, hoje, a comunidade celebra “especialmente a concretização de uma aspiração longamente acalentada pela Paróquia da Parede e pela comunidade do Murtal, em particular”. Na sua intervenção, o padre Morgadinho lembrou também que a Paróquia da Parede celebra este ano o 60º aniversário. “Na altura da criação da paróquia, já o Murtal gozava de uma certa autonomia e acalentava a aspiração de ter um lugar de culto em instalações condignas para a Eucaristia dominical, acolher a catequese e servir de base à animação pastoral, nomeadamente à formação de crianças e jovens, ao acompanhamento das famílias numa zona caracterizada por alguma pobreza”, referiu este sacerdote, de 77 anos, recordando que “a implantação do pré-fabricado no Murtal, em 1972, e as dependências da casa das Irmãs do Bom Pastor foram dando resposta provisória às necessidades mais imediatas e acicatando a aspiração de construir uma igreja própria e, até, um centro comunitário”.

 

Para o serviço

Após vários “projetos ambiciosos”, que tiveram sempre “recursos escassos”, foi no final de 2008 que o então pároco, padre José Batista, informa o padre Morgadinho, na época seu coadjutor, que “o Murtal tinha uma comissão de gente nova para construir a igreja”. Intensificaram-se, então, os contactos com a Câmara Municipal de Cascais, “visando o apoio para a vertente social do projeto” e o “patrocínio de uma sede de escuteiros”. A 12 de julho de 2009 foi lançada a primeira pedra e menos de oito anos depois o espaço foi benzido. “Além da Igreja do Bom Pastor, o novo Centro Pastoral do Murtal tem ainda diversos espaços polivalentes para a formação das crianças e dos jovens – para a catequese e para o seu desenvolvimento humano como cidadãos – e para a intervenção social e cultural”, apontou o pároco da Parede, revelando ainda que “o custo total da obra ultrapassa, neste momento, o milhão e quinhentos mil euros, gastos na preparação do terreno, construção dos edifícios e seu equipamento”. O padre Morgadinho agradeceu “a doação do terreno” e “a contribuição de todos” para a construção do novo Centro Pastoral do Murtal, que “está para o serviço da Igreja e de toda a comunidade”.

João Conde, da comissão desta comunidade, lembrou “as várias décadas” até à concretização da obra. “Estamos felizes por conseguirmos o nosso objetivo de apresentar à comunidade esta obra que foi construída com algumas mais-valias em relação ao projeto inicial e de acordo com o orçamento previsto. Este espaço satisfaz as necessidades atuais da comunidade. Não estará de acordo com o sonho de muitas pessoas de um templo mais rico e de uso exclusivo para o culto. Se houver necessidade e recursos, haverá tempo para isso. Não tirando nada à dignidade de um lugar para honrar e louvar a Deus, ele serve para o serviço do próximo”, apontou este leigo.

 

Reforçar como comunidade

Presente na bênção do novo Centro Pastoral do Murtal, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, salientou “a grande alegria e grande felicidade” daquele momento. “Hoje estamos num dia que alguém sonhou e que porventura, há uns anos atrás, houve até a dúvida se éramos/eram capazes de levar este projeto a bom porto. Mas quanto maior for o obstáculo, maior tem de ser a nossa determinação. Determinação que só vem se tivermos a capacidade de cada vez nos reforçarmos mais como comunidade”, frisou o autarca.

No final da celebração, antes de descerrar, com o pároco, a placa comemorativa, o Cardeal-Patriarca agradeceu “todos os donativos” para a construção da obra e “os esforços das entidades oficiais, em particular a Câmara Municipal de Cascais”. D. Manuel Clemente deu ainda os parabéns “a todos os que contribuíram para que esta altura chegasse, para que estas paredes se aguentassem, para que o Evangelho continue assim, tão vivo no Murtal, nesta Paróquia da Parede”.

 

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Escuteiros desafiados ao serviço e ao bem

Ar livre e serviço. São estes os dois pilares do escutismo, segundo referiu o Cardeal-Patriarca de Lisboa num encontro com os dois agrupamentos de escuteiros da Paróquia da Parede (agrupamentos 71 - Parede e 1240 - Murtal). Na tarde do passado Domingo, 12 de fevereiro, na sede do Agrupamento 71 – que tal como a paróquia cumpre este ano o 60º aniversário –, D. Manuel Clemente sublinhou que estes pilares aplicam-se “concretamente à última seção dos escuteiros, os Caminheiros, mas também a todas as outras três secções”, os Lobitos, os Exploradores e os Pioneiros. Assumindo que o escutismo teve “alguma influência” na sua caminhada vocacional, o Cardeal-Patriarca contou que, com 14-15 anos, leu “uma banda desenhada – ou história aos quadradinhos, como se dizia antigamente – com a história de vida do Baden Powell”. “Fiquei encantando por aquilo”, recordou D. Manuel Clemente, lembrando-se que nos anos 60 não descansou enquanto não fundou um agrupamento de escuteiros na sua terra, Torres Vedras. Aos escutas, pediu para “participarem ativamente na vida das paróquias”. “Dos escuteiros, espero que se possa dizer que deixaram o mundo um pouco melhor do que o encontraram”, apelou.

Antigo escuteiro, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, esteve também presente neste encontro, tendo destacado a importância do escutismo para as suas atuais funções. “O que aprendi nos escuteiros, que hoje me é muito útil como presidente de câmara e como católico, foi um conjunto de valores e princípios que depois tentamos praticar e que, acredito, influenciam positivamente a vida de muitas pessoas”, apontou o autarca, referindo ainda a importância de “dois homens especiais”: Baden Powell, “que teve a visão de fundar os escuteiros”, e São João Bosco, fundador dos Salesianos, “um padre italiano que era professor de uma família rica e abdicou de tudo para ir dar aulas a crianças pobres”. “Os valores que vocês têm nos escuteiros podem ser usados para o bem ou para o mal. Está na vossa cabeça e no vosso coração a forma como descobrem esse bem”, terminou Carlos Carreiras, que pertence a uma Equipa de Casais do movimento das Equipas de Nossa Senhora.

 

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No dia que passou na Paróquia da Parede, o Cardeal-Patriarca deu posse ao Conselho Pastoral. Na tarde do dia 12 de fevereiro, no salão do Centro Comunitário, D. Manuel Clemente tomou ainda conhecimento da realidade sócio-caritativa desta paróquia da Vigararia de Cascais.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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