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À procura da Palavra
A voz e a porta
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DOMINGO IV DE PÁSCOA Ano A

“Caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no,

porque conhecem a sua voz.”

Jo 10, 10


Talvez nos incomode, hoje, a imagem do pastor, associada facilmente ao seguidismo e alienação do rebanho. É um facto que nos incomoda “ser tratados como rebanho”, mas não assistimos a isso nos populismos extremistas, no controle das redes sociais (de que a parábola cinematográfica “O Círculo” com Tom Hanks e Emma Watson pode ser um aviso), ou até no mortífero “jogo da baleia azul” que se tem difundido na internet? Claro que estão subjacentes as escolhas pessoais, mas como é manipulada a aparente liberdade das nossas escolhas?

Jesus escolheu a imagem do pastor, a partir da ressonância bíblica que sempre identificou Deus como “pastor de Israel”, para sublinhar as suas atitudes: conhecer pelo nome as suas ovelhas, dar por elas a vida, conduzi-las a prados verdejantes, reuni-las, ir à procura das que se perderam. A aparente passividade das ovelhas nasce da confiança de conhecerem a voz do pastor. E não é pela voz que começamos a conhecer aqueles que nos amam, antes até de nascermos? A voz que revela o mais íntimo das pessoas e do próprio Deus; que nos fraqueia a porta da alma de quem nos chama, e entra na nossa porque sentimos que nos conhece e quer bem. Pois é, entramos pela porta, e essa foi outra imagem oferecida por Jesus!

Ao dizer “Eu sou a porta” e apontar o movimento de “entrar e sair”, Jesus manifesta o desejo de que as suas “ovelhas tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). As aparentes liberdades que recriam muralhas para proteger uns e excluir outros, que oferecem o saber tudo a troco da perda de privacidade e da escravidão de “estar sempre ligado”, e até manipulam desafios de autodestruição, são “morte em abundância”. É esse o ofício dos ladrões, mesmo nas palavras de Jesus: “roubar, matar e destruir.” “Entrar e sair” por Jesus é o movimento da vida cristã: entrar na felicidade do encontro com Deus e sair para a viver no mundo. Ter “vida em abundância” não é prémio nem posse para uns privilegiados ou especialmente “santinhos”: pois só se tem, dando; só se vive, sendo, vida abundante (que vem de Deus) para todos os outros!

A poucos dias da “visita relâmpago” do Papa Francisco a Fátima, folheio o livro “Papa Francisco: A Revolução Imparável” de António Marujo e Joaquim Franco. Da surpresa inicial da sua eleição à surpresa constante da sua voz nas homilias em Santa Marta, também tenho esperança nesta “revolução imparável”. É admirável o dedicado trabalho dos autores de sintetizar a voz e os gestos do Papa Francisco para nos sintonizar com esta revolução. Ela, “a fazer-se, não se limitará à vontade e à capacidade de um só – mesmo que esse homem seja o Papa” (p. 17), mas “abrir portas” é um método que nos compromete a todos. Não sentimos nele a voz que nos conhece (e por isso fala de coisas que todos entendem!) e conhece como o amor de Deus nos faz mais felizes? Não o vemos como “porta” (verdadeiramente aberta e a abrir-nos aos outros) que guia ao coração de Jesus? Que vozes e que portas afinal nos levam, como rebanho, ao seguidismo e à alienação?

 

P. Vítor Gonçalves
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