Lisboa |
25 anos da construção da igreja de Cristo-Rei da Portela
O centro da comunidade
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A Paróquia da Portela assinalou os 25 anos da construção da igreja, com o Cardeal-Patriarca – que vive na paróquia – a sublinhar a importância da “centralidade” que o templo oferece a toda a comunidade. O pároco, padre Alberto Gomes, recorda a história da criação da “desejada casa da Igreja” e do desafio comunitário que é “estar atento aos sinais dos tempos”.

 

Tal como há 25 anos atrás, aquando da dedicação da nova igreja, a Paróquia da Portela acompanhou novamente o Cardeal-Patriarca no percurso que fez, desde a sua residência, até à igreja paroquial da Portela. O curto caminho realizado, na manhã do passado Domingo, 19 de novembro, pretendeu assinalar o aniversário do dia em que, em 1992, o então Cardeal D. António Ribeiro inaugurou o espaço e dedicou a igreja a Cristo-Rei, Senhor do Universo. Os 25 anos desta efeméride foram assinalados com uma Missa presidida por D. Manuel Clemente que, aos paroquianos, lembrou os momentos que ele próprio viveu, durante a construção do templo, sublinhando a importância deste para a comunidade. “Este templo simboliza, antes de mais, a beleza de Cristo, ou seja, que Ele está no centro das nossas vidas, e assim mesmo se oferece a toda a comunidade envolvente”, referiu o Cardeal-Patriarca, lembrando a ação dos cónegos João Rocha e Manuel Gonçalves, que estiveram ligados à construção da igreja.

A partir do Evangelho em que Pedro responde a Jesus dizendo ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’, D. Manuel Clemente referiu que “a Igreja é o conjunto daqueles que, ao longo de tantas gerações cristãs, entram no diálogo e dão a resposta que Pedro deu. Parece fácil, mas não é. Muitos cristãos são perseguidos em todo o mundo”, assinalou.

 

Consolidar a comunidade

Na Portela desde 2010, o pároco, padre Alberto Gomes, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE a forma como a paróquia se encontra a viver este momento em que assinala os 25 anos da construção da igreja. “Esta celebração foi importante porque a construção da igreja foi algo que moveu muito esta comunidade, durante muitos anos. O sentir de que precisava da sua casa, a que nós chamamos igreja, mas sem esquecer que a Igreja é o povo de Deus que aqui se reúne. Foi muito importante a presença do senhor Patriarca, porque nos ajudou a celebrar. Ele, que vive na paróquia, teve uma presença sempre muito marcante na vida desta comunidade. Vemos isso agora, ao revermos fotografias antigas. É alguém da casa e isso é importante”, aponta o sacerdote, recordando a história que esteve na origem da construção do templo e que permitiu a “consolidação” da comunidade. “Tudo girava à volta da construção de um espaço próprio. Com a construção do bairro, no início dos anos 70, os católicos começam a juntar-se e a ter uma maior expressão. No ano de 1977, o Cardeal Ribeiro criou o vicariato paroquial. Nesse decreto ficou estipulado que os limites do vicariato iriam corresponder aos limites da freguesia civil que, entretanto, foi criada”, explica o pároco.

Com a comunidade ‘oficialmente’ criada, mas ainda sem um templo próprio para celebrar, foi no Seminário dos Olivais que os cristãos encontraram a sua sede provisória. “Ao Domingo, utilizava-se o oratório e o pavilhão B para a catequese. Aos dias de semana, a paróquia funcionava na capela da atual Casa Patriarcal, que hoje é a capela privada do senhor Patriarca. Nesse espaço, para além do culto, funcionavam todos os serviços paroquiais, tais como a secretaria e o gabinete do pároco”, lembra o padre Alberto Gomes.

 

Convergência

O desejo da comunidade paroquial começou a ganhar forma em 1987, com a colocação da primeira pedra da futura igreja. O projeto do arquiteto Luís Cunha ficou concluído em 1992 e reforçou a identidade dos lugares essenciais de uma comunidade. “Tudo na Portela tem um centro de convergência, onde se encontram os lugares mais importantes da vida de uma comunidade: o centro comercial, a igreja, a escola, a junta de freguesia e a associação de moradores. É curioso e não é muito comum nos dias de hoje”, destaca.

Os donativos dos moradores do bairro foram expressão do empenho de todas as pessoas que viam a igreja a ser construída. Mesmo com a inauguração e dedicação do templo, em 1992, a obra só ficaria totalmente concluída após alguns anos. O pagamento total de toda a construção ficou finalizado no ano 2000. “A obra é fruto desta comunidade, do esforço concreto. Houve pessoas que fizeram empréstimos à Igreja e que depois não quiseram receber, transformando-os em donativos. Hoje em dia, a casa da Igreja já está construída. Agora, há que construir o quotidiano da comunidade, respondendo aos novos desafios que vão surgindo”, aponta o pároco.

 

Sinais dos tempos

As alterações sociais foram ditando novos desafios e obrigaram, também, a Paróquia de Cristo-Rei da Portela a estar “atenta aos sinais dos tempos”. “Hoje, os sinais dos tempos são um pouco diferentes. Temos que andar numa constante procura daquilo que são os desafios que existem na vida das pessoas e que a Igreja pode e deve responder. Por isso, se há 20 ou 30 anos existiam grupos de jovens muito grandes, hoje, os grupos são mais pequenos. Há muitas solicitações para os jovens e nós vamos procurando aquilo que pode ser a resposta. Já não é um trabalho de massas, como foi noutros tempos, mas de ‘pesca à linha’. Contudo, os que estão, estão mais comprometidos e de uma forma mais consciente. Vão por uma opção de vida e não pelo facto de todos os amigos lá estarem”, considera o padre Alberto.

 

Integrar

Na catequese, o atual número de 600 crianças inscritas é “bastante bom” e, ao mesmo tempo, contrastante com uma paróquia envelhecida. “A ligação familiar faz com que, muitas vezes, sejam os avós a trazerem as crianças à catequese”, conta o sacerdote, de 54 anos, que tem dois núcleos catequéticos na sua paróquia: um na igreja paroquial, onde estão a maior parte das crianças e adolescentes, e outro no Externato São Miguel Arcanjo.

A análise dos números de batismos realizados há 8-9 anos veio confirmar que “correspondem aproximadamente” ao número de inscritos atualmente na catequese. “Isto é um sinal positivo, mas não deixa de ser desafiante para continuarmos a perceber como podemos chegar a mais. Há caminho a fazer, até porque os pais, muitas vezes, mandam os filhos para a catequese para obterem os ‘diplomas’, mas faltando com o acompanhamento em casa. É um ponto frustrante de qualquer catequese e continua a ser um grande desafio”, aponta o padre Alberto Gomes.

A presença de vários grupos de jovens na Paróquia da Portela tem vindo a ter uma expressão menor, mas existe um trabalho de integração. “Estamos a tentar envolver os jovens, antes de terminarem os 10 anos de catequese, noutros serviços na paróquia, para que estejam integrados noutras missões, como por exemplo nos acólitos, no coro da Missa Dominical das 19 horas e nos escuteiros, que contam com 130 elementos”, refere.

A Pastoral Familiar da Paróquia da Portela é formada por “grupos bastante consolidados”, que trabalham nos Centros de Preparação para o Matrimónio e Centros de Preparação para o Batismo.

 

Resposta social

Com um “peso muito grande” na paróquia, a Conferência Vicentina, através da obra de Nossa Senhora da Purificação, dá assistência a muitas famílias carenciadas que, após alterações à delimitação da paróquia, introduziu alguma habitação social. No entanto, a resposta social da Igreja é completada pelo Centro Social Paroquial através do apoio domiciliário e do centro de convívio.

Atualmente, o grupo de movimentos com maior expressão na Paróquia da Portela é constituído pelo Apostolado de Oração, grupos de oração ligados ao Renovamento Carismático, a Legião de Maria e os Cursos Alpha, que têm congregado 60 pessoas, por ano, e têm dado origem aos Grupos de Jesus. Existem igualmente outros movimentos na paróquia, mas com menor expressão, como é o caso do movimento Vida Ascendente e do Caminho Neocatecumenal.

Para o futuro, o desafio da paróquia é “estar atenta aos sinais dos tempos”. “Perceber, em cada momento, aquilo a que temos de responder. Porque o que é hoje a resposta, daqui a um ano pode já não ser, por não ter essa necessidade ou por não haver essa procura. Não devemos ter medo de mudar as respostas”, sublinha o padre Alberto Gomes.

 

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Paróquia de vocações

Foram várias as vocações que nasceram na Paróquia de Cristo-Rei da Portela. Atualmente, são quatro os sacerdotes oriundos da paróquia – padres Carlos Silva, João Vergamota, Alexandre Palma e Pedro Boléo – e existem ainda três diáconos permanentes: Pedro Moutinho, José Paulo Romero e Alberto Castro Ferreira. A paróquia tem também um seminarista, Francisco Moutinho, que frequenta o Seminário de São José de Caparide.

Desde a sua criação, a Paróquia da Portela também tem contado com o trabalho pastoral de seminaristas do Seminário dos Olivais.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Diogo Paiva Brandão e Paróquia da Portela
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