Lisboa |
Corpo de Deus 2018
“Tantos séculos depois, o mesmo gesto, o mesmo sinal, a mesma presença”
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Na tradicional procissão do Corpo de Deus pelas ruas da cidade de Lisboa, o Cardeal-Patriarca lembrou os cristãos perseguidos em todo o mundo e desafiou os fiéis a “continuar a procissão” porque Jesus “está connosco e vai onde nós formos”, especialmente junto dos “mais frágeis”.

 

Milhares de pessoas participaram numa das mais antigas procissões da cidade. Pelas ruas da Baixa de Lisboa, passou a habitual procissão do Corpo de Deus. Com partida e chegada à Sé Patriarcal, a “manifestação de fé”, que decorreu na tarde da passada quinta-feira, 31 de maio, foi um “sinal vivo” da “presença real” de Jesus Cristo, afirmou o Cardeal-Patriarca. “Isto começou há 2000 anos, em Jerusalém, quando Jesus de Nazaré ali entrou e foi aclamado. Dias depois, Ele já não foi aclamado porque O crucificaram. E, ao terceiro dia, aconteceu este dia que nunca mais deixou de acontecer, que é o da sua ressurreição e da sua presença constante em todo o lado e em qualquer circunstância”, apontou D. Manuel Clemente, no final da procissão, indicando depois a Eucaristia como centro da vida cristã – um “gesto” milenar que continua ameaçado em muitas partes do mundo. “Todos os anos, são milhares os que morrem por serem cristãos e não podem fazer coisas tão bonitas e tão belas como nós conseguimos fazer no coração da nossa cidade. Tantos séculos depois, o mesmo gesto, o mesmo sinal, a mesma presença”, refletiu o Cardeal-Patriarca, no adro da Sé, desafiando os cristãos a “continuar a procissão”. “É porque com o mesmo realismo, este Senhor Jesus que deu a vida por nós e do qual nós vivemos agora, está connosco e vai onde nós formos: casas, ruas, empresas, escolas, hospitais, prisões… a todo o lado. Onde está um cristão, Cristo vai e a procissão continua. E também porque em todo o lado, quer saibam, quer não saibam, Ele está à espera dos outros e, muito especialmente, daqueles que estão mais frágeis e precisam de ser atendidos. Respondendo a eles, encontramos Cristo”, frisou D. Manuel Clemente, no final da tarde da quinta-feira, 31 de maio.

 

Templos vivos

Horas antes, na Eucaristia na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, na Sé, a homilia de D. Manuel Clemente começou pela reflexão sobre a narrativa “simples e frontal de toda a Liturgia cristã”, escutada no Evangelho da celebração: “‘Tomai: isto é o meu corpo.’ Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. Disse Jesus: ‘Este é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens’”. “Dois mil anos depois, não poderá ser outra coisa. Nem sobreposta ou distraída por algo que a desfoque. Como repetimos na lusofonia, sempre que nos reunimos em assembleia eucarística: ‘Ele está no meio de nós!’”, destacou o Cardeal-Patriarca.

Fazendo referência à “determinação litúrgica do Concílio Vaticano II” – que retomou a “forma original e mais antiga da celebração eucarística”, tal como a conhecemos dos primeiros séculos cristãos, num tempo “em que nem se podiam erguer templos” –, o Cardeal-Patriarca refletiu sobre os templos vivos – os cristãos – que permitem que Ele esteja presente hoje, “no meio de nós”. “É este o culto cristão e a sua essencial liturgia. Convertamo-nos à sua simplicidade, outro nome da verdade de Cristo. De Cristo que o Pai nos oferece, para por nós e por todos se retribuir ao Pai”, apelou D. Manuel Clemente, na homilia.

 

Graça e responsabilidade

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que é conhecida como “Corpo de Deus”, foi ocasião para a reflexão sobre a necessidade do respeito pelo corpo. “Por ‘corpo’ não designamos algo exterior a nós. Devemos-lhe o cuidado e o respeito que nos merecemos, a nós e a cada um. É muito fraca antropologia pensar e dizer algo como: «Faço o que quiser do meu corpo…», porque o nosso corpo não é uma coisa de usar ou abusar. Somos nós mesmos, em relação positiva com os outros”, apontou.

A referência a Cristo como “Corpo de Deus” lembra que todos os cristãos são “corpo eclesial de Cristo”. “Não apenas um grupo reunido numa cerimónia ritual, aliás bela e bem realizada. É uma imensa graça e uma grande responsabilidade. Somos sinal vivo da sua presença ressuscitada e ressuscitadora no mundo que é o nosso e que, também por nós, é o seu. Referindo-se aos discípulos disse Cristo: «Quem vos ouve é a mim que ouve» (Lc 10, 16) – pois é por nós que quer falar, como seu corpo e expressão. Assimilemo-lo como Verbo de Deus, deixemo-lo incarnar e ecoar em nós. Há tanta gente à espera desta palavra que Cristo quer dizer por nossa boca e testemunho! Palavra de paz e de esperança, palavra de consolação e de vida!”, apontou D. Manuel Clemente, na homilia da Missa que decorreu de manhã, na Sé de Lisboa.

Fazendo referência às recentes catequeses do Papa sobre a Eucaristia, D. Manuel Clemente fixou-se no ponto “tão próprio e incisivo” de Francisco, “ligando o corpo eucarístico ao corpo eclesial de Cristo” e deixar que “Cristo aja nas obras” de cada um. “Sem nunca esquecer que Cristo nos espera também na corporeidade dos outros, sobretudo a mais frágil e carente. Sem esquecer finalmente que é na correspondência, bem corporal e concreta, a tais carências que nos realizamos e salvamos. Como Lhe ouviremos, se matarmos fomes e sedes, se abrigarmos e revestirmos, se visitarmos doentes e presos, de tantas prisões do corpo ou do espírito”, observou o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

 

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O que é o Corpo de Deus?

É o nome que vulgarmente se dá à solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, a qual é celebrada pela Igreja 60 dias depois da Páscoa, na quinta-feira que se segue à Solenidade da Santíssima Trindade. A sua celebração pretende sublinhar o significado e a importância do sacramento da Eucaristia para a vida cristã.

 

Porque se celebra o Corpo de Deus?

A comunidade cristã é convocada para, como corpo, reafirmar a sua fé no mistério que se celebra no sacramento da Eucaristia. A Eucaristia é a memória e a atualização do mistério pascal, ou seja, da morte e ressurreição de Jesus, que comunicando o amor que Deus é, concede a salvação a toda a humanidade. Nas palavras de Bento XVI, na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, o mistério eucarístico «é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem». É a contemplação deste mistério que, neste dia em particular, pretende suscitar em toda a comunidade adoração, louvor e agradecimento por este dom de amor, que é a fonte e o centro de toda a vida cristã.

 

Porque é que esta festa se celebra à quinta-feira?

Sempre que possível é celebrada numa quinta-feira, para unir esta festividade à memória da Quinta-feira Santa, dia da instituição da Sagrada Eucaristia na última Ceia de Jesus com os Seus Apóstolos. Quando tal não é possível, é transferida para o Domingo seguinte.

 

A Igreja recomenda que esta celebração culmine com uma procissão que percorra as ruas da cidade. Qual o seu significado?

Esta procissão é uma prática ritual antiga que pretende ser uma expressão pública da devoção ao Santíssimo Sacramento, ou seja, ser um testemunho de fé na presença real e pessoal de Cristo nas espécies eucarísticas, no pão e no vinho. Esta presença, pela comunhão e graça do Espírito Santo, torna-se viva na vida dos crentes, como dom de amor, que salva e liberta, levando-os a transformarem as suas vidas em nome deste amor que os habita. Por outro lado, percorrendo as ruas por onde passa o dia-a-dia de tantas pessoas, esta procissão mostra-nos que Senhor nos acompanha em cada um dos nossos caminhos.

texto por Joana Viana Lopes (www.pontosj.pt)

texto por Filipe Teixeira; fotos por Arlindo Homem e Nuno Moura
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