Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
A fé que atravessa montanhas
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Estamos em pleno ano de comemoração do Centenário das Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos, em Fátima. Já vivemos, como ponto alto destas comemorações, a peregrinação do Papa Francisco à Cova da Iria, apresentando-nos a Mãe. Sim, porque tudo passa por aí. A Mãe que vem ao nosso encontro, como manifestação do amor de Deus, para nos dar e levar até ao seu Filho, Jesus. É a Mãe que não se sobrepõe, nunca, ao seu Filho. Pelo contrário, leva-nos até Ele.

A Maria são atribuídos, desde há muito tempo, diversos títulos e invocações consoante os lugares e as tradições. Porém, Ela é sempre a mesma.

Fiz, recentemente, a experiência de peregrinar ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em França. Com um grupo de 40 peregrinos, vivemos seis dias de caminho, que bem pareciam dias de retiro espiritual. Desde Santiago de Compostela, conhecendo um pouco mais do que significa o Caminho de Santiago, passando pelo Santuário de Nossa Senhora de Covadonga, emoldurado pela beleza natural dos Picos da Europa, até chegar ao lugar onde Santa Bernardete, adolescente de 14 anos, fez a experiência do encontro com a Mulher que se apresentou ao mundo como a Imaculada Conceição. Estes foram dias marcados por uma espiritualidade vivida em comunidade, mas foi, também, uma oportunidade para tomar contacto com uma realidade de pastoral diferente.

O Santuário de Nossa Senhora de Lourdes marca-nos pela vivência e testemunho de fé dos muitos doentes que ali encontramos, acentuando a grande dimensão e importância da pastoral dos doentes. Uns de forma mais anónima porque trazem consigo uma doença que não é visível, e outros de modo mais declarado porque são transportados até junto da gruta das aparições, em cadeiras de rodas e até em macas de transporte de doentes.

O que procuram? Aquilo que o coração lhes dita. Alimentar a fé, encontrar Jesus, a cura física, a cura espiritual. Pela oração, pelo toque, pelo banho numa água de nascente que apela ao banho Baptismal, pela força espiritual de um lugar diferente.

Na procissão das velas, celebrada ao início da noite, enquanto se rezam os Mistérios do Rosário, os doentes também estão presentes, seguindo a Cruz processional, como quem segue a sua vida com a Cruz de Cristo. Este é o caminho que todos somos convidados a fazer, com a certeza de que junto à Cruz está também Maria para, assim como fez com Jesus, nos colocar em seus braços de Mãe.

No entanto, não posso deixar de assinalar que é impressionante ver a quantidade de voluntários que são mobilizados naquele santuário, e que chegam de inúmeros países. São jovens, e menos jovens, que acompanham os milhares de doentes, com vista a proporcionar um momento de encontro pessoal com Deus, num lugar movido pela fé que, não movendo as montanhas dos Pirenéus do seu lugar, as faz atravessar para o encontro com Deus. E o encontro acontece!

 

P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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