Lisboa |
Visita Pastoral à Vigararia Lisboa IV
Conversão missionária é o “objetivo” da Igreja
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa lembrou a importância das famílias para a “dimensão missionária da Igreja”. Na abertura da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa IV, D. Manuel Clemente assinalou o momento como fundamental para “conhecermos o que somos como Igreja” e apelou à “criatividade” dos cristãos na preparação do ‘Domingo da Palavra’, no dia 29 de outubro.

 

A Visita Pastoral “ajuda a fazer Igreja, a diversificar: é um contributo importante para conhecermos o que somos como Igreja na cidade”, afirmou o Cardeal-Patriarca de Lisboa na abertura da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa IV, realizada no passado Domingo, 8 de outubro, na Igreja de São João de Brito.

D. Manuel Clemente começou por sublinhar que as visitas pastorais “já não são o que eram”. Antigamente, disse, eram mais ações administrativas e de fiscalização, em que o Bispo ou o Vigário-Geral (ou alguém enviado por eles) visitava a paróquia para ver se o telhado estava bom, se as paredes e as janelas estavam limpas, sem teias de aranha. “Depois, sentava-se, ouvia as queixas dos paroquianos, ia para despacho, se havia alguma celebração, celebrava, ia-se embora e adeus até ao meu regresso, que podia ser daí a 50 anos”, recordou, com humor. “Não é nada do que é hoje. Até porque neste meio, nesta rede tão diferente que são as nossas paróquias, podemos dizer que a Visita Pastoral é quase uma realidade permanente”, afirmou, referindo que contacta ao longo do ano muitas vezes, em múltiplas ocasiões, com membros das várias paróquias. E, mesmo assim, as Visitas Pastorais continuam a ser importantes porque “é uma maneira de, num determinado espaço da diocese, haver um contacto mais sistemático, paróquia a paróquia, no que diz respeito às reuniões” sectoriais (catequese, liturgia, instituições paroquiais, família, jovens, etc). A Visita Pastoral inclui, recordou, deslocações mais pormenorizadas dos Bispos Auxiliares às comunidades locais, que se prolongam por vários dias. A propósito, referiu que o programa previsto para a Visita Pastoral que agora se inicia à Vigararia Lisboa IV vai ter de ser adaptado nas últimas duas semanas, uma vez que D. José Traquina (até agora Bispo Auxiliar e envolvido nesta visita) vai tomar posse, em novembro, como Bispo da Diocese de Santarém.

 

A Família como Igreja Doméstica

Na intervenção que fez durante a apresentação da Visita Pastoral, no auditório da Igreja de São João de Brito, o Cardeal-Patriarca destacou a importância da Família como elemento dinamizador e missionário na Igreja. “Quando falamos de Igreja, estamos a falar no conjunto de batizados, concretamente da Igreja Católica, ligados ao sucessor de Pedro, ao Bispo de Roma. E também ligados àqueles que, como sucessores dos apóstolos, em comunhão com o sucessor de Pedro, o Papa, presidem a cada Igreja local”, afirmou. E a vida da Igreja acontece em muitas realidades, disse, referindo-se especialmente à Família. “O Concílio Vaticano II oficializou a designação das Famílias como Igrejas Domésticas. Porque em cada Família, à volta do sacramento do Matrimónio, da missão específica que esse sacramento dá aos esposos, também a Palavra de Deus é anunciada; muitas vezes a catequese inicial é feita aí, pela maneira como se vive entre os membros da família, também se pratica a caridade, também se olha pela felicidade dos outros parentes. A própria experiência da Família é uma experiência eclesial, porque congrega todos estes elementos e também a dimensão missionária”, vincou o Cardeal-Patriarca, referindo-se a propósito a um encontro recente, em Roma, com os responsáveis de seminários, durante o qual o Cardeal-Arcebispo de Sarajevo, D. Vinko Puljić, se referiu à ação missionária das famílias da pequena comunidade cristã que ali vive. Famílias que partem em missão também para outras paragens, podendo até, disse, um dia aparecer na Diocese de Lisboa. “É a dimensão missionária da Igreja que hoje em dia também é protagonizada pelas famílias”, afirmou.

 

Recepção Sinodal

Esta Visita Pastoral realiza-se num momento particular da vida da Diocese de Lisboa, lembrou D. Manuel Clemente, referindo-se ao Sínodo Diocesano. “Que não haja família, paróquia ou instituto religioso, que não haja nada que se chame Igreja que não tenha preocupação missionária”, referiu o Cardeal-Patriarca, afirmando que a “Igreja não existe para si, existe para Deus, para dar Ação de Graças e para um novo e permanente exercício de envio”. Isto é, “a conversão missionária da Igreja é o objetivo da Igreja atual”, que deve ser aplicado em cada diocese, através de sínodos, reunindo os representantes dos vários sectores diocesanos e assim levar por diante aquele programa missionário.

Após a publicação da Constituição Sinodal, no dia 8 de dezembro de 2016, este é o momento da “receção sinodal”, definiu D. Manuel Clemente. “O objetivo geral deste tempo de receção é o de formar ou acrescentar unidades que sejam verdadeiras redes de relações fraternas. Mais participativas, mais coresponsabilizadas, mais motivadas, mais ativadas nas suas instâncias de participação”, explicou, lembrando o tema deste ano pastoral e dos anos seguintes: para 2017-2018 o que se liga à Palavra de Deus (‘Fazer da Palavra de Deus, o lugar onde nasce a fé’. CSL, n.º 38), para 2018-2019 o que se liga à Oração e Celebração (‘Viver a liturgia como lugar de encontro.’ CSL, n.º 47) , para 2019-2020 o que se liga à ação sociocaritativa (‘Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias’. CSL, n.º 53). “Quando tivermos concluído este triénio de receção sinodal, então teremos uma assembleia diocesana de avaliação daquilo que se fez”, disse, indicando que essa será o último passo do Sínodo, prevendo que fique concluído em finais de 2020, princípios de 2021.

“É pois nesta terceira fase, a fase da receção, que estamos nesta caminhada sinodal de Lisboa, para pôr em prática o apelo do Papa Francisco na Exortação ‘A Alegria do Evangelho’. E é neste contexto que iniciamos agora a Visita Pastoral à Vigararia IV”. disse ainda.

 

Vinha do Senhor
Após o encontro que reuniu os representantes das 15 paróquias que formam a Vigararia Lisboa IV (Alto do Lumiar, Ameixoeira, Arroios, Campo Grande, Charneca, Fátima, Espírito Santo, Lumiar, Penha de França, Santa Joana, Princesa, São João de Brito, São João de Deus, São João Evangelista, São Sebastião da Pedreira e Telheiras), o Cardeal-Patriarca presidiu à Missa na Igreja paroquial de São João de Brito.

Referindo-se à parábola dos vinhateiros, proclamada no Evangelho do dia, D. Manuel Clemente apelou aos cristãos para que sejam “realmente a vinha do Senhor, produzindo bons frutos e respondendo positivamente aos mensageiros” e lembrou a importância de cada paróquia, de cada família cristã e da Eucaristia como locais e oportunidades para fazer nascer frutos e para agradecer ao Senhor os frutos produzidos. “Nas nossas casas, nas nossas paróquias, recebemos os mensageiros do Senhor. E o que recebemos de Deus, devolvemos através dos outros”, acentuou, sublinhando a necessidade de os cristãos estarem atentos aos outros e de saberem dar graças a Deus. “O que irá fazer o Senhor àqueles que não receberam os Seus mensageiros e mataram o Seu próprio Filho?”, interrogou, dando de seguida a resposta. Por isso, alertou: “que isto não aconteça convosco!”.

 

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“Olhar a realidade urbana com um olhar de fé”

O responsável pela Vigararia Lisboa IV, padre João Valente, agradeceu ao Cardeal-Patriarca o desafio lançado com a Visita Pastoral às 15 paróquias, agora iniciada, “na certeza de que todos vamos sair mais ricos, mais fortes, mais unidos, para sermos melhores testemunhas na Igreja de hoje”.

No encontro de abertura, durante a apresentação da Vigararia que abrange as paróquias do norte da cidade de Lisboa, o padre João Valente, pároco de São João de Brito, citou por várias vezes o Papa Francisco, sobretudo na Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, para sublinhar a necessidade de olhar para a realidade urbana com um olhar contemplativo, isto é, com um olhar de fé, descobrindo Deus que habita nas casas, nas ruas e nas praças. Entre os desafios lançados pelo Papa, o sacerdote de 53 anos recorda a atitude de acolhimento e de presença, o diálogo, a atenção à religiosidade do povo e o acudir aos pobres. “Desafia-nos a uma atitude de sair com o objetivo de suscitar a fé como fez Jesus, a sermos Igreja samaritana que atrai com o seu testemunho e assenta as suas raízes nas periferias existenciais da grande cidade”, acentuou o sacerdote, nascido e criado em Lisboa e pároco na capital há quase 25 anos, destacando ainda a “diversidade, riqueza e pluralidade” da cidade como um dos símbolos do Sínodo Diocesano de 2016.

Face à “grande desertificação no tecido social, uma tendência para o individualismo não-solidário e para a competição desenfreada” que se vive hoje na sociedade, o padre João Valente mostra-se convicto de que “o Evangelho é graça para recuperar a dignidade na vida das cidades, porque Jesus quer disseminar nas cidades vida e vida em abundância”, referiu o sacerdote, recordando as palavras do Santo Padre de que lutar pela fé, com os olhos postos no Evangelho, “é o melhor remédio para os males humanos”.

 

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Subsídio ajuda à reflexão sobre a Palavra

No encontro que assinalou a abertura da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa IV, no passado dia 8 de outubro, o Cardeal-Patriarca de Lisboa apelou à celebração do ‘Domingo da Palavra’ nas paróquias, “com criatividade”, seguindo a indicação do Papa Francisco, publicada na Carta Apostólica ‘Misericordia et Misera”, em novembro de 2016. O objetivo, definido pelo Papa, é o “de renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um Domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo”, sublinhou D. Manuel Clemente.

Uma das formas para ajudar à reflexão deste tema, acrescentou, poderá ser através da consulta do “Guia de leitura, estudo e reflexão da Exortação Apostólica ‘Verbum Domini’, do Papa Bento XVI”, da autoria do padre Ricardo Figueiredo e publicado pela Paulus Editora, em colaboração com o Instituto Diocesano da Formação Cristã do Patriarcado de Lisboa.

Informações: Livraria Nova Terra, no Patriarcado de Lisboa (218810568)

reportagem e fotos por Filipe Teixeira
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