Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
“Temos Mãe”
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A homilia do Papa Francisco na celebração da Eucaristia com o rito de canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto, no Santuário de Fátima, a 13 de maio, ficou marcada pela afirmação: “Temos Mãe, temos Mãe”. Francisco recorda-nos esta Mãe que nos é deixada pelo próprio Filho, Jesus, quando, na Cruz, a entrega ao discípulo João (Jo 19, 26-27). É a mesma Mãe que os pastorinhos tinham visto, mas que tantos outros não viram e ainda hoje não veem, apesar da sua procura. É neste sentido que o Papa Francisco deixa uma interpelação: “A Virgem Mãe não veio aqui, para que a víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o Céu”. Então, porque vamos a Fátima? Poderemos perguntar...

Na homilia, o Papa que veio de longe e que se assume nitidamente mariano, explica-nos que Maria, quando se dirige aos pastorinhos, antevê e adverte “para o risco do Inferno onde leva a vida sem Deus e profanando Deus nas suas criaturas e lembra-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre”. Esta Luz de Deus era luz que irradiava de Nossa Senhora e, por isso mesmo, observa Francisco, “Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, ‘mostrai-nos Jesus’”.

Uma vez mais, o Papa Francisco recorda-nos que a Mãe não se sobrepõe ao Filho. Pelo contrário, a Mãe conduz-nos ao Filho. Se olharmos para a presença, sempre discreta e humilde, de Maria nos Evangelhos, vemos isso mesmo. Maria aponta-nos o Filho. Por isso mesmo, o Papa Bergoglio adverte-nos: “Agarrados a Ela como filho, vivamos da esperança que assenta em Jesus (...). Como uma âncora, fundeemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai. Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último respiro”.

Apontando-nos os novos santos, Francisco e Jacinta Marto, como exemplos daqueles a quem “a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e aí os levou a adorá-Lo”, o Papa Francisco observa que era daqui mesmo “que lhes vinha a força para superar contrariedades e sofrimentos. A presença divina tornou-se constante nas suas vidas como se manifesta claramente na súplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a ‘Jesus Escondido’ no Sacrário”.

É esta presença divina que pode transformar. Foi por esta presença divina na vida de todos que Francisco veio rezar a Fátima, assumindo-se como peregrino entre peregrinos. “Obrigado por me acompanhardes! Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Baptismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”. A todos, Francisco deixa um sinal de esperança lembrando que Deus nos criou “como uma esperança para os outros”. Por isso, alerta: “Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida”.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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