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Papa solidário com “querido povo português” por causa de Pedrógão Grande
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O Papa Francisco rezou pelas vítimas dos incêndios em Portugal. Na semana em que lembrou que os cristãos devem “manter sempre viva a esperança de ser santos”, o Papa visitou duas paróquias no centro de Itália, falou da adolescência e criticou a “riqueza descarada”.

 

1. O Papa Francisco rezou, no passado Domingo, 18 de junho, pelas vítimas do incêndio de Pedrógão Grande. No final da oração do Angelus, Francisco recordou, de forma especial, as vítimas da tragédia que fez mais de 60 mortos. “Expresso a minha proximidade com o querido povo português, por causa do grande incêndio que tem lavrado no mato perto de Pedrógão Grande, causando numerosas vítimas e feridos. Rezemos em silêncio”, pediu o Papa.

 

2. Na audiência-geral de quarta-feira, o Papa lembrou que os santos são “testemunhas e companheiros de esperança” que mostram que “a vida cristã não é um ideal inatingível”. “São companheiros de nossa peregrinação nesta vida. Compartilharam as nossas lutas e fortalecem a nossa esperança de que o ódio e a morte não têm a última palavra na existência humana. Por isso, invocamos o auxílio dos santos nos sacramentos. No Batismo, os invocamos como irmãos mais velhos que já cruzaram a estrada fatigosa desta vida e encontram-se no abraço de Deus por toda a eternidade. No Matrimónio, eles vêm em socorro dos noivos que, ao assumirem um compromisso por toda a vida, sabem que precisam da graça de Deus para se manterem fiéis. Na Ordenação Sacerdotal, o candidato sabe que conta com a ajuda de todos os que estão no Paraíso para poder suportar o peso da missão que lhe é confiada. De facto, os santos lembram-nos que, apesar das nossas fraquezas, a graça de Deus é maior nas nossas vidas. Por isso, devemos manter sempre viva a esperança de ser santos, pois este é o maior presente que podemos dar ao mundo”, convidou o Papa, durante o encontro público semanal, no Vaticano.

Ainda na quarta-feira, foi apresentado o projeto ‘O Papa pelo Sudão do Sul’, a favor desta população afetada pela guerra desde 2013 e por uma gravíssima crise humanitária. Metade da população, cerca de 7,3 milhões de pessoas, passa fome, quase dois milhões de habitantes fugiram das suas aldeias e o país atravessa uma epidemia de cólera sem precedentes – um drama silencioso, acompanhado por violentos massacres e atrocidades que o Papa denuncia e para o qual chama a atenção. Inicialmente ainda se colocou a hipótese de uma visita-relâmpago de Francisco, em outubro, mas teve de ser adiada, por falta de condições mínimas. No entanto, o Papa decidiu enviar uma ajuda ao Sudão do Sul em três frentes: saúde, educação e agricultura. Este projeto reforça o apoio das Missionárias Combonianas que estão no terreno com dois hospitais, conta com a ajuda de uma associação de solidariedade para investir em projetos de educação e bolsas de estudo e, no campo agrícola, a Caritas Internacional vai apoiar 2500 famílias, com meios de cultivo e criação de gado, com vista à autonomia das comunidades locais. O comunicado do Vaticano diz ainda que o Papa “não esquece as vítimas silenciosas deste conflito tão sanguinário e violento” e que “espera vivamente poder deslocar-se ao país, em visita oficial, o mais depressa possível”.

 

3. O Papa Francisco visitou, na passada terça-feira, 20 de junho, duas paróquias no centro de Itália para homenagear dois párocos já falecidos, que “deixaram um rasto luminoso e, por vezes, incómodo”: o padre Primo Mazzolari (1890-1959), de Bozzolo e o padre Lorenzo Milani (1923-1967), de Barbiano.

Em Bozzolo, Francisco recordou a personalidade excecional do padre Mazzolari e os conselhos aos seminaristas de Cremona. “A nossa força é sermos repetidores. Mas entre um repetidor morto, um altifalante, e um repetidor vivo, há uma grande diferença! O sacerdote é um repetidor, mas o seu modo de repetir tem de ter alma, não pode ser passivo, ou nada cordial. A par da verdade que repito, deve haver sempre alguma coisa de meu, para demonstrar que acredito no que digo; deve ser feito de modo a que o irmão se sinta convidado a receber a verdade”, salientou. O Papa sublinhou ainda que “o padre não é alguém que exige a perfeição, mas que ajuda cada um a dar o seu melhor”.

Mais tarde, em Barbiano, Francisco valorizou a vida do padre Milani, inteiramente dedicada à educação de jovens em bairros problemáticos e ao acolhimento de todos, sobretudo dos mais pobres e frágeis. “Sem esta sede de Absoluto”, recordou o Papa a propósito do referido pároco, “pode-se ser um bom funcionário, mas não se pode ser um verdadeiro padre, capaz de servir Cristo nos irmãos”. Francisco pediu aos padres que procurem ser “homens de fé, com uma fé franca e não diluída e homens de caridade pastoral para com todos os que o Senhor nos confia como irmãos e filhos”.

 

4. O Papa encontrou-se com um grupo de cerca de 30 refugiados acolhidos pela Igreja, em Roma, antes de inaugurar o Congresso Diocesano romano, dedicado à educação. Francisco elogiou um trabalho de “fraternidade” que vai “para lá” da religião de cada um. “Obrigado a quem acolheu e a vós que aceitastes ser acolhidos”, declarou. No Congresso Eclesial Diocesano de Roma, o Papa lembrou que a adolescência não pode ser vista como uma “patologia” e contestou mesmo a tendência de “medicar precocemente” as crianças, antes de apelar ao diálogo entre gerações, valorizando o papel dos “avós” nas famílias.

 

5. O Papa criticou a “riqueza descarada” de “privilegiados”, que contrasta com o “escândalo” da pobreza, na sua mensagem para o primeiro Dia Mundial dos Pobres, que se assinala a 19 de novembro. Francisco começa por exortar os “seus filhinhos” a “não amar com palavras, nem com a boca, mas com obras e com verdade” e lembrou a “predileção de Jesus pelos pobres”. “Somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão”, escreveu o Papa, manifestando também o desejo de que, “este ano, as comunidades cristãs, se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta”.

O Papa expressa, por fim, o desejo “que este novo dia mundial se torne” num “forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda”. “Os pobres não são um problema”, são “um recurso a que devemos lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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