Missão |
Margarida Catarino, Jovens Sem Fronteiras da Benedita
Sentir e acolher o verdadeiro ‘Toque da Missão’
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Margarida Catarino nasceu a 17 de Fevereiro de 1988, no Hospital da Nazaré. Vive na freguesia da Benedita, no concelho de Alcobaça, e é licenciada em Serviço Social pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria. É membro dos Jovens Sem Fronteiras da Benedita e já esteve em missão em Angola e em Cabo Verde.

 

Frequentou os estabelecimentos de ensino locais nas primeiras etapas formativas. Optou por ter a disciplina de Educação Moral e Religiosa e diz-nos que teve “a sorte de encontrar professores que despertaram em mim o interesse pelo espirito missionário”. Em 2006 ingressou no Ensino Superior. “Confesso que foi difícil escolher o curso, mas não tinha dúvidas num aspeto – gostava de uma área na qual pudesse contactar com pessoas, dentro da imensidão que é a diversidade humana. Então, acabei por entrar no curso de Serviço Social, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, curso que terminei em 2009”, partilha. Trabalha no Centro de Educação Especial Reabilitação e Integração de Alcobaça (CEERIA) como Assistente Social e coordenadora da Equipa Local de Intervenção Precoce (ELI) de Alcobaça e Nazaré. “Para mim é mais do que um trabalho… é também uma missão”, diz.

 

Perto e longe

Nasceu numa família cristã e considera que lhe deve muito do seu “percurso missionário até hoje”. No 10º ano de catequese foi convidada pelo seu catequista para fazer parte do grupo de Jovens Sem Fronteiras da Benedita. “A alegria do espirito missionário e vida comunitária deste movimento ligado aos Missionários do Espirito Santo, cativou-me até hoje! O lema dos Jovens Sem Fronteiras ‘Estar perto dos que estão longe sem estar longe dos que estão perto’ levou-me a entender e sentir de que forma podemos encontrar e partilhar o amor de Jesus na relação com os outros, quer estejam perto de nós (na nossa casa, no nosso trabalho, nos nossos amigos) ou um pouco mais longe (numa terra vizinha, na outra ponta do país ou no outro lado do mundo).” Em 2006 teve a experiência de uma Semana Missionária em Izeda (Bragança) e em 2008 no Teixoso (Covilhã). “Foram 10 dias nos quais vários Jovens sem Fronteiras, de norte a sul do país, puderam dar um pouco de si às pessoas destas comunidades, quer as crianças, quer os idosos, reclusos e todas as pessoas que nos acolheram na sua aldeia. Foram 10 dias que também nos fizeram trazer o coração mais rico, com tudo o que recebemos das pessoas com as quais nos cruzámos”, partilha.

 

Sair da zona de conforto

Em 2011 sentiu a necessidade de ir mais longe e sair da sua “zona de conforto e partir rumo ao desconhecido, procurando esta partilha de fé e do amor de Deus além-fronteiras, num outro país, numa outra cultura”. Participou “no projeto Ponte 2011, com o lema: ‘Rebentos de amor, coração na missão’, que teve lugar na missão de Kalandula, na província de Malange (Angola)”. “O nome deste projeto fez todo o sentido, pois senti-me ligada à outra margem, a este povo… e esta ponte levou um pouco da nossa fé e do nosso ser, mas também trouxe muito da essência das pessoas que nos acolheram, da sua fé, da sua alegria… Foi um mês que passou a correr e sem dúvida que o meu coração ficou nesta missão e neste povo angolano, que tão calorosamente nos acolheu. Muitas são as memórias e as pessoas que ficaram guardadas em mim. Depois desta experiência, continuei a participar nas atividades do movimento e passei também a ter uma maior ligação com a Sol Sem Fronteiras, participando nas equipas de voluntários da mesma. Para mim a experiência de missão em Angola tinha sido tão marcante, que não imaginava voltar a participar num projeto deste género. No entanto, de acordo com as palavras que guardei do amigo padre Miguel Ribeiro (coordenador nacional dos Jovens Sem Fronteiras): a diferença entre o voluntariado e o voluntariado missionário é que, no voluntariado típico, a vontade parte da própria pessoa, já no voluntariado missionário, mais do que uma vontade pessoal, é também a vontade de Deus. Por isso, em Agosto de 2017, Deus levou-me a voltar a participar no projeto Ponte, desta vez em Cabo Verde, mais concretamente na paróquia da Calheta de S. Miguel (Ilha de Santiago). Em Cabo Verde encantou-me a fantástica paisagem natural característica desta ilha rodeada pelo azul do mar e pelo castanho das montanhas, com uma dimensão difícil de descrever! Mas, mais encantadora que a paisagem natural, foi sem dúvida a paisagem humana… Pessoas que nos acolheram de coração aberto, que nos abriram a porta da sua casa, que partilharam sorrisos, abraços, vivências… Pessoas que partilharam connosco momentos de fé nas eucaristias, momentos de oração e no espirito de cooperação e entreajuda. A união que sentimos a este povo era tal, que partilhámos a alegria das primeiras chuvas para regar as sementeiras, que trazem os alimentos para o ano que se segue. Foi nesta partilha recíproca com as pessoas que de forma tão simples e genuína nos acolheram, que pudemos sentir e acolher o verdadeiro ‘Toque da Missão’, lema que nos acompanhou durante este projeto. Tal como em Kalandula, encontrámos nos padres e seminaristas da congregação dos missionários do Espirito Santos e irmãs de várias congregações verdadeiros exemplos de entrega e espirito de doação diária aos outros, numa missão que prevê durar toda a sua vida. O nosso trabalho missionário incidiu em seis comunidades desta paróquia – Achada Laje, Achada Monte, Calheta, Flamengos, Principal e S. Miguel – cada uma delas com uma diferente beleza natural e humana. O principal foco do nosso trabalho passou maioritariamente pelas áreas da Música, Português, Inglês, Pedagogia, Informática, ATL, Saúde, Pastoral e participação nas atividades da paróquia, de acordo com a realidade de cada comunidade. No entanto, considero que mais do que ensinar, fomos partilhar e aprender de forma recíproca uns com os outros. Acredito que o fica, mais do que o que ensinámos, é o que somos e o que fomos em conjunto durante este mês de missão. E muito deste ser e estar também foi vivido nas visitas às casas das pessoas, que era feito diariamente, percorrendo as várias comunidades. As pessoas acolhiam-nos na sua casa alegremente partilhando a sua mesa… As crianças ofereciam-nos sorrisos genuínos, gargalhadas, brincadeiras, ou um simples olhar envergonhado que esperava umas cócegas para sorrir! Mais uma vez o mês passou a correr… e ficamos sempre com a vontade de ficar mais tempo, de viver ainda mais esta missão. Mas esta é uma missão que não terminou com o nosso regresso. É uma missão que vai continuar sempre no nosso coração, no coração das pessoas da paróquia da Calheta e das pessoas que, não estando presencialmente connosco em Cabo Verde, fizeram parte deste projeto, quer pelo apoio prestado, quer pela oração! Todos nós acolhemos o toque da missão”, partilha.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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