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Papa: “Crise de refugiados é a maior tragédia desde a II Guerra Mundial”
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O Papa Francisco voltou a lembrar os refugiados. Na semana em que se dirigiu aos jovens, o Papa pediu perdão pelo envolvimento católico no genocídio do Ruanda, convidou a um “grande aplauso” para os pais e aconselhou os confessores.

 

1. O Papa Francisco referiu-se à crise dos refugiados como uma das maiores tragédias desde a II Guerra Mundial. Foi no final da audiência-geral de quarta-feira, em Roma, dirigindo-se aos membros da Fundação Migrantes, que estão na capital italiana para um encontro. “Encorajo-vos a prosseguir com empenho o acolhimento e a hospitalidade aos refugiados e aos migrantes, promovendo a sua integração, tendo em conta os direitos e deveres recíprocos de quem acolhe e de quem é acolhido. Não nos esqueçamos que o problema atual de refugiados e migrantes é a maior tragédia depois da II Guerra Mundial”, alertou.

Na saudação em português, o Papa convidou também à disponibilidade. “Queridos amigos, somos chamados a estar sempre disponíveis aos outros, com um sorriso ou uma mão estendida para quem está em dificuldade, tornando-nos assim verdadeiros semeadores de esperança”, exortou Francisco.

 

2. O Papa Francisco enviou uma mensagem aos jovens, desafiando-os a deixar a sua marca no mundo e na Igreja, dando como exemplo Virgem Maria. “Como a jovem de Nazaré, vocês podem melhorar o mundo, para deixar um sinal que marque a história”, refere, numa mensagem vídeo, a respeito da celebração da próxima Jornada Mundial da Juventude, que este ano acontece a nível diocesano, no dia 9 de abril (Domingo de Ramos). Francisco disse aos jovens que a Igreja e a sociedade “precisam deles”, da sua “coragem”, dos seus “sonhos e ideais”, para derrubar os “muros” de quem está imóvel. “[Vocês] abrem caminhos que nos levam para um mundo melhor, mais justo, menos cruel e mais humano”, referiu, convidando ainda os jovens católicos a cultivarem uma relação de “familiaridade e amizade” com a Virgem Maria, “como uma mãe”.

Na mensagem escrita para esta celebração da Jornada Mundial da Juventude, este ano com o tema ‘O Todo-poderoso fez em Mim maravilhas’, o Papa sublinha que a Virgem Maria não é uma “jovem-sofá”, mas deixa-se desafiar por Deus, porque a fé é o “coração” da sua história. “O seu cântico [Magnificat] ajuda-nos a compreender a misericórdia do Senhor como motor da história, tanto a história pessoal de cada um de nós como a da humanidade inteira”, escreveu Francisco.

 

3. Ao receber em audiência o presidente do Ruanda, Paul Kagame, o Papa abordou o genocídio dos tutsi, em 1994. “O Papa manifestou a sua profunda dor, a da Santa Sé e a da Igreja pelo genocídio contra os tutsi”, refere um comunicado, divulgado pelo Vaticano depois do encontro. Francisco manifestou solidariedade às vítimas e a todos os que continuam a sofrer as consequências dos “acontecimentos trágicos” no país africano. “Na linha do gesto levado a cabo por São João Paulo II durante o Grande Jubileu do ano 2000, [o Papa] renovou o pedido de perdão a Deus pelos pecados e faltas da Igreja e dos seus membros, entre os quais sacerdotes, religiosos e religiosas que cederam ao ódio e à violência, atraiçoando a sua missão evangélica”, refere a nota oficial.

O Papa manifestou ainda a esperança de que este “humilde” reconhecimento das falhas cometidas, “que desfiguraram o rosto da Igreja”, possam ajudar a “purificar a memória” e promover “um futuro de paz” no Ruanda.

 

4. O Papa Francisco pediu, no passado Domingo, 19 de março, um “grande aplauso” para todos os pais, numa referência ao dia de São José como exemplo de pai e de trabalhador. Na oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Francisco lembrou também os que mais sofrem, em particular a situação do Peru, país onde as inundações afetam metade do território do país e já mataram mais de 70 pessoas. “Quero assegurar a minha proximidade à querida população do Peru, duramente atingida por inundações devastadoras. Rezo pelas vítimas e pelos que se empenham em socorrê-los”, afirmou o Papa.

O Papa aludiu ainda a Josef Mayr-Nusser, que tinha sido beatificado na véspera. Falecido em 1945, com apenas 35 anos, Josef foi representante da Ação Católica de Itália. “Morreu mártir porque se recusou a aderir ao nazismo por fidelidade ao Evangelho. Pela sua grande estatura moral e espiritual ele constitui um modelo para todos os fiéis leigos, especialmente para os pais, que hoje recordamos com gente afeto”, referiu.

Também no sábado, o Vaticano anunciou que o Papa Francisco vai visitar o Egipto, nos dias 28 e 29 de abril, numa viagem que visa o reforço do diálogo com o islão. Será a primeira deslocação de Francisco ao estrangeiro em 2017, antecedendo a visita a Fátima, para as celebrações do Centenário das Aparições.

 

5. A confissão é “uma prioridade pastoral”, salientou o Papa Francisco, no passado dia 17 de março, aos participantes de um curso de formação de confessores. Francisco começou por elencar os três aspetos de um bom confessor: em primeiro lugar, ser “um verdadeiro amigo de Cristo, Bom Pastor”; em segundo, ser “um homem do Espírito, um homem de discernimento”; em terceiro lugar, fazer do confessionário um lugar de evangelização. “Ser amigo de Jesus significa cultivar uma vida de oração, seja uma oração pessoal com o Senhor, pedindo sempre o dom da caridade pastoral; seja uma oração específica para o exercício da tarefa de confessor”, frisou Francisco, salientando que a oração é necessária para que o padre-confessor seja um reflexo da misericórdia de Deus. “Um confessor que reza sabe bem que ele próprio é o primeiro pecador e o primeiro perdoado. Não se pode perdoar no sacramento sem a consciência de ter sido perdoado primeiro. E a oração é a primeira garantia para evitar qualquer perigo de dureza de coração, que inutilmente julga o pecador e não o pecado”, acrescentou o Papa.

Francisco disse mesmo aos padres reunidos na Sala Paulo VI que não devem hesitar em recorrer às ciências humanas e aos exorcistas diocesanos quando se defrontarem com casos de distúrbios espirituais. “Quando o confessor esteja certo da existência de verdadeiros distúrbios espirituais – que podem também ser psicológicos e devem ser verificados com uma colaboração saudável com as ciências humanas – não deve hesitar em recorrer àqueles que, nas dioceses, são responsáveis por esse necessário e delicado ministério, ou seja aos exorcistas”, aconselhou o Papa.

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