Lisboa |
Cónego Pires de Campos (1925-2017)
Um sacerdote que envolvia a todos
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Colegas sacerdotes lembram o cónego Pires de Campos (o terceiro na fotografia, a contar da esquerda) como um homem de “uma grande delicadeza”, com “grande capacidade de leitura da realidade” e com uma importância relevante na formação sacerdotal de muitos seminaristas que passaram pelo Seminário de Almada. O cónego Pires de Campos faleceu em Lisboa, no passado dia 22 de outubro, com 92 anos de idade.

 

Apesar de ser natural da Paróquia de Cedofeita, no Porto, foi em Lisboa que Manuel de Jesus Ferreira Pires de Campos foi ordenado sacerdote, em 1951, pelo então Cardeal Cerejeira. Foi também no Patriarcado, que este sacerdote desempenhou o seu ministério sacerdotal, durante 66 anos, em várias missões que lhe foram confiadas. Para além de ter sido coadjutor da Paróquia de Santo Condestável, pároco da Ota, capelão da Força Aérea Portuguesa, reitor da igreja da Conceição Velha, em Lisboa, e secretário particular do Cardeal D. António Ribeiro, foi no então Seminário diocesano de Almada que o cónego Pires de Campos desempenhou uma parte significativa da sua missão pastoral. “Foram 11 anos a viver na mesma casa”, lembra, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o cónego Daniel Batalha Henriques, que esteve no Seminário de Almada, entre 1982 e 1986, como seminarista e, mais tarde, entre 1990 e 1997, como membro da equipa formadora da qual o cónego Pires de Campos fez parte. “Era um homem de uma grande delicadeza, de uma simpatia muito grande, afável. Tinha problemas graves de saúde, especialmente a nível ósseo, e caminhava com muita dificuldade. Teve imensas dores, mas nunca ninguém ouviu queixar-se da sua saúde. Como vice-reitor, foi alguém que procurou fazer sempre as pontes. Guardo dele muitas saudades, muitas memórias de o ter conhecido e de ter vivido com ele este tempo todo”, recorda, grato, o atual pároco de Torres Vedras, sublinhando a preocupação que o então vice-reitor tinha para saber “se estaria bem e integrado” na equipa formativa e o especial “cuidado” com que o sacerdote procurava desempenhar a gestão da casa.

 

Edificante

A especial preocupação com o economato da casa de formação foi também valorizada, ao Jornal VOZ DA VERDADE, por D. José Traquina, atual Bispo Auxiliar de Lisboa, que pertenceu à equipa formadora, entre 1984 e 1992. “Aprendi com ele várias dimensões, desde a maneira de estar como padre na área da formação, e até sobre o arranjo da casa. De acordo com os orçamentos possíveis, ele queria as coisas com a melhor qualidade e com bom gosto. Era uma casa que assim o exigia. Era uma pessoa que se pautava com grande nível, além de ser uma pessoa com muita leitura e interessado por cultura geral. Era sempre um encanto estar com ele. Senti um apoio e uma graça enorme de conviver com aquele senhor”, lembrou o agora Bispo eleito de Santarém, enaltecendo, igualmente, a importância do cónego Pires de Campos para os seminaristas: “O cónego Pires de Campos era uma figura de grande estatura enquanto formador e com uma grande capacidade de leitura da realidade, no que é ajudar uma pessoa a crescer. Sendo o Seminário de Almada, na altura, um seminário vocacional, onde era preciso ajudar pessoas a crescer, era um responsável da casa que nos descontrairia e nos ajudava bastante. Todos sentimos bastante segurança na sua maneira de ser. Acresce a capacidade humana de observação e ajuda, uma alegria pessoal, uma disposição e um bom espírito que a todos nos edificava. Sentíamo-nos muito bem à sua volta”, acrescenta.

 

Uma família

Dos momentos que viveram juntos na equipa formadora, D. José Traquina recorda a “grande preocupação” do cónego Pires de Campos em saber como estava a preparação da festa anual do padroeiro. “Só tínhamos 15 a 20 dias para preparar a festa do padroeiro. Eu era novo e ele estava sempre naquela dependência para saber se a festa estava bem preparada ou não. Depois ficava muito contente e felicitava-nos imenso porque as coisas correram bem. O cónego Pires de Campos queria sempre o melhor e não se contentava com uma coisa de qualquer maneira”, recorda.

Também os momentos de convívio são relembrados por D. José. Segundo o prelado, sempre que a equipa formadora se reunia fora do seminário “ele gostava de marcar o momento” do ponto de vista cultural. “Um dia fomos até Évora, ao Mosteiro da Cartuxa, fazer a nossa reunião. Fomos também uma vez à terra da sua família, em Braga”, referiu. “Não era uma equipa de trabalho que só funcionava dentro daquele espaço geográfico que era o seminário, mas era uma equipa que se fortalecia com ele, com um relacionamento humano qualificado. Era uma amizade que crescia. Isso, claramente, era próprio dele. Quer na relação com os alunos que nos envolvia a todos, quer com a equipa nas próprias reuniões de preparação, sobretudo no princípio e no final do ano, ele arranjava sempre forma de ter ali um elemento de inovação para nos deixar bem e motivados”, recorda D. José Traquina do tempo que viveu com o cónego Pires de Campos que faleceu, no passado dia 22 de outubro, com 92 anos, em Lisboa.

 

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Bispo de Setúbal lembra cónego Pires de Campos

D. José Ornelas enviou uma mensagem ao Cardeal-Patriarca de Lisboa manifestando “pesar” pelo falecimento do sacerdote que viveu uma parte da sua vida no Concelho da Amora, no Seixal. “Em todo o tempo que esteve mais perto de nós, era frequente a sua presença amiga, a sua palavra de estímulo, a colaboração que a idade e o estado de saúde lhe permitiam”, escreveu D. José Ornelas, na mensagem.

texto por Filipe Teixeira; foto do arquivo do cónego Daniel Batalha Henriques
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