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“Comungar deve levar a um exame de consciência iluminado pela fé”
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O Papa refletiu sobre a participação no banquete eucarístico. Na semana em que foi anunciada nova celebração papal numa prisão, Francisco encontrou-se com os jovens que prepararam o Sínodo dedicado à juventude, lembrou que o crucifixo “não é objeto decorativo” e homenageou o Padre Pio, falecido há 50 anos.

 

1. O Papa Francisco prosseguiu as catequeses sobre a Eucaristia, na audiência-geral de quarta-feira, 21 de março, refletindo desta vez sobre a comunhão. “Celebramos a Santa Missa para nos alimentarmos de Cristo, que Se oferece a nós na Palavra e no Sacramento Eucarístico. Na Última Ceia, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e deu-o aos seus discípulos. Este último gesto continua hoje através da distribuição ao povo de Deus do Pão da vida e do cálice da salvação pelos ministros ordinários e extraordinários da Eucaristia. «Felizes os convidados para a Ceia do Senhor!»: exclama o celebrante voltado para os fiéis, convidando-os a participar no banquete eucarístico. É um convite que nos alegra e ao mesmo tempo preocupa, levando-nos a um exame de consciência iluminado pela fé: de facto, por um lado, vemos a distância que nos separa da santidade de Cristo, mas, por outro, acreditamos que o seu Sangue foi «derramado para a remissão dos pecados». (…) Alimentar-se da Eucaristia significa deixar-se transformar numa Eucaristia viva. Enquanto nos une a Cristo, arrancando-nos dos nossos egoísmos, a Comunhão abre-nos e une-nos a todos aqueles que formam um só com Ele. Tal é o prodígio da Comunhão: torno-me naquilo que recebo, torno-me Corpo de Cristo”, lembrou o Papa, no encontro público semanal, realizado na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Ainda neste dia, foi anunciado que o Papa Francisco vai visitar Dublin, na Irlanda, a 25 e 26 de agosto, para encerrar o Encontro Mundial das Famílias. A iniciativa vai decorrer de 22 a 26 de agosto, tendo como tema ‘O Evangelho da família, alegria para o mundo’, e será o primeiro encontro mundial depois das assembleias do Sínodo dos Bispos dedicadas às questões do matrimónio e da vida familiar.

 

2. O Papa Francisco vai voltar a celebrar a Ceia do Senhor, em Quinta-feira Santa, num estabelecimento prisional. À imagem do que fez no ano da sua eleição, quando visitou um centro de correção juvenil, e em 2015 e 2017, o Papa vai presidir à celebração da quinta-feira antes da Páscoa juntamente com reclusos, a quem lavará os pés, seguindo o ritual católico para este dia. Este ano foi escolhida a penitenciária Regina Coeli, que se situa em Roma, com o Papa a lavar os pés a 12 reclusos, a visitar os reclusos doentes, na enfermaria, e a ter um encontro com outros reclusos.

 

3. O Papa inaugurou, dia 19 de março, os trabalhos de uma inédita reunião pré-sinodal com jovens de todo o mundo, para preparar a próxima assembleia do Sínodo dos Bispos, tendo defendido que os jovens têm de ser levados “a sério”. “Não basta trocar algumas mensagens ou partilhar fotos simpáticas. Os jovens têm de ser levados a sério!”, salientou Francisco, na sua primeira intervenção, após ter sido recebido no Pontifício Colégio Internacional ‘Mater Ecclesiae’, de Roma, com momentos de oração e cânticos. Neste encontro que congrega cerca de 300 participantes, incluindo três portugueses, até 24 de março, Francisco advertiu para uma cultura que, apesar de “idolatrar a juventude”, acaba por ignorar os mais novos e “exclui muitos jovens” da possibilidade de serem “protagonistas”. O Papa convidou a “falar com coragem” e a “escutar com humildade”. “Cada um tem o direito de ser escutado, todos têm o direito de falar”, acrescentou.

Francisco saudou a “força” que os jovens têm para “dizer as coisas”, para “rir e chorar”, enquanto os adultos se habituam, muitas vezes, a encolher os ombros e a dizer “o mundo é assim”. “Demasiadas vezes se fala dos jovens sem os interpelar”, advertiu, lamentando que se evite o encontro “cara a cara” com os mais novos, preferindo um discurso abstrato. “A juventude não existe, existem jovens, histórias, rostos”, precisou. O discurso lamentou ainda a existência de pensamentos que defendem uma “distância de segurança” face aos jovens, admitindo que estes não são propriamente o “prémio Nobel da prudência”, o que provocou o riso da assembleia. Francisco reforçou as suas preocupações com o nível do desemprego juvenil e a marginalização dos jovens da vida pública, obrigados a “mendigar ocupações” que não garantem um futuro. “Isto é um pecado social, a sociedade é responsável por isto”, denunciou.

O Papa espera que deste encontro surjam indicações para uma Igreja de rosto jovem, não “rejuvenescido artificialmente”, com respeito pelas “raízes”, os “velhos, os avós”, sem os descartar. “Asseguro-vos que o vosso contributo vai ser levado a sério”, concluiu.

 

4. O Papa manifestou-se contra os abusos na utilização do crucifixo, defendendo que este não é um objeto ornamental, mas de fé. “O crucifixo não é um objeto decorativo ou um acessório de vestuário – muitas vezes abusado –, mas um sinal religioso a contemplar e compreender”, declarou, durante a oração do Angelus, perante milhares de peregrinos reunidos no Vaticano, no passado Domingo, 18 de março.

Na janela do apartamento pontifício, o Papa questionou os presentes sobre a forma como olham para o crucifixo, se como uma “obra de arte” ou como símbolo do “mistério do Deus aniquilado, até à morte, como um escravo, como um criminoso”. “Olhar o crucifixo, mas vê-lo por dentro”, recomendou, convidando a retomar a devoção de rezar “um Pai Nosso por cada uma das cinco chagas”, diante do crucifixo, e a aprender a “grande sabedoria da cruz”, numa contemplação que ajuda a “chegar ao coração”, ao “íntimo da pessoa” de Jesus Cristo.

 

5. O Papa visitou a localidade de Pietrelcina, em Itália, para homenagear a figura do Padre Pio, falecido há 50 anos. A visita começou com uma oração no local em que São Pio recebeu os estigmas, enquanto rezava debaixo de um olmo, há 100 anos, com o Papa a sublinhar que Francesco Forgione, que viria a assumir o nome de Pio, como religioso capuchinho, foi um homem de oração e de luta interior contra o mal, tendo recebido “especiais dons místicos”. “Este humilde frade capuchinho espantou o mundo com a sua vida dedicada à oração e à escuta paciente dos irmãos, sobre cujas feridas derramava o bálsamo da caridade de Cristo: que imitando o seu heroico exemplo e as suas virtudes, possais tornar-vos instrumentos do amor de Jesus para os mais fracos”, pediu.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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