Domingo |
À procura da Palavra
Livros vivos
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DOMINGO XI COMUM Ano A

“Jesus, ao ver as multidões,

encheu-Se de compaixão.”

Mt 9, 36

Passeio por entre as barracas alinhadas onde os livros oferecem capas e lombadas aos olhos e mãos sedentos e famintos. A Feira do Livro é uma pastagem imensa para esta fome e sede de “ovelha” que não pode viver sem livros. Poder talvez pudesse, mas não seria a mesma pessoa! E relembro a ficção distópica de Ray Bardbury que, em “Fahrenheit 451”, imaginou um mundo sem livros, onde só as imagens e os símbolos visuais seriam permitidos, e os bombeiros teriam como principal função “queimar livros” o que acontece à temperatura que dá título ao livro! Declarou o autor que, mais do que uma denúncia da censura, o livro aponta para o modo como a televisão destrói o interesse pela leitura. Ao ver a multidão de pessoas que, mais uma vez, invadiu as ruas da feira do livro de Lisboa, renovo a esperança desse futuro nunca se realizar, e que a tecnologia não substitua a maravilha de dialogar com os livros.

O elogio dos livros aflora nas palavras de muitos autores. “O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive” (P. António Vieira); “Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós” (Franz Kafka); “Eu devo dizer que acho a televisão muito educativa. No momento em que alguém liga a televisão, eu vou à biblioteca e leio um livro” (Groucho Marx); “O melhor de mim, devo-o aos livros” (Maximo Gorki); “Uma casa sem livros é como um corpo sem alma” (Cícero); “O livro a ler não é aquele que pensa por ti, mas aquele que te faz pensar” (Harper Lee). E que dizer do tesouro maravilhoso que é a Bíblia (substantivo plural que significa “os livros”, quer dizer, biblioteca!), palavra de Deus em palavras humanas, onde, como Jesus diz no evangelho de Mateus, “todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro” (13, 52).

A compaixão de Jesus pelas multidões antecedeu a escolha dos discípulos para serem enviados. A alegria de Jesus é fazer o que é importante connosco, contar com os nossos dons e qualidades, responsabilizar-nos pela libertação de quem sofre. Imprimiu no íntimo dos Doze as palavras e gestos de cura e salvação: “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios.” Os evangelhos foram escritos depois, prolongando a memória, revivendo noutros discípulos e lugares a experiência viva de Jesus, que é vencedor até da morte. “O cristianismo não é a religião do livro”, disse Bento XVI na Exortação Verbum Domini. É da Palavra, do Verbo encarnado e vivente, é encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, que abre horizontes à vida. Como nos encontramos com Jesus vivo também nas palavras da Bíblia?

Na ficção de Ray Bradbury, a forma (rebelde) de manter os livros vivos é serem memorizados. E, ao aproximar-se o ocaso da vida de alguém, o livro é transmitido a um jovem. Não somos todos um pouco também aquilo que lemos? Na experiência cristã a palavra de Deus é para ser vivida, traduzida nos surpreendentes gestos de amor e serviço que o Espírito de Deus inspira. O amor aos livros e às palavras é sempre princípio criador e criativo. Que lugar têm na nossa vida?

P. Vítor Gonçalves
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