Lisboa |
Visita Pastoral à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima
Desafio de construção da comunidade
<<
1/
>>
Imagem

Em pleno coração da cidade, a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima aponta a “construção da comunidade” como o principal objetivo. Durante a Visita Pastoral a esta paróquia da Vigararia Lisboa IV, D. Joaquim Mendes apelou ao “protagonismo dos jovens” e propôs “amor e ternura” no cuidado aos mais idosos.

 

Na Missa que marcou o encerramento da Visita Pastoral nesta paróquia, no dia 17 de dezembro, o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes destacou a “graça” que a comunidade e ele próprio receberam. “A visita pastoral faz-nos sentir família, Igreja, povo de Deus em caminho e em missão, na diversidade e riqueza dos dons, carismas e ministérios. Faz-nos descobrir a beleza da Igreja-comunhão e caminhar juntos, na missão de anúncio e testemunho do Evangelho”, referiu D. Joaquim Mendes, na homilia da celebração, exortando os fiéis a colocarem a Palavra de Deus no centro das suas vidas: “Todos estamos convocados para um esforço pastoral, para que a Palavra de Deus ocupe um lugar central na vida de cada um de nós, na família, na Igreja e em toda a ação pastoral. Todos estamos convocados a fazer da Igreja uma família de famílias e uma família para os que não têm família, sendo uma comunidade aberta, com um coração materno, que acolhe, escuta, ama, cuida e cura as feridas com o bálsamo da misericórdia”.

 

Construção de comunidade

Nos dias anteriores, D. Joaquim Mendes ficou a conhecer os diversos grupos e outras realidades eclesiais da Paróquia de Fátima. Na reunião com o Conselho Pastoral, que decorreu na noite do dia 14 de dezembro, o Bispo Auxiliar de Lisboa referiu a importância deste órgão que “coopera com o pároco na ação pastoral da paróquia”. “Se funciona bem é um excelente instrumento de unidade na comunidade e de corresponsabilidade que pode dar um impulso decisivo para a renovação da paróquia, promovendo a participação dos leigos em cada sector, vendo a participação de todos e valorizando os carismas e ministérios”, apontou D. Joaquim Mendes, sublinhando igualmente que aquela é “uma estrutura fraterna de coresponsabilidade e um instrumento pastoral ao serviço da evangelização da paróquia”.

Em plenário, os elementos que compõem o Conselho Pastoral da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima apontaram a necessidade de “construção da comunidade” como o primeiro desafio. “Apesar de sentirmos que isso tem sido feito ao longo dos últimos anos, também sentimos que é sempre insuficiente e que deveria sempre avançar nesse sentido. Numa paróquia como a nossa, há imensa gente que vem para o seu trabalho durante o dia e depois ‘desaparece’ à noite. As pessoas que vivem cá encontram-se bastante dispersas e, por isso, é um desafio que se coloca à Igreja”, apontaram alguns elementos do Conselho Pastoral.

D. Joaquim Mendes assinalou a observação como “um desafio grande” que se enfrenta na pastoral urbana. “Tem de haver um núcleo congregador e um dos elementos que me parece importante para isso acontecer é o acolhimento. Desde as suas origens, Lisboa tem uma raiz cosmopolita, até mesmo no clero onde existem cerca de 25 nacionalidades diferentes. A construção da comunidade é um desafio, mas é também uma riqueza se nós conseguirmos fazer acolhimento, criar uma relação, sermos o núcleo agregador, para que que as pessoas se sintam em casa”, referiu D. Joaquim Mendes.

 

Jovens protagonistas

Sobre a apontada falta de integração dos jovens na comunidade paroquial, o Bispo Auxiliar de Lisboa recordou o recente inquérito com vista à preparação do Sínodo dos Bispos, em 2018, que questiona sobre se os jovens têm espaço na comunidade. “Os adultos comprometidos dão-lhes espaço, convidam-nos a participar, a serem responsáveis e protagonistas? Eu tenho dúvidas”, respondeu, apelando a um “caminho de encontro” entre os movimentos juvenis e a comunidade, e vice-versa. “É preciso que os jovens se sintam amados na comunidade cristã. A comunidade cristã não pode ser estéril, tem que ser geradora de novos de desafios”, sublinhou D. Joaquim Mendes, lembrando igualmente o problema da solidão, em particular, entre os mais idosos. “Existem muitos lares bons, com boas condições, mas não chega. As pessoas não precisam de coisas, de bens materiais, precisam de amor, de ternura”, apontou.

 

Congregar

No final de sete dias de Visita Pastoral à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, entre 11 e 17 de dezembro, o pároco, cónego Luís Alberto Carvalho, faz ao Jornal VOZ DA VERDADE um “balanço muito positivo”. “É difícil destacar alguns momentos da Visita Pastoral. Foi algo muito bom para toda a gente. D. Joaquim Mendes teve sempre uma presença muito próxima e as pessoas ficaram muito agradadas”, observa o sacerdote, de 63 anos. Além dos encontros com os diversos serviços paroquiais e com grupos da catequese, D. Joaquim Mendes visitou igualmente as seis casas de religiosas que estão sediadas na paróquia. “O contacto de D. Joaquim Mendes, marcado pela simplicidade e proximidade, conquistou as pessoas”, garante o cónego Luís Alberto.

Chegado à paróquia em 2008, este sacerdote conta a sua experiência de como é necessário colocar a “construção da comunidade” como objetivo primeiro da pastoral. “Esse é o grande desafio desta paróquia e de todas as paróquias de meio urbano, onde existe muita mobilidade. Esta paróquia não tem facilidade de ter espaços físicos que proporcionem um encontro, o estar com as pessoas. É uma paróquia que é muito de passagem e isso vê-se na comunidade heterogénea que se reúne ao Domingo, em cada Missa. Há várias ‘comunidades’, consoante a Missa que estamos a falar. Só é possível congregar quando há facilidade em criar laços humanos de relação, de conhecimento. Penso que há um longo caminho, que já fomos percorrendo, mas que continua a ser um grande desafio que permanece”, observa o cónego Luís Alberto, dando como exemplo a sua experiência, pouco tempo após ter sido nomeado pároco de Nossa Senhora de Fátima: “Aconteceu-me, como pároco, descobrir que já conhecia melhor algumas pessoas do que elas entre si. Falo de gente inserida na comunidade. Não é fácil a dinâmica de encontro”. 

 

Primeiro anúncio

A frequência dominical, no total das Missas na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, ronda os 1300 fiéis. Apesar de ser uma zona densamente habitada, durante a semana, por jovens estudantes, a participação juvenil na comunidade paroquial é escassa. “Temos poucos jovens. Os escuteiros têm um efetivo de 50 a 60 elementos, existe um pequeno grupo de adolescentes e jovens, com cerca de 30 elementos e, do 1º ao 6º ano da catequese, temos perto de 90 crianças”, descreve. Contudo, estes números não evidenciam uma comunidade envelhecida, assegura o pároco. “Existem muitos jovens que estão ligados a movimentos, tais como Schoenstatt, Equipas de Jovens de Nossa Senhora, CUPAV e muitos também têm catequese nos colégios que frequentam”, refere o cónego Luís Alberto.

Para o futuro, o objetivo é continuar o desafio já anteriormente identificado pela paróquia. “No Conselho Pastoral Paroquial temos feito a reflexão. A nossa dificuldade é depois conseguir passar para ação. Faltam-nos braços de trabalho. Os grandes desafios continuam ser os de conseguir congregar as pessoas. Depois, o primeiro anúncio, que é a comunidade sair e ir ao encontro dos outros”, desejou o cónego Luís Alberto, priorizando a população estudantil e idosos – “muitas vezes sozinhos” – como os principais destinatários da missão.

texto e fotos por Filipe Teixeira
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
Isilda Pegado
1. Neste tempo, em que o individualismo parece imperar, apesar da destruição que gera na Sociedade,...
ver [+]

P. Duarte da Cunha
Que todos os homens querem ser felizes não parece ser objecto de discussão entre pessoas sãs. Todos queremos, de facto, ser felizes.
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES