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Católicos e luteranos elogiam clima de diálogo
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O Vaticano e Federação Luterana Mundial assinaram uma declaração conjunta. Nesta semana, o Papa Francisco lembrou que “fomos criados para amar e ser amados”, apelou ao diálogo europeu, conversou com astronautas e recebeu em audiência a Universidade Católica Portuguesa.

 

1. No dia em que foi encerrada a “comemoração comum” dos 500 anos da reforma protestante, a 31 de outubro, o Vaticano e a Federação Luterana Mundial publicaram uma declaração conjunta elogiando o clima de diálogo entre católicos e luteranos. “Pela primeira vez, luteranos e católicos consideraram a Reforma de uma perspetiva ecuménica, o que deu lugar a uma nova visão sobre os acontecimentos do século XVI que levaram à nossa separação”, assinalam os signatários. O documento foi publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé no dia em que se completam cinco séculos sobre a afixação das 95 teses de Martinho Lutero, na Alemanha. “Pedimos perdão pelos nossos fracassos, as formas com que os cristãos feriram o Corpo do Senhor e se ofenderam uns aos outros durante os 500 anos que decorreram desde o início da Reforma até hoje”, refere o texto.

O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, da Santa Sé, e a Federação Luterana Mundial mostram-se, sobretudo, agradecidos pelo “caminho ecuménico” percorrido nos últimos 50 anos. “Essa peregrinação, apoiada pela nossa oração comum, o culto e o diálogo ecuménico, resultou na eliminação de preconceitos, uma maior compreensão mútua e a identificação de acordos teológicos decisivos”, lê-se.

 

2. O Papa Francisco recordou o “grande mandamento” do amor a Deus e ao próximo, que considerou a mensagem central de Jesus e um desafio a todos os cristãos. “Aquilo que Jesus propõe é um ideal notável, que corresponde ao desejo mais autêntico do nosso coração. Na realidade, fomos criados para amar e ser amados”, referiu, na oração do Angelus, no passado Domingo, 29 de outubro. Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco sublinhou que a intervenção de Jesus surgiu num diálogo com os fariseus, que procurava ajudar a “restabelecer aquilo que conta verdadeiramente” na prática religiosa. “Podes fazer muitas coisas, cumprir muitos preceitos, tantas coisas boas, mas se não tiveres amor, isso não serve”, assinalou.

 

3. O Papa Francisco apelou ao diálogo como “responsabilidade fundamental da política”, considerando que “infelizmente” se vê, “com frequência, como o diálogo se transforma em lugar de confronto entre forças adversárias”, reforçando mesmo que “a voz do diálogo é substituída por gritos e reivindicações”. Num encontro, no Vaticano, no passado sábado, 28 de outubro, sobre o contributo dos cristãos para o futuro do projeto europeu, Francisco sublinhou que os cristãos “são chamados a favorecer o diálogo político e dar de novo dignidade à política”, entendida como o “maior serviço ao bem comum” e “não como uma forma de poder”.

 

4. O Papa esteve, na tarde do passado dia 26 de outubro, em diálogo com os seis astronautas da Estação Espacial Internacional, colocando várias perguntas. A primeira questão foi no sentido de saber como os astronautas encaram as grandes questões da humanidade. “De onde vimos, para onde vamos. À luz da vossa experiência no espaço, o que pensam do lugar do homem no universo?”. A resposta foi dada pelo astronauta italiano Paolo A. Nespoli. “Eu sou um homem prático, um engenheiro. Mas, quando penso nestas questões, fico perplexo. Penso que o nosso objetivo, cá, é de contribuir para o conhecimento. A nossa essência é o conhecimento. Quanto mais conhecemos, mais nos damos conta de que sabemos pouco”, respondeu, dizendo ansiar o dia em que “pessoas como você, teólogos, filósofos, poetas, escritores, possam vir ao espaço para ver o que vos diz ver o homem no espaço”. Já o americano Randi Bresnik disse que aquilo que lhe dá mais alegria é “olhar pela janela e ver a criação de Deus pela sua própria perspetiva”. “Não é possível vir até aqui e ver a indescritível beleza do nosso planeta, sem ser tocado na alma”, apontou o astronauta.

O Papa despediu-se tratando-os como “irmãos” e justificando: “Porque vos sinto representantes da humanidade”. “Agradeço do coração esta conversa, que muito me enriquece. O Senhor abençoe o vosso trabalho e as vossas famílias. Asseguro que rezo por vocês, rezem também por mim”, pediu Francisco.

 

5. O Papa propôs três reflexões à comitiva da Universidade Católica Portuguesa (UCP), em torno das três palavras que constituem o nome da instituição, na audiência que concedeu no Vaticano, por ocasião dos 50 anos da UCP.

A natureza e missão da “universidade” deve abraçar todo “o universo do saber no seu significado humano e divino”, mas “a verdade é mais do que o mero saber”, afirmou Francisco. O desejo do Papa é que os alunos não olhem os graus universitários como sinónimos “de maior posição”, de “mais dinheiro” ou “prestígio social”, mas sim com “maior responsabilidade face aos problemas de hoje”, “ao cuidado do mais pobre” e “do meio ambiente”. “Não basta realizar análises e descrições da realidade; é necessário gerar espaços de verdadeira pesquisa, que geram alternativas ás problemáticas de hoje”, disse Francisco.

A palavra “católica” é a segunda reflexão proposta para recordar que “a verdade integral do Evangelho sobre o homem e o sobre o seu caminho moral” é válida para todos, mesmo “para os que não partilham desta fé”, porque “a sabedoria acumulada” pela comunidade crente, é “um tesouro de conhecimento e de experiência ética importante para toda a humanidade”.

Sobre o facto de a universidade ser “portuguesa”, Francisco evocou Fátima. Lembrou que “em Portugal se conservará o dogma da fé”, considerando ser esta “uma promessa do Céu deixada em Fátima há cem anos, tão consoladora como empenhativa”.

Durante a audiência, Francisco revelou ainda que lhe fez “muito bem à alma” poder inserir-se na oração do povo português e de todos os que se reuniram em Fátima para “venerar a Virgem Mãe”.

Durante a visita a Portugal, o Papa não pôde deslocar-se à sede da universidade, pelo que uma delegação de 150 pessoas, incluindo o Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, Magno Chanceler da UCP, viajou agora até à Santa Sé. A reitora da UCP, Isabel Capeloa Gil entregou ao Papa dois "presentes": o Fundo de Apoio Social Papa Francisco e uma cruz peitoral, “desenhada por uma jovem artista portuguesa, Carolina Curado, bióloga por formação e designer por vocação”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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