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“Falta de amor é o primeiro passo para matar”
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O Papa lembrou que “a vida humana necessita do amor”. Na semana em que enviou uma mensagem à FAO para assinalar o Dia Mundial da Alimentação, o Papa Francisco recebeu o presidente da Polónia no âmbito dos 40 anos da eleição de São João Paulo II, canonizou o Papa Paulo VI e D. Óscar Romero e divulgou o tema da intenção para outubro.

 

1. O Papa prosseguiu a catequese sobre os Mandamentos, considerando que a “falta de amor é o primeiro passo para matar”. “O quinto Mandamento, ‘não matarás’, ensina que aos olhos de Deus a vida humana é preciosa, sagrada e inviolável. Jesus no Evangelho revela-nos um sentido ainda mais profundo para este Mandamento: a ira, o insulto e o desprezo contra um irmão é uma forma de assassinato, pois a falta de amor é o primeiro passo para matar. De facto, desprezar o irmão é fazer como Caim que, quando Deus lhe perguntou onde estava seu irmão Abel, respondeu: ‘Por acaso sou guardião do meu irmão?’. Nós, ao contrário, devemos estar cientes de que, sim, somos guardiães dos nossos irmãos. A vida humana necessita do amor. E o amor autêntico é aquele que Jesus, que encarnando, dando a vida por nós e ressuscitando, nos mostrou, ou seja, a misericórdia. Por isso, devemos sempre procurar acolher, cuidar, valorizar, incluir e perdoar, mesmo a quem nos faz mal, pois cada ser humano é um dom de Deus nas nossas vidas”, sublinhou o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 17 de outubro, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Perante milhares de peregrinos polacos, Francisco recordou depois os 40 anos de eleição pontifícia de São João Paulo II, a 16 de outubro de 1978. “São sempre atuais as palavras que pronunciou no dia da inauguração do seu pontificado: ‘Não tenhais medo! Mais: abri, escancarai as portas a Cristo!’ Que elas continuem a inspirar a vossa vida pessoal, familiar e social, que sejam um encorajamento para seguir Cristo com fidelidade, a vislumbrar a sua presença no mundo e no outro homem, especialmente no pobre e no que precisa de ajuda”, referiu.

 

2. O Papa salientou a necessidade de “redobrar esforços” no apoio a milhões de pessoas a quem hoje falta, “em quantidade e qualidade, o alimento necessário”. Numa mensagem enviada ao diretor-geral da organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, a propósito do Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), Francisco realça que “este não pode ser simplesmente mais um dia” no calendário para “recolher informações ou satisfazer a curiosidade”. “Infelizmente, não cessa de aumentar o número imenso de seres humanos que não têm nada, ou quase nada, para levar à boca”, alerta o Papa, para quem é “urgente” chamar “à responsabilidade todos os atores” que têm o poder de mudar este contexto. Só assim será possível cumprir com “os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, e passar a mensagem de que “um mundo com Fome Zero é possível”, salienta.

De acordo com os últimos dados da FAO, cerca de 800 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crónica motivada pela falta de uma alimentação adequada. Números que, para o Papa, devem fazer “corar de vergonha” esta sociedade do “século XXI” que, apesar dos “avanços consideráveis nos campos da tecnologia, da ciência, das comunicações e infraestruturas”, ainda não conseguiu obter “idênticos avanços em humanidade e solidariedade”.

 

3. Assinalou-se esta semana, a 16 de outubro, os 40 anos da eleição do cardeal polaco Karol Wojtyla como Papa, com o nome de João Paulo II. “Os eminentíssimos cardeais chamaram um novo Bispo de Roma. Chamaram-no de um país distante… distante, mas sempre muito próximo pela comunhão na fé e na tradição cristã. Tive medo ao receber esta eleição, mas fi-lo com espírito de obediência a Nosso Senhor e com a confiança total na sua Mãe, a Virgem Santíssima. Não sei se posso expressar-me bem na vossa... na nossa língua italiana. Se eu cometer um erro, por favor ‘Corrijam-me’”, referiu, na Praça de São Pedro, a 16 de outubro de 1978, o novo Papa, cujo pontificado decorreu até ao dia da sua morte, a 2 de abril de 2005.

No âmbito dos 40 anos da eleição de São João Paulo II, o Papa Francisco recebeu, no Vaticano, no dia 15, o presidente da Polónia, Andrzej Duda, tendo sido abordados temas como a família, a integração europeia, o conflito na Ucrânia, a situação no Oriente Médio, as migrações e a salvaguarda da criação.

 

4. O Papa proclamou como santos Paulo VI e o antigo Arcebispo de El Salvador, D. Óscar Romero. Francisco, admirador confesso de Paulo VI, o Papa que levou até ao fim o Concílio Vaticano II (1961-1965), observou que o novo santo, “mesmo nas fadigas e no meio das incompreensões”, testemunhou sempre “de forma apaixonada a beleza e a alegria de seguir totalmente Jesus”. “Consumiu a vida pelo Evangelho de Cristo, cruzando novas fronteiras e fazendo-se testemunha dele no anúncio e no diálogo, profeta duma Igreja virada para fora, que olha para os distantes e cuida dos pobres”, declarou, no passado Domingo, 14 de outubro, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro. “Hoje continua a exortar-nos, juntamente com o Concílio de que foi sábio timoneiro, a que vivamos a nossa vocação comum: a vocação universal à santidade; não às meias medidas, mas à santidade”, acrescentou.

O Papa considerou “bonito” que neste dia fosse canonizado também o arcebispo salvadorenho D. Óscar Romero, “que deixou as seguranças do mundo, incluindo a própria segurança, para consumir a vida – como pede o Evangelho – junto dos pobres e do seu povo, com o coração fascinado por Jesus e pelos irmãos”.

Nesta celebração, foram canonizados mais cinco santos. “O mesmo podemos dizer de Francisco Spinelli, Vincente Romano, Maria Catarina Kasper, Nazária Inácia de Santa Teresa de Jesus e do nosso rapaz napolitano Núncio Sulprizio, santo jovem, corajoso, humilde, que soube encontrar Jesus no sofrimento, no silêncio e na oferta de si mesmo”, referiu o Papa, sublinhando a importância de “passar dos preceitos observados” para uma “história de amor, o dom de si mesmo” ao serviço de Jesus Cristo.

 

5. ‘A missão dos consagrados’ é o tema da intenção do Papa para este mês de outubro. Na mensagem divulgada através de mais um ‘O Vídeo do Papa’ (www.thepopevideo.org), Francisco agradece o trabalho dos consagrados e anima-os a estarem sempre perto dos mais necessitados. O Papa realça ainda que os consagrados são “essenciais para a vida da Igreja”. “Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário”, assinala, pedindo às pessoas consagradas que façam chegar “o seu trabalho generoso e empenhado a todos os recantos do mundo”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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