Doutrina social |
1º Dia Mundial dos Pobres
A pobreza no âmago do Evangelho
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À luz do Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente… intui que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo Extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. (Papa Francisco, ‘Misericordia et Misera’, nº 21)

 

A razão para um dia especial

Porquê mais um dia especial no meio de tantos outros? E porquê um Dia do Pobre, uma categoria que ninguém gosta de encarnar porque entendida como limitadora da dignidade e da liberdade? E porquê nestes dias em que a Igreja se prepara para viver a solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, uma dimensão associada ao poder, à honra e à glória? Na mesma carta o Papa dá logo a resposta: “Será um dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e a tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa” (cf. Lc 16,19-21).

 

Mais do que uma ideia, uma convicção profunda

Mais do que uma ideia, trata-se de uma convicção estruturante do Papa como pessoa e como pastor. Fiquei surpreendido quando vi a notícia e a imagem do Arcebispo de Buenos Aires no meio dos “cartoneros”, catadores de papel, a celebrar a fé de quem acredita num Deus que ama a todos e por isso dá uma atenção especial ao mais frágil. Alguns se terão escandalizado, mas também Jesus veio para ser essa pedra de escândalo, que desperta o adormecido para o que é importante na vida. E nessa altura nem por sombras passaria pela cabeça de alguém a ideia de que esse Pastor pouco ortodoxo viria a pastorear a Urbe e o Orbe. Quando foi apresentado como Francisco também surpreendeu ao dizer que chegava do “fim do mundo” e pedindo que rezassem por ele. A partir daí não tem deixado de, com gestos simples, apontar para realidades profundas, a maior das quais é a alegria do Evangelho (o nome da sua primeira Encíclica), a boa notícia que “enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG, nº1). Gestos repetidos quando vai ao balcão da Casa de Santa Marta pagar a estadia, quando deixa o carro papal para tomar o autocarro em que seguem os outros, quando vai à ótica mudar os óculos, quando convida os sem-abrigo para uma refeição e para uma visita guiada à Capela Sistina, quando dá indicações para a instalação de chuveiros e de uma lavandaria para os mesmos. Ou quando, como na visita a Bolonha, no passado dia 1 de Outubro, quis tomar uma refeição com pobres, refugiados, doentes e reclusos na Basílica de S. Petrónio. Mais uma vez alguns se escandalizaram quando ele quis manifestar que “a Igreja quer os mais pobres no centro”, porque “Jesus não descarta ninguém, não despreza ninguém”. E ele fez saber que “A Basílica existe para guardar o Corpo de Cristo, e nós servimos o corpo sofredor de Jesus servindo o pobre”. Afinal é o objetivo apontado no início do pontificado dizendo que queria uma Igreja pobre para os pobres.

 

Dar espaço à imaginação

No nº 18 da ‘Misericordia et Misera’, Francisco escreve: “É a hora de dar espaço à imaginação a propósito da misericórdia para dar vida a muitas obras novas, fruto da graça. A Igreja precisa de narrar hoje aqueles «muitos outros sinais» que Jesus realizou e que «não estão escritos»” (Jo 20, 30). A autêntica Tradição não se identifica com a cristalização ou fossilização de doutrinas, mas sim com o esforço constante para descobrir Deus e O anunciar aqui e agora, o que exige a tal “imaginação” para fazer a ponte entre a imensidade d’Ele e a contingência das criaturas.
Foi há dias que familiares e amigos do Professor Alfredo Bruto da Costa celebraram, com sentido pascal e de gratidão, o primeiro aniversário da sua morte. Ele encarnou aquela pobreza que enriquece, a pobreza de espírito de quem reconhece que tudo o que recebeu constitui dom para ser repartido pelos outros. A sua sabedoria e competência foram tão grandes como a preocupação pela outra pobreza, a tal que não dignifica, que não dá vida e que é obrigatório ir erradicando. Ele gostava de ouvir falar de caridade, mas com a justiça a acompanhá-la, porque aquela exige esta. Ele aliou a profundidade à simplicidade e a sabedoria à luta contra a pobreza que faz deste mundo mais um inferno do que uma casa comum. Ele assumiu o apelo do Apóstolo que o Papa tomou como tema da sua mensagem para o 1º Dia Mundial dos Pobres: “Não amemos com palavras, mas com obras” (1Jo 3,18).

texto por Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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