Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Que vida sobre rodas?
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Porque esta semana foi preciso fechar mais cedo a edição deste jornal, à hora em que escrevo este texto ainda não sabemos o resultado da votação, na Assembleia da República, da lei que pretende despenalizar a eutanásia. Todos sabemos como este é um tema delicado e, mesmo por isso, precisa de um tratamento diferente do que a simples aprovação de uma lei. É preciso, em primeiro lugar, olhar para cada pessoa e ver nela e na sua vida um dom. Um dom para o próprio, mas um dom para todos, porque cada vida é um dom em sim mesmo. Toda a vida tem a sua dignidade, e por essa dignidade é preciso lutar até ao fim. Do princípio até ao fim. E para isso, é preciso ajudar a cuidar, tratar, acompanhar.

Vulgarmente se ouve: ‘sou dono da minha vida e faço o que quero, decido como quero!’ Mas não será bem assim, porque nunca fazemos sempre o queremos e não somos propriamente donos de nós próprios. Se assim fosse, acredito que ninguém quereria morrer, ninguém quereria sofrer e todos gostariam, certamente, que tudo corresse sobre rodas. Numa vida que corre sobre rodas, parece que tudo vai bem, que não há problemas, ou pelo menos os problemas vão-se resolvendo e vai-se vivendo e caminhando com alguma naturalidade.

Mas, por vezes, uma vida sobre rodas pode ser, também, uma vida diferente, mas que precisa de ser vivida com normalidade e um sentido de missão. Aliás, toda a nossa vida deveria ser vivida nesta atitude, de quem faz da vida um dom para os outros, uma missão para os outros e pelos outros.

Recordo o testemunho de uma amiga a quem, por doença, lhe foram amputadas ambas as pernas. A alegria, a vontade de viver, a entrega aos outros no serviço que lhe é possível, fazem desta vida um dom, embora com as suas limitações. Aliás, o amor que habita no seu coração, não cabem dentro de si e por isso extravasa no seu bom humor e disposição. Não me esquecerei daqueles dois passos de dança, suportados pelas próteses, que terminam com esta observação: “Padre Nuno, fartou-se de me pisar os calos”. São estes testemunhos que nos fazem perceber que a vida pode ter sempre sentido.

Também esta vontade de viver e a ajuda que muitas vezes podemos dar àqueles se veem com alguma limitação na sua vida, o modo como os outros olham para os que têm alguma deficiência, ou até a forma como esta é aceite e superada emocionalmente, são retratados e abordados no musical ‘Sobre Rodas’, em exibição no Auditório da Boa Nova, no Estoril. Com um elenco jovem, não profissional, este musical produzido com o apoio da Associação Salvador consegue cativar do princípio ao fim, tratando um tema que é denso, com apontamentos de comédia e boa disposição, que faz levantar fortes gargalhadas e, sobretudo, liberta de preconceitos que muitas vezes se podem criar diante da deficiência.

O musical está ainda em exibição, este fim-de-semana, com sessões nos dias 1, 2 e 3 de junho, às 21h30. Bilhetes à venda no local ou em www.bol.pt.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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