Lisboa |
Obras comemorativas dos 300 anos da qualificação patriarcal de Lisboa
“Uma ideia mais acertada do que é a Igreja de Lisboa”
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“Duas obras fundamentais para as comemorações do tricentenário da qualificação patriarcal de Lisboa”. É desta forma que o Cardeal-Patriarca classifica as obras ‘Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa’ e ‘Subsídios para a História da Igreja em Portugal’, que foram apresentadas recentemente e vão permitir ter “uma ideia mais acertada do que é a Igreja de Lisboa”.

 

São obras que correspondem “a um anseio muito antigo”. “Há quanto tempo eu ouvia vários académicos portugueses pedir que se editasse as pastorais dos Patriarcas. No falecido Prof. Jorge de Macedo, isto era quase um refrão: ‘Publiquem as pastorais dos Patriarcas’. Pois agora, felizmente, estão publicadas as  ‘Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa’ e, juntamente com os ‘Subsídios para a História da Igreja em Portugal’, estamos, agora, muito mais consolidados para sabermos quem somos”, referiu D. Manuel Clemente, na sessão de apresentação dos dois livros, que decorreu na tarde do passado dia 7 de junho, na sacristia da Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Com a publicação destas obras, segundo o Cardeal-Patriarca, agora é possível “ter uma ideia mais acertada do que é a Igreja de Lisboa que, desde há 300 anos, se chama Patriarcado de Lisboa”. “Comemorar uma realidade deste género requer o conhecimento do que ela foi, do que ela foi mais recentemente e do que ela continua a ser. Com estas obras estamos mais apetrechados para nos percebermos enquanto realidade eclesial, social, cultural, nas suas relações com a sociedade, nas suas relações com aquilo que a cultura vai trazendo em cada época. É muito importante sabermos de que base partimos para o futuro que queremos”, salientou D. Manuel Clemente.

 

“Obra notável”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa considerou que os livros ‘Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa’, editado pela Nova Terra, e ‘Subsídios para a História da Igreja em Portugal’, editado pela Alêtheia Editores e patrocinado pelo Cabido da Sé, são por isso “duas obras fundamentais para as comemorações do tricentenário da qualificação patriarcal de Lisboa”. “A coletânea das pastorais dos Patriarcas, em boa hora levada por diante, por uma equipa coordenada pelo Dr. Ricardo Aniceto – a quem tenho de prestar, aqui, claramente, uma homenagem –, é uma obra ingente, porque não se tratou apenas de recolher as pastorais, tratou-se de as editar com todas as regras da edição e da arquivística contemporâneas, que contou com a colaboração de muita gente, em Portugal e em Roma, e noutras partes, na apresentação dos textos e na tradução de alguns. Recomendo, depois, a leitura da ficha editorial para verem como esta edição das pastorais dos Patriarcas de Lisboa, dos 16 Patriarcas que me antecederam, é uma obra notável, na sua execução e realização”, salientou D. Manuel Clemente, a propósito da obra dividida em dois volumes de mais de 800 páginas cada.

Teresa Novo, da Editora Nova Terra, destacou, na apresentação deste livro, que “todos os Patriarcas insistem na urgência do ensino da catequese e do Evangelho”. “Passaram-se 300 anos e chegámos a D. José Policarpo. Já muito perto da viragem do século, que ainda não há muito tempo nos deixou mas que, pela comunicação dos santos, está aqui presente. Também ele sempre preocupado com a ação pastoral e o seu papel na transformação da sociedade”, frisou a editora, sublinhando que ‘Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa’ é “um contributo valiosíssimo para a história de Portugal”.

 

Percorrer toda a história de Portugal

Sobre o livro ‘Subsídios para a História da Igreja em Portugal’, da autoria de Maria Odete Sequeira Martins, com documentos relativos à Igreja portuguesa, com particular incidência da Igreja de Lisboa, o Cardeal-Patriarca considera que é também “uma obra notável, na sua execução e realização”, destacando o “trabalho incansável” da autora, “no Arquivo Nacional e noutros arquivos”.

Na sessão de apresentação, Maria Odete Sequeira Martins referiu que na génese desta obra está um desafio proposto pela presidente da Academia Portuguesa da História, Manuela Mendonça, “veiculando um pedido do Patriarcado de Lisboa”. “Tratava-se de identificar fundos documentais custodiados no Arquivo Nacional Torre do Tombo. Com o senhor cónego Francisco Tito [vigário-geral da diocese], definiu-se o âmbito da pesquisa pretendida: diplomas emanados da Cúria Romana, bulas e breves, mas também pastorais e visitações. Era esta a proposta inicial. Mas, quem se aventura no universo fascinante dos arquivos, sabe bem que as memórias que aí se guardam, porque vivas, nos espreitam continuamente reclamando a nossa atenção”, manifestou. Sobre este “catálogo documental”, com “2278 registos sumariados que percorrem, praticamente, toda a história de Portugal”, a autora revelou que a obra “foi aberta a outras temáticas de natureza diversa”, tais como “a presença nos Concílios, em especial de Trento, o estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício, as notícias da evangelização em África e no Oriente, a extinção da Companhia de Jesus, os compromissos de irmandades e confrarias, os testamentos de Patriarcas de Lisboa, a fundação do seminário de Lisboa, as obras pias, orações, devocionários, a adoção do calendário gregoriano”, entre outros.

Zita Seabra, da Alêtheia Editores, frisou que ‘Subsídios para a História da Igreja em Portugal’ é “um livro importante para a história da Igreja portuguesa”. “Tudo o que se faça para lembrar e para fixar em texto tudo aquilo que é a história portuguesa e da Igreja no seu conjunto é muito importante e muito útil. Desejo, com toda a minha sinceridade, que este livro venha a contribuir para recordar passos fantásticos da Igreja portuguesa e para que nas academias, sobretudo aí, muitos estudantes possam encontrar não textos vazios ou ocos daquilo que é a realidade, mas textos como estes que foram muito importantes trazer à luz do dia”, destacou a editora.

 

História dos Bispos e Arcebispos de Lisboa

Na sessão de apresentação das duas obras, o Cardeal-Patriarca revelou ainda que será publicada uma obra com a história dos Bispos e Arcebispos de Lisboa. “O Doutor Paulo Fontes, do Centro de Estudos de História Religiosa, e o Doutor João Luís Inglês Fontes, estão, atualmente, e já numa fase muito adiantada de edição da história dos Bispos e Arcebispos de Lisboa. É uma obra também muito volumosa, que contou com a colaboração de dezenas de investigadores académicos, de Portugal e não só, que nos vão dar uma resenha muito informada e muito documentada da série de Bispos e Arcebispos conhecidos. Do século IV, portanto de Potâmio de Lisboa, até D. João de Sousa, que foi Arcebispo até 1710, teremos uma apresentação, de muita coisa inédita e muita novidade, sobre o que foi a história dos Bispos e Arcebispos de Lisboa e, através deles, a história de muita outra gente que por aqui passou e construiu esta realidade diocesana”, revelou D. Manuel Clemente, que anunciou, para “dentro em breve”, a requalificação do museu do Patriarcado. “Uma requalificação que está a ser feita e orientada pelo respetivo diretor, padre Bruno Machado, e que tem a contribuição de algumas entidades de referência da sociedade portuguesa, porque é uma obra cara para podermos dispor de todos os meios técnicos que, hoje, permitem uma apresentação dinâmica, a crianças e adultos, daquilo que foi, e continua a ser, a história desta diocese”, resumiu o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

 

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 ‘Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa’

A publicação, dividida em dois volumes, agrupa 241 textos cronologicamente ordenados e organizados pelos produtores. Um capítulo final reúne ainda textos produzidos pelo Cabido, Vigários capitulares e Patriarcas eleitos. Destinada aos agentes de pastoral, fiéis em geral e à comunidade académica, pretende ser um referencial na identificação das grandes problemáticas da história da Igreja lisbonense nestes 300 anos. Possibilita uma leitura diacrónica das grandes temáticas ligadas à transmissão da fé e ao múnus pastoral do Bispo.


‘Subsídios para a História da Igreja em Portugal’

O acervo documental catalogado nesta publicação permite ter conhecimento da variada e abundante documentação da Igreja, guardada na Torre do Tombo. O trabalho da autoria de Maria Odete Sequeira Martins demonstra um conjunto de épocas conturbadas da sociedade portuguesa, ao longo de vários pontificados.

 

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“Uma coletânea datada entre os dias

9 de janeiro de 1717 e 25 de outubro de 2012”

 

No contexto da comemoração dos 300 anos da qualificação patriarcal da diocese, quis o Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, assinalar a efeméride com um conjunto de ações, das quais se destaca aqui a publicação das cartas pastorais dos Patriarcas de Lisboa, seus antecessores. Esta iniciativa visa preencher a lacuna existente, até à data, na publicação de tão importante acervo documental. Trata-se, na verdade, da primeira coleção de documentos episcopais do Patriarcado de Lisboa, depois da edição, em 1748, do famoso Codex Titulorum S. Patriarchalis Ecclesiae Lisbonensis.

Destinada aos agentes de pastoral, aos fiéis em geral e à comunidade académica, esta obra pretende ser um referencial na identificação das principais problemáticas da história da Igreja lisbonense nestes 300 anos, possibilitando uma leitura diacrónica dos grandes temas e anseios ligados à transmissão da fé.

Como nos refere D. Manuel Clemente no prefácio da obra, dispomos “agora dum autêntico itinerário da evangelização feita e a fazer, na relação com a sociedade e a cultura. (…) Da monarquia absoluta à constitucional, da primeira república à atualidade, é sempre esse o tema mais relevante. Pensando e falando à maneira de cada tempo, os Patriarcas retomam-no insistentemente, assim mesmo assinalando o que faltava e indicando o que urgia”.

A definição do termo «carta pastoral» não é simples e os escritos de teor pastoral constituem uma fonte importante do magistério episcopal e têm como finalidade a orientação e formação da consciência dos fiéis nos assuntos da fé e da moral e a organização da diocese em termos pastorais e de evangelização, mas também administrativamente.

Fruto do munus docendi dos prelados lisbonenses, este corpo documental agrupa 241 textos, cronologicamente ordenados e organizados pelos produtores, a que se associou uma grelha de aparato crítico e suporte científico, além de quatro índices: sumários dos documentos, antroponímico, toponímico e de assuntos. Um capítulo final reúne os escritos emitidos pelo cabido, vigários capitulares e patriarca eleito, nos períodos de sede vacante ou sede plena. Estamos, portanto, perante uma coletânea datada entre os dias 9 de janeiro de 1717 e 25 de outubro de 2012.

Esta antologia começou a ser preparada a partir de uma coleção conservada no Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa. Procedeu-se à sua organização cronológica, numeração e elaboração dos sumários. Além disso, o tratamento bibliográfico do material conservado na cúria diocesana originou uma perceção exata do conjunto documental existente. Foi ainda forçosa uma incursão em arquivos diocesanos, paroquiais, bem como em organismos públicos e privados.

Procurou-se, assim, fornecer e operacionalizar os suportes doutrinais dos Patriarcas de Lisboa, que se encontram largamente por estudar e merecem a maior atenção por parte dos investigadores.

Em ambiente de receção sinodal, concluiremos que o sonho missionário de chegar a todos foi tónica recorrente do discurso episcopal.

 

texto por Ricardo Aniceto, do Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa e coordenador da obra ‘Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa’

 

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Durante a sessão de apresentação dos livros ‘Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa’ e ‘Subsídios para a História da Igreja em Portugal’, o organista Rui Paiva interpretou, a órgão, em três momentos, as obras ‘Três Glosas sobre o Canto Chão da Imaculada Conceição’, de Francisco Correa de Arauxo (1575-1654), ‘Adágio expressivo’, de José Maria Pereira (finais do século XVIII) e ‘Discurso de 1º Tom’, de Soror Piedade (segunda metade do século XVIII).

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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