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Casal de Lisboa participa no Encontro Mundial das Famílias, em Dublin
Viver em família a alegria de ser cristão
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No próximo mês de agosto, milhares de famílias de todo o mundo vão participar no IX Encontro Mundial das Famílias, em Dublin, na Irlanda. Catarina Luís e Nuno Fortes, da Pastoral Familiar de Lisboa, são um dos casais da diocese que vai estar presente neste encontro com o Papa Francisco e, ao Jornal VOZ DA VERDADE, falam das expectativas que este acontecimento está a gerar e do desejo de contribuírem, em casal, para a evangelização.

 

Pela primeira vez, Catarina Luís e Nuno Fortes vão participar num Encontro Mundial das Famílias. No próximo mês de agosto, de 21 a 26, este casal de Lisboa vai participar, em Dublin, na Irlanda, num encontro que junta milhares de famílias de todo o mundo e onde está prevista a presença do Papa Francisco. “Partimos com a expectativa de participar num espaço de comunhão internacional de famílias e procurar partilhar e receber a partilha de famílias de todo o mundo sobre como é viver em família esta alegria de ser cristão”, afirma Nuno Fortes, manifestando o desejo de que esta experiência possa contribuir para o enriquecimento do Sector da Pastoral Familiar de Lisboa, onde, juntamente com a esposa, Catarina Luís, está empenhado.

A participação em encontros internacionais não são uma novidade para Nuno e Catarina: conheceram-se numa peregrinação a Taizé, França, e participaram em três Jornadas Mundiais da Juventude, em Colónia, Madrid e Rio de Janeiro. Por isso, as reportagens dos anteriores Encontros Mundiais das Famílias despertaram, facilmente, neste casal, o desejo de participar num futuro encontro. Para Catarina, as fotografias que viu, com muitas famílias reunidas, com adultos, crianças, idosos, mostrando uma “dimensão intergeracional de vivência da fé”, tocaram-na muito e fizeram com que este casal da Paróquia de Sobral de Monte Agraço, na Vigararia de Alenquer, fosse um dos 500 mil participantes inscritos no encontro de Dublin, que vai decorrer no próximo mês.

Para já, a expectativa é grande para saber onde é a casa da família que os vai acolher. “Esperemos que seja na Irlanda e, idealmente, em Dublin. Não sei quão perto do evento, mas é uma das dimensões do encontro que nos entusiasma”, brinca Catarina, partilhando a alegria que sente por ter a possibilidade de “partilhar o dia-a-dia” com uma família que ainda não conhece, mas que se “dispõe a abrir a sua casa e a partilhar, com outra família, a alegria de ser cristã”. “É muito bonito e desejo experimentar. É uma das dimensões do encontro pela qual temos curiosidade”, revela esta leiga, de 34 anos.

 

Testemunhar o amor

Conferências a partir da Exortação Apostólica ‘A Alegria do Amor’, momentos de animação musical e testemunhos são apenas alguns pontos do programa do IX Encontro Mundial das Famílias, em Dublin, onde se destaca a visita do Papa Francisco ao Santuário Mariano de Knock e a Missa de encerramento do encontro, em Phoenix Park. Segundo a organização, os 500 mil bilhetes que dão acesso a esta celebração estão há muito esgotados.

No último Encontro Mundial das Famílias, que decorreu em Filadélfia, nos Estados Unidos, em setembro de 2015, o Papa Francisco apelou para que cada família possa, ela própria, “ser profeta em todo o mundo”. Para Nuno Fortes, este desafio “continuará e perdurará ao longo dos tempos”. Neste sentido, lembra as palavras de São João Paulo II, na Exortação Apostólica ‘Familiaris Consortio’: “As famílias são os primeiros agentes evangelizadores das outras famílias”. No entanto, este leigo, de 38 anos, lembra que a tarefa não é fácil e, por vezes – como lembra o Papa Francisco –, “partem-se os pratos”. “Ser família não é uma coisa idílica. É viver o Evangelho nas dificuldades concretas da nossa vida que são marcadas por muitas alegrias, mas também por dificuldades. Passa por conhecer Cristo no outro, perante as nossas fragilidades, e acolhê-l’O no absoluto daquilo que o outro é. Só assim podemos dar o testemunho do que é o Amor. Isto de nos amarmos à imagem de Cristo é um desafio que nos ultrapassa. Só com a graça do Espírito Santo podemos, um dia, chegar lá perto”, sublinha.

Catarina reforça o papel evangelizador da família e destaca que também isso é pedido pelo Papa Francisco, na exortação que resultou do Sínodo dos Bispos sobre a Família. “Um dos temas abordados é a família como sujeito e agente evangelizador. Sujeito, na medida em que todos nós precisamos de ser evangelizados; e agente, na medida em que somos evangelizadores nos contextos onde estamos: no nosso trabalho, na nossa comunidade, na Igreja, entre os nossos amigos”, aponta.

 

Exigência

A Exortação Apostólica ‘A Alegria do Amor’, do Papa Francisco, publicada em 2016, bem como o Sínodo dos Bispos e o trabalho de preparação que o antecedeu, colocou o tema ‘Família’ no ‘centro’ da Igreja. Na experiência que têm como colaboradores do Sector da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, desde 2013, Catarina e Nuno destacam a consciência, “cada vez mais transversal”, da necessidade de as comunidades serem “família de famílias” – “uma expressão muito utilizada pelo nosso Patriarca”. “No entanto, ainda temos um longo caminho para percorrer porque temos uma dificuldade de compreender o que poderá ser uma pastoral da família”, alerta Nuno Fortes. “Acabamos por olhar para aquilo que é a ação pastoral de uma forma, muitas vezes, compartimentada. A pastoral familiar, mais do que uma ‘zona’ para fazer acontecimentos, é uma maneira de estarmos na Igreja, que deve ser transversal às diferentes ações pastorais. É viver cada um dos itinerários que fazemos, com o suporte da família, e tendo nela um alicerce da vida comunitária”, refere Nuno.

No Patriarcado de Lisboa, existem “muitos grupos” a estudar a Exortação Apostólica ‘A Alegria do Amor’, do Papa Francisco, revela ainda este leigo, destacando a “exigência” que deve resultar dessa leitura. “É simples e belo ler o documento, mas a sua aplicação é complexa porque não nos apresenta um cânone a dizer: ‘Para seres um bom cristão, para seres uma boa família, tens que seguir este preceito, ou este conjunto de regras’. Aquilo que nos apresenta, em primeiro lugar, é um itinerário pessoal que nós, Igreja, somos convidados a acompanhar através de duas grandes abordagens que têm que andar a par: a mão que indica o caminho e a mão que acolhe”, especifica, sublinhando como “chave de leitura” o caminho de discernimento e acompanhamento que é necessário ser percorrido.

Para Catarina Luís, a forma como está a ser aplicado o documento, nomeadamente como está a ser feito o acompanhamento individual das famílias em todo o mundo, é também um dos factores que a fazem esperar com grande expectativa o IX Encontro Mundial das Famílias, em Dublin.

 

Amor absoluto, fiel e perene

Catarina e Nuno casaram-se há 11 anos. Tanto aí como agora, consideram que ainda existem alguns “obstáculos sociais” que têm impendido muitos casais de se casarem. Para Catarina Luís, falta ainda um olhar para aquilo que é “o mais importante na hora de constituir família”. “Os primeiros constrangimentos que se colocam são de ordem financeira e não afetiva, moral ou de valores. Estes últimos seriam os que deviam vir em primeiro lugar”, considera.

Para Nuno Fortes, apesar de notar o mesmo afastamento do matrimónio como sacramento, a experiência de colaboração no Sector da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa tem contribuído para notar um crescimento do número de casais que procuram o casamento pelo sacramento e não apenas pela festa. “A proposta do amor absoluto, fiel e perene nunca pode deixar de ser apresentada. O testemunho da alegria do que é viver uma comunhão de amor com o outro, mantendo a fidelidade ao longo de toda a sua vida, é um testemunho de uma beleza extraordinária. Vemos isso, por exemplo, quando celebramos os jubileus matrimoniais, na Festa da Família”, aponta Nuno Fortes.

Perante os desafios que se colocam, cada vez mais, às famílias e, em particular, às famílias cristãs, Catarina Luís afirma a vocação evangelizadora que, com o seu marido, tem o desejo de “continuar a contribuir”. “Nós confiamos que Deus faz muitos milagres em nós e por nós. Temos percebido que, pelos dons que Deus nos vai concedendo, também vamos ajudando outros casais e contribuindo, de alguma maneira, para que alguns vivam de forma mais feliz o seu matrimónio”, afirma Catarina, indicando que vê o matrimónio como desejo de “contribuir para a santificação um do outro”. “Faz todo o sentido fazê-lo juntos”, aponta.

 

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Entrevista a D. Joaquim Mendes, presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família

“O bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja”

 

Quais as expectativas que tem para o IX Encontro Mundial das Famílias?

Os Encontros Mundiais da Família são momentos fortes de revitalização da pastoral familiar, inserem-se num caminho, num processo, que tem uma preparação e deve ter uma continuidade.

As expectativas que tenho são fundadas, em primeiro lugar, na preparação. O Dicastério para os Leigos Família e Vida ofereceu a toda a Igreja sete catequeses inspiradas na Exortação Apostólica ‘Amoris laetitia’, que a Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF) traduziu e disponibilizou para as famílias, paróquias, Igrejas locais, bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, associações e movimentos familiares.

Este Encontro Mundial das Famílias é uma oportunidade para aprofundar o Evangelho que é a força e a alegria da família, que faz dela um sinal do amor de Deus e testemunha da sua misericórdia. O Encontro, que reúne famílias de todo o mundo, é uma oportunidade para explorar as riquezas do “Evangelho da Família” e um momento para celebrar, rezar, refletir sobre a importância da família na sociedade e na Igreja.

A participação portuguesa, para além do presidente e do secretário da CELF, do assistente nacional e cinco membros do Departamento Nacional, tem cerca de cem participantes inscritos de várias dioceses, de que temos conhecimento. É desejável que os que têm oportunidade de participar no Encontro não guardem para si a experiência, que certamente será muito rica, mas a partilhem nas suas dioceses, paróquias, movimentos. Evangelizados, se tornem evangelizadores.

 

Nos últimos anos, o Papa Francisco tem colocado a família no ‘centro’ da Igreja, sobretudo após o Sínodo dos Bispos e a publicação da Exortação Apostólica ‘Amoris laetitia’. Em Portugal, como considera estar a decorrer a aplicação deste documento?

É difícil responder a essa questão em termos objetivos. Contudo, do que me é dado conhecer, a receção global da exortação está em processo. Tem sido objeto de estudo, reflexão e debate em encontros dos Secretariados Diocesanos, Movimentos de Pastoral Familiar, Paróquias, Equipas de Casais e outros grupos e pessoas. A atenção tem sido focada sobretudo no capítulo VIII, mas a Exortação é muito mais do que o capítulo VIII, é “sobre o amor na família”, que é uma realidade sempre inacabada, a aprofundar, a consolidar e a fazer crescer sempre mais, porque o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja, como diz o Papa.

 

No seu entender, quais são os maiores desafios para uma família cristã?

Creio que o desafio para uma família cristã é ser aquilo que ela é: «igreja doméstica», oferecendo um testemunho jubiloso do Evangelho, mostrando que o amor e a fidelidade são possíveis com a graça de Deus recebida no sacramento do Matrimónio, fortalecida e alimentada pela Palavra de Deus, pela oração, pela participação na Eucaristia, pela vida fraterna em comunidade.

A força da família reside no amor, na capacidade de amar e de ensinar a amar.

O Papa Francisco, na Carta para o IX Encontro Mundial das Famílias, que tem como tema ‘O Evangelho da Família: alegria para o mundo’, diz que é importante que as famílias se interroguem frequentemente se vivem a partir do amor e para o amor, que significa concretamente doar-se, perdoar-se, não perder a paciência, antecipar o outro, respeitar-se, vivendo as três palavras: «com licença», «obrigado» e «desculpa», tornando-se assim lugares de misericórdia e testemunhas de misericórdia. Este é o desafio permanente e fundamental para a família cristã, que ajuda a superar todos os outros que possam surgir.

texto por Filipe Teixeira; fotos por arquivo de Catarina Luís e Nuno Fortes
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