Missão |
Filipa Faustino, GAS Tagus
“Com esforço e dedicação as coisas acontecem!”
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Filipa Faustino tem 27 anos e é natural de Évora. Em 2013, conheceu o GAS Tagus e já esteve em missão em São Tomé e Príncipe, Brasil e, mais recentemente, na Guiné-Bissau.

 

Defender as causas em que acredita

Na sua infância e adolescência, diz que “dividia o tempo entre os escuteiros e a esgrima até que a competição me ‘roubou’ os fins-de-semana de atividades no CNE”. “Consequentemente, afastou-me também da paróquia, mas o afastamento d’Ele não surgiu nessa altura mas a meio do curso de Direito, quando assisti à partida do meu tio. Foi difícil e o facto de não conseguir encontrar razões para a partida levaram-me a deixar de acreditar. Após os 4 anos do curso, uma ordem inacabada e um estágio que deu para perceber que advocacia não era o que me completava, percebi que o meu percurso teria inevitavelmente que passar pela área social, onde estivesse com e para as pessoas e não num ambiente de escritório onde temos constantemente que mostrar o que não somos. Percebi que tenho que defender as causas em que eu acredito e não ficar limitada às que me chegam entre processos e processos”, conta.

 

Mergulhar no mundo da partilha

Em 2013, conheceu o GAS Tagus e diz-nos que mergulhou “no mundo da partilha com todos os que decidiram caminhar ao meu lado naquele ano, do trabalho em equipa para conseguir alcançar o objetivo de ir em missão internacional e do voluntariado local junto de mães adolescentes que me fez recordar que aqui tão perto, há gente que precisa da nossa mão amiga e está à curta distância da nossa vontade”. Recebeu o Sacramento do Crisma e, “fazendo as pazes com Ele, relembrei que o ser humano é incrível e aguenta muito mais do que a cabeça por vezes nos faz crer”, partilha. Fez quatro missões internacionais: esteve duas vezes em São Tomé e Príncipe, uma vez no Brasil e em 2017 na Guiné-Bissau. Diz que fez “uma descoberta maravilhosa”. “Recapitulei que posso sempre escolher por ver o copo meio cheio ou meio vazio, que posso reclamar porque não pude tomar banho durante quatro ou cinco dias ou então agradecer por ter água quente na minha casa.” Tentou depois “encontrar noutros grupos algo que me ligasse não só às pessoas mas também à Igreja e por isso em 2015 decidi em simultâneo ser formadora no GAS Tagus e formanda nos Leigos para o Desenvolvimento, onde tive a sorte de poder fazer a formação até ao fim e discernir que ainda não era o tempo de partir em Seu nome. No entanto, o desejo de o fazer manteve-se e a esperança de que o momento iria chegar também. Em termos profissionais acabei por perder estabilidade mas sinto que o que ganhei em termos de humanidade foi muito recompensador. Aprendi a valorizar e também a desvalorizar”, diz.

 

“A Guiné foi cheia de desafios e ainda bem que assim foi!”

Sobre a missão na Guiné-Bissau, conta-nos como surgiu e como foi a experiência: “Há uns tempos uma amiga partiu em missão e pediu-me que lhe sugerisse um livro. Levei-lhe o ‘Diário de uma Gota’, escrito por uma jornalista que partiu em missão para a Guiné e comovemo-nos as duas quando me disse que tinha sido o mesmo livro que o pai lhe oferecera há um ano atrás. A partir daí a ideia de fazer missão na Guiné-Bissau passou a ser partilhada. Coincidência (ou Jesuscidência) já conhecia um Padre Guineense e em 2017 tive a sorte de o reencontrar novamente e o apresentar à Cuca (amiga com quem fiz missão na Guiné-Bissau). O Padre Dingana estava a passar um tempo em Portugal! Decidi falar com a Cuca e mostrámos interesse, perguntámos se nos recebia e imediatamente nos respondeu: ‘Venham!’. Preparámos as malas, definimos onde atuar e desta vez já só com essencial, arrancámos por três meses. Ajudámos um projeto maravilhoso de um rapaz guineense chamado Santiago. Este rapaz é um exemplo daquilo que todos nós deveríamos ser: seguidores de sonhos! Dedica toda a sua vida às crianças e ao direito à educação. Não é formado, mas é dedicado. Com as próprias mãos construiu uma escola comunitária num anexo ao lado da sua casa e acolhe todas as crianças que por razões económicas não têm possibilidades para ir à escola. E aos poucos a escola vai crescendo. Com a ajuda dos missionários de Schoenstatt conseguiu pintar e pavimentar o espaço e permitir assim que as crianças se sentem no chão de terra. A nossa parte foi mais burocrática mas nem por isso menos importante. Dedicámo-nos ao estabelecer de pontes, que na minha opinião, é dos melhores trabalhos que um missionário pode ter. Estabelecemos o contacto entre o Santiago e o Ministério da Educação de Buba (cidade onde vivemos). Reunimos um conselho pedagógico, criámos um estatuto para a escola, uma ata e conseguimos com que fosse carimbada no tribunal. O mais incrível de estar em missão é ver que com esforço e dedicação as coisas acontecem. O Tio Mendes (que por acaso era dono da casa onde ficámos) trabalhava no Ministério da Educação. Os Padres facilitaram um contentor para guardar alimentos e assim corresponder às exigências do PAM (Plano Alimentar Mundial) e, com tudo isto, o Santiago e os dois professores voluntários que a escola tem poderão participar na Comissão de Professores de Buba quinzenalmente. E aqui, nós não passamos de pontes. Tudo é mérito do Santiago, da causa dele e do sonho, que ele nunca deixou de viver! A Guiné foi cheia de desafios e ainda bem que assim foi! Os muitos mosquitos, o ter ficado doente, as muitas e muitas ‘brigas’ com a mota que utilizávamos para nos deslocar foram experiências que me ensinaram o verdadeiro sentido de resiliência e me mostraram que a cada dificuldade Ele colocava alguém para me mostrar que, confiando-lhe a vida, tudo mas tudo se resolve.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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