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Os heróis que levam o Evangelho ao coração do Amazonas, no Brasil
Saudades da Missa
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São dias e dias para se chegar a cada aldeia, a cada casa. São viagens enormes e perigosas em velhos barcos de madeira, nas únicas “estradas” na selva da Amazónia. A Diocese de Tefé, por exemplo, tem quase três vezes o tamanho de Portugal, mas por lá vive apenas o equivalente a metade da população do concelho de Sintra… Chegar a todos eles é muito difícil. No Brasil, há padres e irmãs que são verdadeiros heróis…

 

Provavelmente, D. Fernando Barbosa dos Santos nunca mais irá esquecer quando, há três anos, ao meio-dia de 14 de Maio, atendeu no seu telemóvel uma chamada do núncio apostólico no Brasil, Giovanni d’Aniello. “Lembro-me como se fosse hoje. O núncio ligou comunicando que o Santo Padre me tinha nomeado para Tefé. Foi um susto. Não esperava uma nomeação de tanta responsabilidade. Eu nem sabia bem onde ficava Tefé…”

Hoje, D. Fernando, que pertence à congregação dos Padres Lazaristas, é o primeiro bispo não espiritano à frente desta enorme diocese encravada no meio do Amazonas, onde a densidade da floresta é apenas um dos muitos obstáculos que a Igreja tem de defrontar. Vista da Europa, vista daqui, desde Portugal, a dimensão desta diocese parece impensável. Mas basta olhar com mais atenção para se compreenderem as dificuldades imensas que sacerdotes e irmãs têm de superar para chegarem a cada comunidade, a cada casa, a cada cristão. O Bispo de Tefé conta com a colaboração de 22 padres mais um punhado de irmãs e diáconos. Muitas vezes, têm de fazer viagens de 100 horas apenas para celebrarem a Missa. Quase cinco dias. A viagem é um suplício, mas é impensável deixar aquelas populações sem a palavra de Deus.

 

Absoluta pobreza

A Paróquia de São Benedito, em Itamarati, por exemplo, tem um dos índices de desenvolvimento humano mais baixos de todo o Brasil. Calcula-se que cerca de 90 % das crianças vivam na mais absoluta pobreza. Mas a viagem até lá, em velhos barcos de madeira, custa também uma verdadeira fortuna só em combustível. São muitas centenas de euros. E depois, o perigo espreita em todo o lado. O rio é muitas vezes traiçoeiro. As correntes são imensas, as tempestades comuns e o risco de o barco se avariar é uma constante. Como se não bastasse tudo isso, ao longo da viagem os telemóveis estão sempre silenciosos. É uma viagem de todos os perigos. É mesmo uma viagem sem rede. A diocese é conhecida como o Coração do Amazonas, pois está situada no centro geográfico do estado. E que estado… Com a dimensão equivalente a quase três vezes o tamanho de Portugal, por lá vive o equivalente a pouco mais de metade da população do concelho de Sintra. Apenas. Uma densidade demográfica de menos de 1 habitante por quilómetro quadrado.

 

O senhor João

Cada paróquia tem dezenas de pequenas comunidades que precisam de ser visitadas. Uma delas, a paróquia da Missão, por exemplo, tem 62 comunidades ribeirinhas e apenas um sacerdote. Chegar até lá é sempre um trabalho difícil, esgotante, árduo mesmo. Mas tudo isso fica para trás quando o objectivo da viagem é levar o sorriso de Deus a todas aquelas pessoas que estão como que entrincheiradas no meio do verde da selva. As casas são ilhas de madeira no meio da floresta e o simples anúncio da vinda de um padre é logo sinal de festa. É o sinal da visita de um amigo precioso. D. Fernando Barbosa dos Santos sabe bem como cada uma destas visitas é essencial. Um destes dias, quando um dos seus sacerdotes foi até à paróquia da Missão, reencontrou-se com um dos mais velhos habitantes da zona. O senhor João, de 92 anos. Mal chegou o padre, depois da bênção, o senhor João não resistiu e começou a chorar. O padre perguntou-lhe a razão daquelas lágrimas. A resposta foi imediata e justificou as horas imensas da viagem, os perigos e canseiras. Tudo. “Estou com saudades da Missa.” A maior parte destas pessoas que vivem nas margens destes rios de água escura, só recebem a visita de um sacerdote ou de alguma irmã uma ou duas vezes por ano. Os velhos barcos de madeira têm sido, até agora, o único meio de transporte possível. Com eles, as viagens são caras, pois gastam muito combustível, e perigosas. Para ajudar este trabalho missionário, a Fundação AIS decidiu doar, para a Igreja de Tefé, graças à generosidade dos seus benfeitores e amigos, quatro barcos em alumínio, mais velozes e económicos, e, acima de tudo, mais seguros. Para que ninguém tenha saudades da Missa…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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