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“Todos podem ser artesãos de paz”
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O Papa apelou aos cristãos para rezarem o terço pela paz no mundo. Na semana em que foi divulgado o programa da visita do Papa à Birmânia e ao Bangladesh, Francisco falou sobre o novo documento da Congregação para o Clero sobre a formação dos sacerdotes, lembrou a dignidade das crianças no mundo digital e alertou para a mudança de género.

 

1. Na véspera do início da última peregrinação aniversária das aparições de Nossa Senhora em Fátima, o Papa Francisco lembrou a mensagem deixada há 100 anos aos pastorinhos: “No próximo dia 13 de outubro, encerra-se o centenário das últimas aparições marianas em Fátima. Com o olhar dirigido à Mãe do Senhor e Rainha das Missões, convido todos, especialmente neste mês de outubro, a rezar o terço pela intenção da paz no mundo. Que a oração possa demover as almas mais conflituosas para que afastem a violência do seu coração e das suas palavras e dos seus gestos e construam comunidades não violentas, que preocupem e cuidem da casa comum. Nada é impossível se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz”, referiu o Papa, durante a audiência-geral de quarta-feira, dia 11 de outubro. Francisco referiu-se também aos 300 anos de Nossa Senhora de Aparecida e rezou pelo Brasil. “A história dos pescadores que encontraram no Rio Paraíba do Sul o corpo, e depois a cabeça da imagem de Nossa Senhora, e que foram em seguida unidos, lembra-nos que neste momento difícil do Brasil, a Virgem Maria é um sinal que impulsiona para a unidade construída na solidariedade e na justiça”, afirmou, na Praça de São Pedro.

Na audiência-geral, o Papa lembrou ainda que a 13 de outubro iria decorrer a Jornada Internacional para a redução dos desastres naturais. “Renovo o meu premente apelo pela salvaguarda da criação, através de uma tutela cada vez mais atenta e um maior cuidado pelo ambiente”. Um pedido dirigido em especial “às instituições” e a “todos os que têm responsabilidade pública e social” para que promovam “cada vez mais uma cultura que tenha como objetivo a redução da exposição aos riscos e às calamidades naturais. Que as ações concretas, dedicadas ao estudo e à defesa da casa comum, possam reduzir progressivamente os riscos paras as populações mais vulneráveis”, concluiu.

 

2. O Vaticano divulgou, a 10 de outubro, o programa da viagem do Papa à Birmânia (também conhecida por Myanmar) e ao Bangladesh, de 26 de novembro a 2 de dezembro. Na primeira paragem encontra-se com a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi (na foto), com responsáveis políticos, líderes católicos e com o Conselho Supremo dos Monges Budistas, terminando com uma Missa para jovens. O encontro com a actual chefe de Estado Aung San Suu Kyi será alvo de particular atenção, uma vez que esta tem sido fortemente criticada por não fazer nada para ajudar os rohingya, uma etnia de maioria muçulmana que se queixa de forte perseguição às mãos da maioria budista birmanesa e das forças armadas. Actualmente há centenas de milhares de rohingya refugiados precisamente no Bangladesh.

Francisco viaja dia 30 de novembro para o Bangladesh, onde vai visitar o Memorial Nacional aos Mártires de Savar e tem reunião marcada com as autoridades políticas e religiosas, presidindo a uma Missa que inclui ordenações de padres, o que acontece pela primeira vez. Está ainda previsto um encontro inter-religioso de oração pela paz neste país de maioria muçulmana, mas que tem uma pequena minoria cristã, com muita influência portuguesa. Antes de regressar a Roma, Francisco visita uma das casas de Madre Teresa, da Congregação das Missionárias da Caridade.

 

3. “A formação sacerdotal é determinante  para a missão da Igreja: a renovação da fé e o futuro das vocações é possível só se tivermos padres bem formados”, sublinhou o Papa, no passado sábado, 7 de outubro, ao receber 268 participantes no Colóquio Internacional sobre ‘Ratio Fundamentalis’ (novo documento da Congregação para o Clero sobre a formação dos sacerdotes, publicado a 8 de dezembro de 2016), promovido pela Congregação para o Clero, no qual participou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Na Sala Clementina, no Palácio Apostólico, Francisco sublinhou que “a formação sacerdotal depende em primeiro lugar da ação de Deus na nossa vida e não das nossas atividades”. É preciso ter a “coragem de se deixar plasmar pelo Senhor, a fim de que transforme os nossos corações e a nossa vida”. Isso ajuda a compreender que a questão da formação “não se resolve com algumas atualizações culturais ou alguma iniciativa esporádica a nível local. É Deus o artesão paciente e misericordioso da nossa formação sacerdotal e, como está escrito na Ratio, este trabalho dura toda a vida”, salientou.

 

4. O Papa Francisco compromete a Igreja Católica na luta contra a exploração de crianças na internet, bem como a defesa dos cerca de 800 milhões de internautas menores da exposição a conteúdos chocantes ou traumatizantes. Francisco dirigiu-se, dia 6 de outubro,  aos participantes de um Congresso Mundial sobre a Dignidade das Crianças no Mundo Digital, que foi organizado pela Universidade Gregoriana, em Roma. “Encontramos na internet coisas extremamente perturbadoras, incluindo a proliferação de pornografia cada vez mais extrema, uma vez que o uso habitual eleva a fasquia do estímulo; o fenómeno crescente do ‘sexting’ entre homens e mulheres jovens que usam as redes sociais e o crescimento do ‘bullying’ online, uma verdadeira forma de ataque moral e físico à dignidade dos mais novos. A isto pode-se acrescentar a ‘sextorção’, isto é a solicitação de menores para efeitos sexuais, como agora se vê cada vez mais na comunicação social, isto para não falar dos graves e terríveis crimes do tráfico de pessoas ‘online’, prostituição ou mesmo a encomenda e transmissão em direto de atos de abuso e de violência contra menores noutras partes do mundo”, alertou.

 

5. O Papa considera que as novas tecnologias facilitam a mudança de género. Dirigindo-se à Pontifícia Academia para a Vida, a 5 de outubro, Francisco afirmou que esta “utopia do neutro” coloca em perigo a criação de nova vida. “A utopia do neutro remove, ao mesmo tempo, a dignidade humana da constituição sexualmente diferente e a qualidade pessoal da transmissão geradora da vida”, referiu, acrescentando que “a manipulação biológica e psíquica da diferença sexual, que a tecnologia biomédica permite, disponibilizando uma liberdade de escolha – que na verdade não dá! – é provável que destrua a fonte de energia que alimenta a aliança do homem e da mulher e a torna criadora e fecunda”.

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