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Ufanar da abundância da graça de Deus
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O Papa Francisco convidou os cristãos a regozijarem-se “da abundância da graça de Deus” que recebem “em Cristo”. Na semana em que elogiou uma vítima de abusos sexuais, o Papa pediu para não se insultar, falou da saúde e de corrupção.

 

1. O Papa garantiu que “a esperança cristã não dececiona”. “Apesar de aprendermos desde criança que não devemos nos ufanar daquilo que temos e somos, São Paulo, na Carta aos Romanos, convida a nos ufanarmos da abundância da graça de Deus que recebemos em Cristo. Isso significa aprender a ver todos os acontecimentos à luz do desígnio divino de salvação, levado à plenitude em Jesus. Quando acolhemos com gratidão essa manifestação do amor de Deus, experimentamos uma paz que se estende a todas as dimensões da nossa vida. O Apóstolo nos convida também a nos ufanarmos das nossas tribulações. Trata-se de algo mais difícil. Contudo, devemos pensar que a paz que Deus nos oferece não significa ausência de dificuldades e sofrimentos, mas é um dom que nasce da experiência de sabermos que somos amados por Ele, que sempre nos acompanha e nunca nos abandona. Isso faz com que sejamos pacientes nas tribulações, pois a misericórdia de Deus é maior do que tudo. Por isso, a esperança cristã não dececiona, pois tem por fundamento o amor de Deus e por garantia o Espírito Santo”, salientou Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 15 de fevereiro, na catequese sobre a esperança.

 

2. O Papa Francisco escreveu o prefácio de um livro escrito por uma vítima de abusos sexuais, agradecendo ao autor ter contribuído para deitar abaixo um “muro de silêncio” na Igreja, abrindo assim caminho para a cura e para a “reconciliação” e para que os pedófilos compreendam as “terríveis consequências das suas ações”. Daniel Pittet foi abusado ao longo de quatro anos por um religioso em França e, passadas décadas, escreveu sobre o assunto num livro chamado ‘Padre, eu te perdoo’. No prefácio do livro, publicado pelo jornal italiano ‘La Stampa’, no dia 13 de fevereiro, Francisco não poupa adjetivos na sua condenação aos abusos. “É uma absoluta monstruosidade, um pecado horrível, radicalmente contra tudo o que Cristo nos ensinou”, escreveu.

O Papa chega mesmo ao ponto de dizer que as mortes daqueles que, tendo sido abusados, acabam por se suicidar, pesam na consciência da Igreja. “Como é que um padre ao serviço de Cristo e da sua Igreja pode infligir tanto mal? Como é que alguém que dedicou toda a sua vida para conduzir as crianças até Deus acabar, ao invés, por devorá-las naquilo a que chamei um ‘sacrifício diabólico’ que destrói tanto a vítima como a vida da Igreja? Algumas das vítimas acabam por se suicidar. Estas mortes pesam no coração e na consciência, minha e de toda a Igreja. Às suas famílias ofereço os meus sentimentos de amor e de dor e peço, humildemente, perdão”, escreveu ainda Francisco.

O Papa recorda também um documento emitido pelo Vaticano, em junho de 2016, e reafirma o compromisso da Igreja de agir de forma muito rigorosa não só contra os padres que tenham abusado de pessoas, como dos seus superiores que tenham encoberto as situações. Segundo o Papa, foi o facto de Daniel Pittet ter mantido uma vida interior de oração que permitiu que mantivesse a fé, levando-o a procurar o homem que tinha abusado dele para o perdoar. O livro de Pittet termina precisamente com uma curta entrevista ao abusador.

 

3. Insultar é o mesmo que matar o outro no coração, referiu o Papa, na oração do Angelus, no passado Domingo, 12 de fevereiro, em Roma, explicando que há homicídios efetivos, mas que há outras atitudes e comportamentos do homem igualmente graves, como o adultério e os falsos juramentos. “Estamos habituados a insultar. É como dizer ‘bom dia’. Isto está ao mesmo nível do homicídio. Quem insulta o seu irmão, mata-o no coração. Por favor, não insultem”, pediu, resumindo no final: “Não insultar, não ver com um olhar errado, com um olhar de posse, a mulher do próximo e não jurar. Três coisas que Jesus disse. É tão fácil”.

 

4. O Papa Francisco recebeu em audiência cerca de 300 participantes no encontro promovido pela Comissão Caridade e Saúde da Conferência Episcopal Italiana, enaltecendo os progressos neste campo. “Certamente, a pesquisa científica registou avanços e estamos agradecidos pelos preciosos resultados obtidos para curar, se não mesmo derrotar, algumas patologias. Espero que o mesmo empenho seja assegurado para as doenças raras e negligenciadas, a que nem sempre é dada a devida atenção, com o risco de dar origem a ulteriores sofrimentos”, lembrou.

Neste encontro no Vaticano, na manhã de sexta-feira, dia 10, no âmbito dos 25 anos do Dia Mundial do Doente (que se assinalava no dia seguinte, 11 de fevereiro), o Papa elogiou ainda os muitos profissionais da saúde que, com conhecimento e consciência, vivem o seu trabalho como uma missão participando, assim, do amor efusivo de Deus Criador, e também os voluntários que, com generosidade e competência, tudo fazem para aliviar e humanizar os longos e difíceis dias de tantos doentes e idosos solitários, sobretudo pobres e indigentes.

De acordo com Francisco, o Dia Mundial do Doente, além da promoção da cultura da vida, pretende “envolver as dioceses, as comunidades cristãs e as famílias religiosas na importância da pastoral da saúde, pois existem muitos doentes nos hospitais mas também nas casas, que vivem na solidão”.

 

5. “Há corrupção no Vaticano. Mas eu vivo em paz”, disse o Papa, ao responder a algumas perguntas de superiores de ordens religiosas e congregações, num encontro que decorreu a 25 de novembro mas cuja transcrição só agora será publicada na revista ‘Civiltà Católica’ e que foi dada a conhecer pelo diário ‘Corriere della Sera’. Neste encontro, Francisco explicou que para viver em paz é necessário um certo desprendimento mas “nunca lavar as mãos dos problemas”, pois “se na Igreja há muitos Pôncio Pilatos que lavam as mãos para estar tranquilos e um superior lava daí as mãos, não é pai e não ajuda”.

O Papa assume que não se importa com críticas. “A vida está cheia de incompreensões e tensões e, quando são críticas que servem para crescer, aceito-as, respondo”. “Não tomo tranquilizantes”, gracejou Francisco, que assegurou que em Buenos Aires era “mais ansioso”, mas que depois de ser escolhido sentiu uma paz interior que ainda hoje o acompanha.

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