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“Espírito Santo infunde-nos coragem apostólica”
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O Papa Francisco prosseguiu a catequese sobre o Crisma. Na semana em que considerou a internet “um dom de Deus”, o Papa pediu aos jornalistas responsabilidade no exercício da profissão, desafiou os cristãos a valorizarem mais a Eucaristia e saudou a publicação do primeiro documento da Santa Sé sobre a prática desportiva.

 

1. O Papa Francisco sublinhou que os cristãos não podem ‘enjaular’ o Espírito Santo. “Dando continuidade às catequeses sobre a Crisma, consideramos hoje os efeitos que o dom do Espírito Santo faz brotar na vida dos crismados. Este sacramento, que se recebe uma só vez, mas cujo dinamismo espiritual perdura ao longo do tempo, estreita a união daqueles que o recebem com a Igreja Universal e fortalece o compromisso com a vida da Igreja particular, em união com o Bispo. Este, enquanto sucessor dos Apóstolos, é o ministro originário deste sacramento. Na conclusão do rito da Crisma, o Bispo diz a cada crismando: “A paz esteja contigo”. Essa paz recebida, como dom do Espírito, é algo que não deve permanecer apenas em quem a recebe, mas destina-se a ser transmitida aos demais. De facto, o Espírito Santo nos arranca do nosso eu e nos abre ao ‘nós’ da comunidade cristã e da sociedade onde vivemos, infundindo-nos coragem apostólica para anunciar o Evangelho com palavras e obras. Por isso, não podemos ‘enjaular’ o Espírito Santo, mas devemos deixar que o seu vento nos impulsione na liberdade e que o fogo do seu amor nos faça arder por Deus e pelos irmãos”, salientou o Papa, na catequese durante a audiência-geral de quarta-feira, 6 de junho, na Praça de São Pedro.  

 

2. O Papa considera a internet “um dom de Deus” e pede que se utilize com responsabilidade. Na edição de junho de ‘O Vídeo do Papa’, divulgado na passada terça-feira, 5 de junho, Francisco diz que é importante construir uma cidadania em rede como um lugar rico em humanidade e desafia-nos a criar uma rede digital que respeite a integridade humana. O convite surge a propósito da sua intenção de oração para este mês: ‘Para que as redes sociais favoreçam a solidariedade e o respeito pelo outro na sua diferença’. Em seu entender, as redes sociais são uma oportunidade de encontro e solidariedade, mas devem ser usadas com respeito pela dignidade dos outros.

 

3. O Papa convidou os jornalistas a se comprometerem “com uma comunicação que saiba colocar a verdade antes dos interesses pessoais ou de corporações”. Numa audiência, no passado dia 4 de junho, na Sala Clementina, no Vaticano, com membros da delegação do Prémio Internacional de Jornalismo ‘Biagio Agnes’, Francisco salientou que “ser jornalista tem a ver com a formação das pessoas, da sua visão do mundo e dos seus comportamentos em relação aos eventos”. “É um trabalho exigente, que neste momento está a passar por um período marcado pela convergência digital e pela transformação dos meios de comunicação”, frisou.

 

4. Na celebração com que assinalou, no passado Domingo, 3 de junho, a solenidade do Corpo de Deus, o Papa Francisco pediu aos cristãos para porem “em primeiro lugar a Missa”, que voltem a descobrir “a adoração” de Cristo nas suas comunidades e que estejam atentos aos outros, partilhando o que recebem na Eucaristia. Porque não falta, lembrou o Papa, quem também precise de alimento espiritual, para além das necessidades materiais. “Há tantas pessoas privadas dum lugar decente para viver e do alimento para comer! Todos conhecemos pessoas sozinhas, atribuladas, necessitadas: são sacrários abandonados! Nós, que recebemos de Jesus alimentação e morada, estamos aqui para preparar um lugar e o alimento para estes irmãos mais frágeis. Ele fez-se pão repartido para nós, e pede que nos doemos aos outros, que deixemos de viver para nós mesmos, mas vivamos um para o outro. É assim que se vive eucaristicamente”, afirmou o Papa durante a homilia.

Ostia foi este ano a localidade escolhida para as celebrações do Corpo de Deus. A região, que se situa nos arredores de Roma, é dominada pela máfia, e Francisco não esqueceu essa realidade, referindo-se à ‘omertà’, o ‘código de silêncio’ que defende os criminosos das autoridades. “Jesus deseja que sejam abatidos os muros da indiferença e da omertà (conivência), que sejam removidas as grades dos abusos e das arrogâncias, e que sejam abertos os caminhos da justiça, da equidade e da legalidade”, disse o Papa, lembrando que para fazer isso é necessário “desamarrar os cabos” do “medo” e da “opressão”. “A Eucaristia convida a deixarmo-nos levar pela onda de Jesus, não ficar na praia à espera que chegue qualquer coisa, mas zarpar livres, corajosos, unidos”, afirmou ainda, desafiando os cristãos a levarem a partilha que fazem na Eucaristia para a vida do dia a dia, porque a Eucaristia “é o coração palpitante da Igreja”. Logo após a Missa na paróquia de Santa Mónica, Francisco presidiu à procissão do Corpo de Deus até à Paróquia de Nossa Senhora de Bonaria, devoção que inspirou a denominação da cidade de Buenos Aires, de onde é natural o Papa.

Durante a oração do Angelus, neste Domingo, Francisco apelou ao diálogo e ao fim da violência na Nicarágua. “Uno-me aos meus irmãos bispos da Nicarágua, exprimindo dor pela grave violência, com mortos e feridos, feita por grupos armados para reprimir protestos sociais. A Igreja é sempre pelo diálogo, mas isto requer empenho efetivo para respeitar a liberdade e, primeiro que tudo, a vida. Rezo para que cesse a violência e se assegurem as condições para se retomar o diálogo”, afirmou.

 

5. O Papa saudou a publicação do primeiro documento da Santa Sé sobre a prática desportiva, intitulado ‘Dar o melhor de si’. “O desporto é um lugar de encontro, onde pessoas de todos os níveis e condições sociais se unem para atingir um objetivo comum”, escreveu Francisco, a propósito do texto do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, publicado a duas semanas do início do Campeonato do Mundo de Futebol, na Rússia. “É necessária a participação dos desportistas para que todos os que fazem parte do mundo do desporto sejam um exemplo de virtudes como a generosidade, a humildade, o sacrifício, a persistência e a alegria. O desporto pode abrir o caminho para Cristo nos lugares ou ambientes onde, por diversos motivos, não é possível anunciá-lo de maneira direta. As pessoas, com o seu testemunho de alegria, com a prática desportiva na comunidade, podem ser mensageiras da Boa Nova”, assinalou.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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