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Os Cristãos da Nigéria pedem-nos ajuda nesta Quaresma
Lágrimas de sangue
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Na próxima sexta-feira faz exactamente três anos que 276 raparigas foram sequestradas de uma escola em Chibok. Desconhece-se ainda o paradeiro da maior parte destas jovens cristãs vítimas do terrorismo islâmico neste país. Milhares de pessoas já morreram, milhões foram forçadas a fugir. Na Nigéria, muitas pessoas têm histórias trágicas para contar. Como John Abba.

 

Dois meses e dez dias. Durante todo este tempo, John Abba esteve cego. Durante todo este tempo, foi-se mentalizando que a vida nunca mais seria igual, que estaria para sempre fechado numa espécie de noite escura, aprisionado num mundo sem luz nem cores. A última imagem que guardou e que recordou vezes sem conta durante esses setenta dias foi o padre a erguer a hóstia e a dizer: “Este é o Cordeiro de Deus…”. Depois, houve o barulho terrível de uma explosão, a que se seguiu um clarão e uma nuvem de pó. Mais nada. Abba foi projectado e caiu inanimado no chão da igreja. O atentado contra a Igreja de Santa Rita, no estado de Kaduna, no norte da Nigéria, ainda hoje é recordado como uma infâmia maior cometida contra a comunidade cristã neste massacrado país africano. Foi em Outubro de 2012. Já passaram mais de quatro anos, mas para todos os que estavam na igreja naquela manhã o tempo parece que parou. É como se todos os dias se repetisse o som tremendo do carro, conduzido por um terrorista do Boko Haram, a galgar as barreiras de segurança colocadas no exterior do edifício, a atravessar a porta, esmagando os fiéis que assistiam à Missa. Oito pessoas morreram no instante em que o carro, carregado de dinamite, explodiu. Muitas dezenas de fiéis ficaram gravemente feridos. A princípio, quando os primeiros socorristas chegaram junto de John Abba, julgaram que ele estava morto, esvaindo-se em sangue. Não morreu, mas durante dois meses e dez dias, esteve completamente cego. “Não podia ver absolutamente nada. Os médicos disseram-me que o meu caso não tinha qualquer solução… Tinha de me conformar.”

 

Dia 14 de Abril

Apesar do cepticismo dos médicos, John sabia, no seu íntimo, que poderia confiar em Deus. E nunca desistiu. Nunca deixou de rezar. John Abba foi operado três vezes. No final, quando já ninguém acreditava que isso seria possível, recuperou parte da visão. Se a história de John Abba acabou por ter um final menos trágico, que dizer dos pais das quase três centenas de raparigas, estudantes de uma escola em Chibok, quase todas cristãs, que foram sequestradas por homens armados do Boko Haram? Como é que se sobrevive a isso? Foi no dia 14 de Abril de 2014. Vai fazer na próxima sexta-feira três anos. Desde então continua a desconhecer-se o paradeiro da maior parte destas adolescentes. Muitas poderão já ter morrido, algumas terão sido violentadas, forçadas a casar com os terroristas. Outras engravidaram. Para os pais destas raparigas, o dia 14 de Abril de 2014 foi também uma noite escura que os aprisionou para sempre, deixando-os num mundo sem luz nem cores. Num mundo para sempre triste e cheio de lágrimas.

John Abba ou as raparigas de Chibok são apenas algumas das vítimas do reino de terror do grupo terrorista Boko Haram que, desde 2009, sequestrou a região norte da Nigéria, assim como alguns dos países limítrofes, procurando implantar aí um “califado” gerido pelas regras mais estritas da lei islâmica. A situação é tão grave que as próprias Nações Unidas consideram que esta região é cenário da “maior crise” humanitária de todo o continente africano, afectando mais de 7 milhões de pessoas. Em resultado dos actos terroristas do Boko Haram, já perderam a vida cerca de vinte mil pessoas e quase três milhões foram forçadas a fugir de suas casas.

 

Desafiar o medo

A Nigéria é um dos países que está na linha da frente das preocupações da Fundação AIS. Nesta Quaresma, a Ajuda à Igreja que Sofre lançou mesmo uma enorme campanha de solidariedade para com o continente africano, sendo que a Nigéria, a par de países como o Sudão, Sudão do Sul, Benim ou Zâmbia, são apoiados através de projectos financiados graças à generosidade dos benfeitores e amigos da AIS. Ao todo, são mais de 18 mil projectos. Cada um representa uma ajuda preciosa para dezenas, centenas de pessoas. As histórias de John Abba, assim como das raparigas sequestradas do colégio em Chibok, justificam todo o apoio que a Fundação AIS procura fazer chegar a este país africano. São rostos concretos de pessoas de carne e osso como nós. São rostos concretos de cristãos que, apesar das ameaças, apesar do terrorismo e de toda a violência, continuam a assumir a sua fé, continuam a ir à Missa, continuam a desafiar o medo. Na Nigéria, os Cristãos estão na mira das armas dos terroristas islâmicos. Na Nigéria, desde 2009, os Cristãos vivem num permanente sobressalto. Milhares de famílias choram todos os dias os seus entes-queridos. São lágrimas de sangue. Os Cristãos da Nigéria pedem-nos ajuda, pedem as nossas orações. Precisam de nós. Precisam de si. Vamos ajudá-los nesta Quaresma?

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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