Doutrina social |
I Dia Mundial dos Pobres
Uma cultura da solidariedade
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Na Mensagem para o I Dia Mundial dos Pobres, acabada de publicar, o Papa escreve: “Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados… causa escândalo a extensão da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro”.


Trocar preconceitos pela objetividade

Ficamos escandalizados ao constatar que, dos 196 países do mundo, 25 são muito ricos com um rendimento por pessoa ultrapassando os 100.000 dólares/ano, enquanto que os mais pobres apenas dispõem de 1.000 dólares/ano, ou seja, menos de 3 dólares/dia. E o escândalo continua: os mais ricos têm um desenvolvimento mais rápido, o que provoca o crescimento do fosso entre ricos e pobres.

As razões da situação foram estudadas e têm a ver com as instituições e com a corrução ligada às mais débeis, têm a ver com a cultura, ou seja, a maneira como as pessoas encaram a vida e o seu sentido no presente e no futuro, têm a ver com a geografia, que condiciona os terrenos, a comunicação entre as pessoas e os recursos naturais.

Tem pleno cabimento o que o Papa diz: “Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado.” É uma preocupação omnipresente no seu ensino, como quando há um mês trouxe para Fátima os “deserdados e infelizes a quem roubaram o presente, os excluídos e abandonados a quem negam o futuro, os órfãos e injustiçados a quem não se permite ter um passado”. Nessas expressões podemos identificar a anti-humanidade que gera o mal e impede a vida de desabrochar. Exatamente o oposto daquilo que o Messias veio trazer e que entregou em nossas mãos para ser continuado.

 

Mudança de olhar

Voltando à vergonha dos desequilíbrios no desenvolvimento e na felicidade dos povos, apontam-se duas atitudes que se impõem a quem não se resignar: a modéstia, própria de quem reconhece como dom a sua vida, as qualidades que a acompanham e as oportunidades que encontrou. Uma outra atitude é a simpatia, a compaixão para com as pessoas ou nações sufocadas com problemas difíceis de resolver: deixando os preconceitos e moralismos, ver nessa realidade o fruto de circunstâncias exteriores, como as referidas más instituições, o clima, o isolamento e as doenças endémicas.

Esta maneira de olhar para os que estão de rastos nos caminhos da vida nasce do que a humanidade tem de melhor e que podemos ir descobrindo. No último número do Boletim da Rede África/Europa Fé e Justiça, a sul-africana Bárbara Nussbaum escreve sobre a espiritualidade presente na cultura Ubuntu que “é a capacidade, na cultura africana, de expressar a compaixão, a reciprocidade, a dignidade, a harmonia e a humanidade no interesse de construir e manter uma comunidade com justiça e cuidado mútuo”. Foi essa espiritualidade que animou figuras de referência, como Martin Luther King, Nelson Mandela, Desmond Tutu, Mahatma Gandhi e outros. Cada um encarnou o espírito Ubuntu no contexto em que viveu.

 

Cultivar uma outra cultura

Num mundo marcado pela secundarização da pessoa e pelo primado do lucro, por uma economia da concorrência e não da solidariedade, por uma sociedade do descartável com os horizontes fechados no imediato, no sensível e no consumível, é necessária uma mudança de pensar que motive um agir diferente; sem essa conversão não vale a pena confiar nos acordos e tratados de paz. Esses poderão ser uma ajuda se estiver presente aquilo que o Evangelho ensina ao dizer “o que quiserdes que vos façam os outros, fazei-o também a eles”, o que encontra um paralelismo na espiritualidade Ubuntu que afirma “eu sou porque tu és; eu só posso ser pessoa através de outras pessoas”.

Neste mundo conturbado há quem saiba dirigir-se às fontes de água cristalina, mesmo que solicitados por uma feroz publicidade apontando para as águas  salobras da competição por um presente sem horizontes, uma espécie de “junk drink”, tão à mão de quem não enxerga mais longe. Recordo a “Academia Ubuntu”, que em várias edições, levou dezenas de jovens (inicialmente de ascendência africana e depois aberta a outros) a descobrirem e a fazerem crescer as mais belas sementes lançadas nas suas vidas. Mesmo que os preconceitos investissem contra eles, a serenidade típica de quem é livre e acredita no altruísmo estava com eles.

texto por Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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