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Relatório sobre a perseguição aos Cristãos entre 2015 e 2017
Horror sem limites
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Não há palavras meigas no mais recente relatório publicado pela Fundação AIS sobre a perseguição aos Cristãos no mundo. Expressões como “genocídio”, “extinção” ou “êxodo” são empregues vezes sem conta quando se pretende qualificar as “atrocidades inqualificáveis” sofridas pelas comunidades cristãs em tantos países do mundo.

 

O mais recente relatório sobre a perseguição aos Cristãos no mundo, que compreende o período entre agosto de 2015 e julho de 2017 – e que foi apresentado na passada quinta-feira, dia 12, por D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, não deixa margem para dúvidas. Em quase todos os países analisados, a situação dos Cristãos deteriorou-se. E isso significa que, em muitos lugares, é a própria sobrevivência do Cristianismo que está em causa. No Iraque, por exemplo, “o êxodo dos Cristãos é tão grave que uma das Igrejas mais antigas do mundo está em vias de desaparecer no prazo de três anos”. E o mesmo se passa na Síria. A derrota do Daesh, os jihadistas do auto-proclamado Estado Islâmico, e de outros grupos que atuam no Médio Oriente, “constitui a última esperança” para os cristãos “ameaçados de extinção”.

 

A perseguição na China…

Mas esta ameaça alastrou a outras paragens, a outros países, a outros protagonistas. No entanto, sempre com o mesmo denominador comum: o ataque deliberado contra as comunidades cristãs. Se no Médio Oriente a violência é exercida normalmente por grupos radicais islamitas, há casos em que os ataques contra a comunidade cristã são realizados pelo próprio Estado. Na China, por exemplo, em que o próprio presidente Xi Jinping descreveu o Cristianismo como “uma infiltração estrangeira”, nos últimos anos tem-se acentuado a hostilidade para com as comunidades cristãs, tal como a Fundação AIS tem vindo a denunciar. A remoção de cruzes das igrejas e a destruição de edifícios religiosos são apenas duas das facetas mais visíveis dessa perseguição organizada pelo próprio Estado, que procura sufocar, com mão de ferro, a chamada “Igreja Clandestina” fiel ao Papa.

 

… e na Coreia do Norte

A Coreia do Norte, o regime mais hermético do mundo, é outro caso alarmante, havendo relatos em que se descrevem “atrocidades inimagináveis” sofridas pelos Cristãos em campos de concentração. São relatos de trabalhos forçados, tortura, perseguição, fome, violação, aborto forçado, violência sexual e morte extrajudicial. No final deste relatório da Fundação AIS fica uma advertência que nos atinge a todos: “A natureza generalizada da perseguição aos Cristãos – e a evidência que implica regimes com os quais o Ocidente tem ligações comerciais e estratégicas estreitas – significa que cabe aos nossos governos usarem a sua influência para defender as minorias, em especial os Cristãos”. Estamos a falar dos Cristãos perseguidos no Iraque, Síria, China, Coreia do Norte, Sudão, Nigéria, Eritreia, Índia, Paquistão… Ou será que todos eles podem ser completamente sacrificados em nome das conveniências dos negócios e dos interesses estratégicos? Será que os governantes e as autoridades não têm problemas de consciência perante todas estas histórias de opressão? De facto, em muitos países, em muitas regiões do Planeta, os Cristãos são perseguidos. Infelizmente, continuam esquecidos…

 

Pode consultar o relatório completo disponível apenas online em www.fundacao-ais.pt

 

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Síria: O dia em que Elias foi atado a uma cruz

Janeiro de 2017. Elias, um Cristão que vivia em Raqqa, cidade bastião do auto-proclamado Estado Islâmico na Síria, deixou de poder pagar a “jisya”, o imposto exigido pelos jihadistas aos Cristãos para poderem continuar a viver nas zonas sob o seu controlo. Ferido por uma bomba, deixou de poder trabalhar. Sem trabalho, deixou de ter dinheiro. Por não ter pago o “imposto”, os jihadistas agrediram-no, sem se comoverem com os seus argumentos, ignorando as feridas causadas pela bomba. E castigaram-no. Estava atado de mãos e pés a uma cruz, esperando o momento em que iria ser degolado, quando miraculosamente conseguiu libertar-se e fugir, na sequência de um ataque à cidade que provocou a fuga dos jihadistas.

 

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Nigéria: A Páscoa de Dorkas Zakka

Abril de 2017. Há seis meses, Dorkas Zakka, uma jovem mulher cristã, foi assassinada em casa, na cozinha, por pastores da etnia fulani. De nada lhe valeu ter fugido. Dorkas estava a participar na Vigília Pascal, juntamente com a sua comunidade, na Igreja de São João, vila de Osso, em Kafanchan, no norte da Nigéria, quando se deu o ataque. Os fulani, anti-cristãos, perseguiram-na até sua casa e esfaquearam-na na cozinha. Não sobreviveu. Outros nove fiéis foram também assassinados. O pároco local, Alexander Yeyock, ficou profundamente chocado com a barbaridade do ataque, apesar da violência sistemática que se tem abatido sobre a comunidade cristã na Nigéria. E ficou também chocado com a passividade dos militares. “Eles estavam lá e não fizeram nada…”

 

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Filipinas: Extremistas raptam padre Teresito

Maio de 2017. O dia 23 de Maio, em que se iniciou o ataque jihadista, vai ficar para sempre na memória dos habitantes de Marawi, uma cidade filipina na ilha de Mindanau. O ataque, por parte de um grupo de terroristas filiados no auto-proclamado Estado Islâmico, provocou a fuga de milhares de pessoas e causou um rasto de morte e destruição em vastas áreas da cidade. Mas o que marcou mais profundamente toda a comunidade cristã foi o rapto do Pe. Teresito e de dezenas de homens e mulheres que se encontravam a rezar com ele na catedral, assim como a destruição do edifício. O Bispo local, D. Edwin de la Peña, disse mesmo que a fé do povo Filipino “foi espezinhada” pelos terroristas pela forma como profanaram a catedral.

 

 

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China: Onde está D. Peter Shao, Bispo da Igreja Clandestina?

Setembro de 2016. D. Peter Shao Zhumin devia estar neste momento a liderar a Diocese de Wenzhou, depois de o Vaticano o ter nomeado como Bispo Coadjutor, com direito automático de sucessão. Em Setembro do ano passado, quando D. Vincent Weifeng, faleceu, as autoridades chinesas não hesitaram um instante sequer. Era preciso agir, interromper a ligação entre a Santa Sé e a comunidade católica de Wenzhou. D. Peter foi preso e forçado a viajar para longe da sua diocese. Desde então, ignora-se o que tem acontecido a este prelado que pertence à chamada Igreja Clandestina, fiel ao Papa e ao Vaticano. Em Junho foi visto, pela última vez, no aeroporto de Wenzhou, junto de agentes da polícia que controlavam os seus movimentos. Neste momento desconhece-se em absoluto o seu paradeiro.

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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