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“Na Eucaristia resplandece o amor de Deus”
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O Papa iniciou um ciclo de catequeses sobre a Eucaristia. Na semana em que alertou para a religiosidade de aparência, Francisco mostrou-se contra as reações discriminatórias e xenófobas, pediu orações pela Ásia e visitou um cemitério em Roma.

 

1. O Papa Francisco iniciou, nas audiências-gerais de quarta-feira, um novo ciclo de catequeses, centradas sobre o significado da Missa. “Nas próximas catequeses, quero debruçar-me sobre a Eucaristia e a Santa Missa, para descobrir como, através deste mistério da fé, resplandece o amor de Deus”, salientou, sublinhando que na Missa “tem lugar um acontecimento maravilhoso: torna-se presente Jesus Cristo, nossa vida. A Santa Missa é uma teofania: o Senhor torna-Se presente no altar, para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo. Participar na Missa é voltar a viver a paixão e morte redentora do Senhor”.

O Papa deixou ainda um apelo aos pais: “Já viram como as crianças fazem o sinal da cruz? Nem se percebe o que fazem, se é o sinal da cruz ou um rabisco… É preciso ensinar as crianças a fazerem bem o sinal da cruz. Assim começa a Missa, assim começa a vida, assim começa o dia. Isto significa que somos redimidos com a cruz do Senhor. Olhem para as crianças e ensinem-nas a fazer bem o sinal da cruz”, convidou. Depois, sublinhou que a Missa não é um espetáculo. “Porque é que durante a Missa, a certa altura, o sacerdote diz ‘Corações ao alto?’. Não diz: ‘Telemóveis ao alto, para tirar uma fotografia!’. Não, isso é uma coisa feia! Digo-vos, dá-me tanta tristeza, quando celebro aqui na Praça ou na Basília e vejo tantos telemóveis levantados, não só entre os fiéis, mas também entre alguns padres e também Bispos!... Por favor! A Missa não é um espetáculo: é ir ao encontro da paixão e ressurreição do Senhor. Por isso é que o sacerdote diz: ‘Corações ao alto!’. E o que significa isto? Lembrem-se: nada de telemóveis!”, referiu o Papa, no encontro público semanal do passado dia 8 de novembro.

 

2. O Papa alertou para uma religiosidade de aparência, lamentando que haja pessoas que vivem apenas “a correr atrás” de honras e títulos. “Não devemos considerar-nos superiores aos outros, a modéstia é essencial para uma existência que quer estar conforme ao ensinamento de Jesus, o qual é manso e humilde de coração e veio não para ser servido, mas para servir”, referiu o Papa, antes da recitação do Angelus, no passado Domingo, 5 de novembro. Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco falou num “defeito frequente” em quem tem autoridade, seja civil, seja eclesiástica, que é exigir coisas aos outros, “ainda que justas”, que eles não colocam em prática. “Esta atitude é um mau exercício da autoridade, que, pelo contrário, deveria ter a sua primeira força precisamente no bom exemplo”, precisou, advertindo que a autoridade, se for mal exercida, se torna “opressiva, não deixa crescer as pessoas” e leva à corrupção.

Neste dia, um ex-militar norte-americano, chamado Devin Kelley, com historial de violência, entrou numa Igreja batista e disparou indiscriminadamente, matando 27 pessoas. O Papa enviou um telegrama ao Arcebispo da diocese de San Antonio, no Texas, dizendo-se “profundamente consternado pela notícia da perda de vidas e de ferimentos graves causados pelo ato de violência sem sentido, levado a cabo na Primeira Igreja Baptista em Sutherland Springs”. Francisco pediu ao bispo que transmita os seus pêsames sentidos “às famílias das vítimas e dos feridos, aos membros da congregação e a toda a comunidade local”. Na menagem, enviada a 7 de novembro, o Papa pede a Cristo que “console todos os que estão de luto e que lhes garanta a força espiritual que triunfa sobre a violência e o ódio, pelo poder do perdão, da esperança e do amor reconciliador”.

 

3. Ao receber os membros da Federação Internacional das Universidades Católicas, o Papa Francisco apelou à responsabilidade social para “a construção de um mundo mais justo e humano”. Na conclusão do encontro desta federação, realizado em Roma, de 1 a 4 de novembro, o Papa colocou em evidência três âmbitos da competência destas instituições: “pesquisa, ensino e promoção social”. “As universidades católicas sempre procuraram harmonizar a pesquisa científica com a teológica, mantendo o diálogo entre fé e razão”, todavia é fundamental fazer “estudos sobre as causas remotas das migrações forçadas, procurando soluções práticas para assegurar às pessoas o direito de não terem que emigrar”. “É igualmente importante refletir sobre as reações negativas, às vezes até discriminatórias e xenófobas, que a chegada dos migrantes suscita nos países de antiga tradição cristã, promovendo itinerários de formação das consciências”, salientou, pedindo a estas instituições universitárias para adotarem “programas para favorecer a instrução dos refugiados”.

 

4. Em vésperas de visitar a Ásia, o Papa pediu orações por este continente. “O que mais me impressiona na Ásia é a variedade de seus povos, herdeiros de antigas culturas, religiões e tradições. Neste continente onde a Igreja é uma minoria, o desafio é apaixonante”, referiu o Papa, em mais um ‘Vídeo do Papa’. Francisco visita a Birmânia, conhecida também como Myanmar, a partir de 27 de novembro, e dia 30 parte para o Bangladesh, onde estará até 2 de dezembro.

 

5. Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, o Papa Francisco presidiu à Missa no Cemitério Americano de Neptuno, em Roma, onde estão sepultados os soldados norte-americanos que morreram durante a II Guerra Mundial, tendo deixado um forte apelo ao fim da guerra no mundo, ao dizer “não mais” ao “massacre inútil” de vidas humanas, que custou a vida a tantos seres humanos, jovens, “milhares e milhares” de pessoas. “Hoje, quando o mundo está outra vez em guerra e se prepara para um conflito ainda mais forte, não mais, Senhor, não mais! Com a guerra perdemos tudo”, frisou.

Para o Papa, se a celebração dos fiéis defuntos representa “um dia de esperança”, pelos cristãos acreditarem que os seus entes queridos estão junto de Deus, é também uma “jornada de lágrimas”. Lágrimas por todos aqueles que no mundo sofrem com os conflitos, “que a humanidade não deve esquecer”, mas que parece “tardar em aprender a lição”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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