Lisboa |
Profissão Religiosa de Votos Simples da irmã Rita Maria de Assis, na Ordem de Santa Clara de Assis
“Sou feliz!”
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Foi batizada como Ana Rita de Assis Libório, tirou o curso de Economia, mas, aos 21 anos, entrou no mosteiro das Irmãs Clarissas, no coração da cidade de Lisboa. “Não vim para o mosteiro para me afastar do mundo e das suas dificuldades, mas para o amar com um amor mais pleno”, garante a irmã Rita Maria de Assis que, aos 24 anos de idade, fez a Profissão Religiosa de Votos Simples na Ordem de Santa Clara, no dia 2 de julho.

 

Gratidão. É este o sentimento da irmã Rita Maria de Assis após os primeiros votos. “Tenho um sentimento de muita gratidão a Deus por aquilo que Ele fez, e que sinto que faz, na minha vida. Sentimentos de gratidão enorme porque reconheço que é um tesouro que trago em vasos de barro e que pôde ser guardado devido à misericórdia de Deus. Gratidão também por, ao longo do caminho, me ter colocado sempre pessoas que me ajudaram a conservar este tesouro e a guardá-lo sempre com um amor maior”, observa esta jovem religiosa, ao Jornal VOZ DA VERDADE. “Foi um dia de entrega, de restituir a Deus tudo aquilo que Ele me tinha dado. Agora sou d’Ele!”, frisa a irmã Rita, referindo que, até aos votos perpétuos, segue-se um período de três anos de “integração na comunidade, como Irmã Clarissa, até à consolidação final de um ‘Sim’ para sempre”.

Pobreza, Obediência, Castidade e Clausura foram os quatro votos religiosos que a irmã Rita professou no passado Domingo, 2 de julho, numa celebração na Basílica da Estrela, em Lisboa, presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar do Patriarcado. “Não vim para o mosteiro para me afastar do mundo e das suas dificuldades, mas para o amar com um amor mais pleno e, através da oração unida à doação da própria vida, levar toda a humanidade até Deus. Sou feliz... Esta é a minha vocação no coração da Igreja!”, assegura.

 

Em Adoração Eucarística

Nascida na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, a 27 de julho de 1992, a irmã Rita é a mais velha de três irmãos – Frederico tem 23 anos e Maria 17 – e cresceu no seio de uma família cristã, tendo vivido a infância e adolescência na cidade. “A caminhada cristã até à Primeira Comunhão foi feita na Paróquia de São João de Deus. Em 2003-2004, a família foi viver para a zona de Torres Vedras, mais concretamente para a Paróquia de São Mamede da Ventosa, onde fiquei até ao Crisma”, conta. A família Libório já fazia da casa na zona Oeste o seu local de fim-de-semana e férias, “para não estar sempre na cidade”. “Havia o desejo de estar num meio rural, de poder estar, aos fins-de-semana, no campo. Como todos íamos mudar de ciclo escolar – eu ia para o 7º ano, o meu irmão para o 5º e a minha irmã para a creche –, era a altura ideal para fazer estar mudança”, recorda.

Foi nesta altura que “desabrochou a vocação”. “Em São João de Deus, ia à catequese e à Missa com os pais. Era o percurso dito ‘normal’. Mas em São Mamede da Ventosa, depois do 9º ano, comecei a rezar o que o Senhor queria de mim”, aponta. Aos 15-16 anos, começam então as interrogações vocacionais. “São Mamede é uma paróquia onde se reza bastante, onde há Adoração Eucarística, e comecei a aperceber-me da importância da oração na Igreja e da presença de Jesus na Eucaristia. Foi durante o meu tempo de catequese que cresceu em mim a certeza da presença de Deus escondido no sacrário. Então, comecei a sentir este desejo de entrar mais profundamente na Igreja”, lembra.

Sublinhando que deve também a sua vocação à educação cristã que os pais lhe deram, a irmã Rita salienta que o facto de o pai ser organista “ajudou muito à vivência da fé na família”. “Em São Mamede, o meu pai foi chamado para dar início a um coro das crianças, da qual os meus irmãos e eu fazíamos parte. Recordo-me de ser pequena e a forma de rezar ser através do canto”, refere.

 

Busca vocacional

Com cerca de 18 anos, e a entrada na faculdade, em 2010, a jovem Rita participa nos “campos vocacionais da diocese”, que a “ajudaram no discernimento”. “Vim para Lisboa estudar e aquilo que o Patriarcado propunha era as Terças.com, que decorriam semanalmente, na Igreja de Fátima. Uma vez por mês, o encontro era de discernimento vocacional, para raparigas, orientado pelos padres da diocese que são responsáveis pela Pastoral Vocacional, em especial os padres José Miguel e Rui de Jesus, e também o padre Nuno Amador, da Pastoral Universitária. Foi aí que também rezei o que Deus queria de mim”, frisa.

Rita tinha entrado em Economia, na Universidade Nova de Lisboa, num curso de três anos. “Quando comecei o curso, já estava nesta busca vocacional. No final do 12º ano, a minha dúvida já era o que fazer: ir para a faculdade ou entrar na vida religiosa… foi aí que fiz oito dias de exercícios espirituais, em silêncio, e percebi que Deus me chamava, sim, a consagrar-me a Ele, mas que não tinha chegado a hora, porque ainda não me tinha mostrado o lugar, a forma de consagração”, conta. Esta jovem termina o curso, em 2013, mas assume: “O ser economista nunca foi um desejo e uma meta. Uma coisa era servir Deus da forma que Ele quisesse, se fosse como economista, seria, se fosse como religiosa, seria”. A família e os amigos foram essenciais neste caminho, refere a irmã Rita. “Eles ajudaram-me muito a perceber a minha vocação. Tanto nas aceitações, como nos confrontos e nos obstáculos que se foram colocando ao longo do caminho”, salienta.

Durante o tempo de faculdade, Rita passava “muito tempo a rezar na Igreja de Campolide”, antes das aulas. “Rezava muito pelos colegas e, quando chegava à faculdade, reparava que a oração tinha dado fruto, havia colegas que se interrogavam a nível da fé e me procuravam para ir à Missa, para se esclarecerem e outros que procuravam aproximar-se dos sacramentos. Foi um tempo que me fez experimentar que, muitas vezes, não é a palavra que move os corações, mas o testemunho silencioso e orante”, destaca.

 

Entrega total na vida contemplativa

Foi também neste tempo de estudos superiores que esta jovem conheceu o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, da Ordem de Santa Clara de Assis, para o qual haveria de entrar após as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) do Rio de Janeiro, no Brasil. “Na JMJ já sentia que Deus me chamava a esta entrega total na vida contemplativa e sentia esse grande desejo de corresponder numa entrega na diocese da qual eu tinha bebido a fé, que é a Igreja de Lisboa. Sentia este desejo de retribuir ao Patriarcado tudo aquilo que a Igreja me tinha oferecido, através dos sacerdotes, dos catequistas, das paróquias. Encontrei este mosteiro, no coração desta cidade, e percebi a importância de um lugar de oração no centro da cidade, que congregue o povo, por onde o povo possa descansar o olhar no meio de tanta agitação, de tanto ruído, de tantas dúvidas, que possam ter a certeza de que, aqui, Deus está a olhar por eles através da oração e entrega concreta das irmãs”, assegura esta jovem religiosa.

A entrada no mosteiro das Irmãs Clarissas aconteceu no dia 19 de outubro de 2013 e foi “um momento de festa”, vivido com “muita alegria”. “A entrada teve um caminho e os meus pais foram também fazendo esse caminho comigo. À medida que fui descobrindo a minha vocação, ia sempre pedindo a Deus que também proporcionasse essa vocação, e o entendimento dessa vocação, à minha família e aos meus irmãos, o que foi acontecendo gradualmente”, destaca, lembrando que a sua vocação “uniu duas famílias: a de sangue e a religiosa”.

A tomada do hábito religioso teve lugar na vigília de Santa Maria, Mãe de Deus, na passagem do ano, a 1 de janeiro de 2015. “O senhor D. José Traquina, Bispo Auxiliar de Lisboa, presidiu à Eucaristia onde recebi o hábito e o nome novo que me foi atribuído: irmã Rita Maria de Assis. Foi o dia em que passei a pertencer, como irmã, a esta comunidade da Ordem das Irmãs de Santa Clara”, lembra.

Hoje, a relação com a família de sangue ocorre “de forma muito natural e espontânea”. “A relação acontece de várias formas: começa pela oração e aí há um sentimento, muito bonito, de proximidade, tanto da minha parte como da parte da minha família, que testemunha como me sente tão presente no dia-a-dia, mesmo quando não há palavras, mesmo quando não há o estar próximos fisicamente, mas há a certeza plena de que cada um está no coração de Deus e, a partir do coração de Deus, nos encontramos com mais plenitude”, garante, sublinhando que “as visitas acontecem quando existe necessidade”. “Os pais veem rezar ao mosteiro, já fazem parte da família”.

 

Oração, trabalho, fraternidade

No Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, situado na Rua da Estrela, 17, em Lisboa, vivem atualmente cinco religiosas – todas entre os 50 e os 70 anos, exceto a irmã Rita, que fará 25 anos neste mês de julho –, e “o dia-a-dia divide-se entre oração, trabalho e fraternidade”. “Nós rezamos o Breviário, portanto rezamos as sete horas litúrgicas. Começamos o dia à volta do altar do Senhor, com oração de Laudes, às 7h00, e Eucaristia, às 7h30, onde entregamos esta diocese, esta cidade, os nossos sacerdotes, todo o mundo que começa o seu dia e todas as pessoas que não têm tempo, ou não se recordam, de olhar para Deus no início do seu dia. Depois de um tempo de silêncio, rezamos a Hora Intermédia de Tércia, a que se segue então o pequeno almoço. A manhã prossegue com os trabalhos, em que cada irmã tem o seu ofício, desde o acolhimento às pessoas que cá veem, às hóstias que confecionamos para a diocese, aos terços, as limpezas, a cozinha… Antes do almoço reunimo-nos na capela, para a oração, e a refeição tomamos em silêncio, exceto em dias de festa, em que há partilha e convívio. À tarde, cada irmã tem o seu tempo de adoração pessoal com Jesus – em que vamos rezando, hora a hora, em oração, em adoração e em meditação –, e vamos finalizando algum trabalho que seja necessário. Às 18h00, rezamos o Terço e as Vésperas, com o povo desta cidade que se reúne para rezar connosco, na nossa capela, que está aberta toda a tarde, entre as 14h00 e as 19h30, com o Santíssimo exposto, sendo que todas as quintas-feiras o horário é das 8h00 à meia-noite. Ao final da tarde temos também um tempo de meditação comunitário. O jantar é às 19h30, novamente em silêncio, e depois pelas 20h15 temos o chamado recreio, que é o tempo da partilha comunitária, em que partilhamos as notícias que nos vão chegando e as coisas que foram acontecendo ao longo do dia. É um momento do dia em que estamos mais ‘descontraídas’, juntas, e damos graças a Deus por este dom de nos ter dado irmãs, como Santa Clara dizia. No final do recreio, rezamos o Ofício de Leitura e a Hora de Completas, sendo o recolher às 22h00”, descreve a irmã Rita Maria de Assis.

 

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O Jornal VOZ DA VERDADE desafiou a irmã Rita Maria de Assis a deixar uma mensagem a todas as raparigas: “Jesus é o maior tesouro que alguém pode encontrar na sua vida, que merece ser guardado e conservado para melhor ser oferecido ao mundo. Por isso, não tenham medo de acolher este tesouro, que encherá de plenitude as vossas vidas e as vidas daqueles com quem se cruzarem”.

 

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“O Senhor chamou-a a uma vocação específica, à vida contemplativa na solidão e no silêncio, à imitação de Santa Clara de Assis. A Irmã Rita antepôs o amor a Cristo, ao amor ao pai e à mãe, para, a partir de Cristo, os amar de uma forma nova, mais bela, mais próxima e mais profunda. A vida de união íntima com o Senhor a tornará próxima de todos, porque encontrará a todos no coração de Cristo.”

D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, na homilia da celebração

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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