Missão |
Ana Sofia de Sousa Pereira, dos Jovens Sem Fronteiras
“A missão não termina, é infindável!”
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Ana Sofia de Sousa Pereira nasceu a 22 de fevereiro de 1989, na cidade do Peso da Régua, onde ainda hoje vive e trabalha. É licenciada em Serviço Social pela Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro. É membro dos Jovens Sem Fronteiras e, em 2014, esteve em missão na Guiné Bissau e, este ano, nos Açores.

 

“Não nasci para ter espaços em branco!”

Desde muito cedo sentiu que a sua vida “passaria pelo contacto com o outro”, o que ditou a sua escolha académica e profissional. Desde 2012 trabalha na Casa da Criança (um lar de infância e juventude que acolhe crianças e jovens em risco), na Santa Casa da Misericórdia do Peso da Régua. “Quem me conhece, sabe que não nasci para ter espaços em branco na minha agenda e na minha vida. Prefiro queixar-me do cansaço de não parar do que do cansaço de estar parada. Então, aliada à minha profissão, existe a caminhada enquanto Jovem Sem Fronteiras (JSF), na paróquia de São José de Godim.” Esta sua caminhada iniciou-se em 1994 ao iniciar o seu percurso de catequese. “Agradeço aos meus pais pela educação e valores que sempre me transmitiram, por me ajudarem a perceber qual o melhor caminho a seguir, e que Deus deveria estar sempre presente fosse qual fosse a minha escolha. Facilmente me inseri na minha comunidade paroquial, participando ativamente na catequese e na Eucaristia, cheguei inclusivamente a integrar o grupo de acólitos. A paróquia de São José de Godim pertence à congregação dos Missionários do Espírito Santo, e foi através dos padres espiritanos que por aqui passaram que conhecemos o movimento juvenil Jovens Sem Fronteiras. Em 2005 o grupo foi desafiado a rumar até às Jornadas Mundiais da Juventude, em Colónia, conjuntamente com outros JSF de todo o país. O desconhecido era uma certeza, a resposta foi imediatamente positiva. Foi o primeiro passo na minha caminhada de JSF, na qual continuo nos dias de hoje, e que muito orgulho me dá vestir a camisola JSF”, partilha.

 

A Guiné-Bissau é um amor para sempre

A sua caminhada tem evoluído “de forma natural e espontânea, tendo sempre como uma das principais metas o contacto com o outro”. É catequista e (com os JSF) visita os doentes, anima as Eucaristias e presta auxílio em tudo o que for necessário. “Foi surgindo depois a vontade de sair e ir ao encontro de pessoas que necessitam igualmente do nosso apoio. Participei em várias Semanas Missionárias, experiências missionárias com a duração de dez dias realizadas nas várias paróquias de Portugal. Também tive a oportunidade de rezar com os pés, participando nas peregrinações a Fátima e a Santiago de Compostela. Como é bom caminhar em silêncio, falar com Deus, escutar o que Ele tem para nos dizer. A vontade de ir mais longe foi estando sempre presente, principalmente quando ouvia testemunhos sobre o projeto Ponte. Os medos, receios e dúvidas foram tomando sempre conta de mim, levando-me a dizer ‘ainda não é agora’. Até que, com o regresso e testemunho do grupo que esteve em Moçambique no ano de 2013, eu senti que o agora tinha chegado. Senti que foi um sinal de Deus, a chamar-me para ir ao seu encontro através do outro. E eu fui. Em agosto de 2014 participei no projeto Ponte, na Guiné-Bissau. Um amor que ainda hoje ocupa grande parte do meu coração, ocupará para sempre. Não só pela terra que encontrei, mas sobretudo pelas pessoas com quem vivi naquele mês. Nunca esquecerei o calor de boas-vindas, os sorrisos sinceros, os abraços apertados, as bênçãos que davam a Deus (só) por estarmos ali, juntos. Quando falo da minha Guiné, falo com saudade, com um brilho no olhar, com um sorriso sincero e com uma vontade imensa de voltar. Há amores que não se explicam, apenas se vivem e sentem. O amor que ainda hoje sinto por todas aquelas pessoas é assim, inexplicável. Todos os medos e receios que possamos sentir são ultrapassados com este amor partilhado e vivido diariamente. A sua forma de viver humilde, genuína e feliz marca-nos para o resto da vida. ‘Os mesmos nunca podemos voltar’, é uma parte do hino que acompanhou este projeto. E é tão verdade, é impossível ficar indiferente ao que lá se vive e sente, a vida não é mais encarada da mesma forma. E voltar foi a parte mais difícil. Sabemos sempre que missão é partir e voltar, e é esta última a que mais custa. Há sempre tanto para fazer, um mês que passou tão rápido, as lágrimas caíam-me sem conseguir ter controlo sobre elas. Não queria deixar o sítio onde fui tão feliz por ver toda a felicidade que me rodeava. Voltar à realidade foi realmente difícil, dar testemunho desta experiência foi mais complicado ainda. A Guiné era um tesouro que, por ter sido tão especial, queria guardar só para mim. Até que, com o tempo e o distanciamento necessário, percebi que a partilha deste meu tesouro era essencial para que outros também pudessem vivê-lo e, assim, ajudar o outro. Foi através do diário de bordo, que escrevi durante aquele mês, que fui testemunhando este amor vivido, partilhando pequenos excertos”, diz-nos.

 

“A missão não se faz de paisagens!”

Em 2016 participou novamente nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Cracóvia, e diz-nos que “mais uma vez, as pessoas foram o melhor desta experiência, pela sua genuína maneira de ser na partilha de vivências e culturas.” Surgiu então a vontade de partir novamente em missão através do projeto Ponte. Sobre esta experiência conta-nos: “O passado mês de agosto foi vivido na paróquia da Calheta de São Miguel, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. De um lado, montanhas castanhas que, gradualmente, ganharam a cor verde com a chegada da tão esperada chuva. Do outro lado, o azul do mar que contorna toda a ilha. Mas a missão não se faz de paisagens. E, mais uma vez, as pessoas foram o melhor que encontrei. Com elas vivi o encontro, a partilha, a comunhão. Com este povo aprendi que mais do que fazer, partimos para ser e estar com eles. Fazer é necessário, mas deve ser complementar e não prioritário. O que realmente marca, nos outros e em nós, é a relação que estabelecemos. Recordo as eucaristias campais, com as paredes forradas de pessoas, montes e mar, e o teto repleto de um imenso azul do céu. Senti-me rodeada por uma imensa fé, inabalável e que contagia. Recordo também cada sorriso e abraço, cada gesto genuíno que juntos fomos partilhando. ‘Estamos juntos’ foi a frase que mais me disseram na despedida, quando deixei novamente de ter controlo sobre as minhas lágrimas. E hoje, passado um mês, continuo a sentir esta união, que não se apaga com os quilómetros que nos separam. Estamos juntos, na oração e no coração! Mais uma vez, voltar foi o mais difícil. Mas a missão não termina, é infindável. Todos os dias podemos (e devemos) ser missionários, basta que tenhamos a capacidade de olhar para a pessoa que está ao nosso lado. Porque para ser missionário não é só atravessar mares e oceanos, basta que queiramos fazer diferente cá para ajudar quem está lá, do outro lado do mundo. A Sol Sem Fronteiras é um exemplo disso mesmo, que através das várias parcerias que estabelece, inclusivamente com os Jovens Sem Fronteiras, faz com que o Sol, quando nasce, nasça para todos. E todos, sem exceção, podem fazê-lo também, basta que queiram”, partilha.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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