Missão |
Maria Fátima Fernandes
“Não sei quando, nem como, mas voltarei!”
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Maria Fátima Fernandes nasceu no dia 4 de abril de 1973 no Funchal (Ilha da Madeira). É licenciada em Educação de Infância e, este ano, esteve em missão de curta duração em Moçambique, com a Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria.


Foi batizada com apenas 17 dias de vida, na Igreja Paroquial do Campanário (Ribeira Brava, Funchal) onde frequentou todo o percurso catequético. Foi também onde, mais tarde, celebrou o seu matrimónio e batizou os seus dois filhos. Frequentou o ensino primário dos 6 aos 10 anos e depois teve de abandonar o ensino por falta de recursos financeiros da sua família. “Aos 28 anos voltei aos estudos na condição de trabalhadora estudante. Concluí o 2º Ciclo num ano, o 3º Ciclo em 2 anos e o Ensino Secundário em 2 anos, através de provas globalizantes e exames de competências académicas. Aos 33 anos concorri ao curso de educação de infância, na Universidade da Madeira, através das provas de acesso para maiores de 23 anos, e com 37 anos concluí a licenciatura em Educação de Infância, na mesma universidade”, partilha.

Iniciou o seu percurso profissional como empregada doméstica, tendo feito uma pausa quando nasceram os seus dois filhos. Voltou à vida profissional quando os seus filhos começaram a frequentar o pré-escolar. Trabalhou depois como operadora de caixa num hipermercado durante 3 anos. “No ano 2000 iniciei o meu percurso profissional na área da educação, num jardim-de-infância e como auxiliar de educação, tendo feito formação específica para esta função. A partir daí, e graças ao incentivo de uma das formadoras do curso, continuei então a formação que interrompi aos 10 anos e voltei a estudar, frequentando o ensino noturno e concluindo posteriormente a licenciatura. Desde 21 de fevereiro de 2012, sou Educadora de Infância, desempenhando este serviço no Jardim de Infância Apresentação de Maria-Calheta, propriedade da Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, trabalhando com crianças desde os 5 meses aos 6 anos, num projeto educativo e pedagógico, cuja base educativa assenta nos princípios e valores cristãos e na espiritualidade de Maria Rivier, fundadora da Irmãs da Apresentação de Maria. Nesta instituição desempenho a função de Diretora Pedagógica. Em julho deste ano fui eleita presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do concelho da Calheta”, partilha. É catequista na sua paróquia, integra a equipa de leitores e Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão.

 

“Não tinha nada, mas sentia-me completa”

Desde jovem que sentia o desejo de fazer missão. “Em criança ouvi muitos relatos de um padre missionário, amigo da minha família, que fazia missão em Moçambique. No entanto, as condições familiares e financeiras nunca permitiram que fosse além do sonho. No ano passado, ao preparar uma peregrinação a Santiago de Compostela e em conversa com a Irmã Superiora da Congregação onde trabalho, descobri que as Irmãs tinham casas em Moçambique e reacendeu-se em mim a chama da missão que há muito estava apagada…e começou a pesquisa, e a vontade de ir, que outrora senti, voltou”, conta-nos. Soube que, para partir, teria de participar numa formação específica e aceitou o desafio. Inscreveu-se na formação da FEC e partilha: “Com um esforço muito grande para poder frequentar, já que implicava uma deslocação de avião, um fim-de-semana por mês. Valeu a pena cada cêntimo e cada minuto gasto do meu tempo. Fiquei mais consciente do que era realmente a missão. Os testemunhos que ouvi, as partilhas e os conselhos foram a minha mais importante bagagem para partir.”

Partiu para Moçambique a 29 de julho. Durante a longa viagem aproveitou para se consciencializar “que estava a um passo da realização de um sonho, mas ao mesmo tempo senti medo do desconhecido”. Sobre a sua missão, partilha: “Dois dias depois de aterrar parti numa viagem de 3 horas de carro para o distrito de Magude, local onde iria desenvolver a minha missão. Logo que cheguei a Magude a primeira visita foi à escola onde iria trabalhar. Fui recebida pelo grupo de crianças da escolinha Maria Revier que me brindaram com poemas, músicas e danças e nesse instante soube que estava no sítio certo, senti-me a fazer parte daquela realidade. Estive na escolinha duas semanas com os meninos, uma realidade completamente diferente da nossa. Tinham muitas carências materiais, mas muito ricos em amor, ternura e humildade. Observei e participei nas atividades desenvolvidas pelos monitores das 4 salas que compunham a escolinha. Cada sala tinha em média 45 alunos, entre os 3 e os 5 anos, e um só monitor, e para além disso os recursos materiais eram escassos. O primeiro pensamento foi: o que vou fazer com eles? Não há nada com que possa trabalhar! Passado o primeiro impacto, acalmei-me e pensei numa frase que ouvi várias vezes na formação, ‘faz o que puderes, onde estiveres, com o que tiveres’! E assim foi! Foram duas semanas muito intensas. Confesso que nunca me senti tão feliz, e com vontade de servir em cada dia. Saía da escola desejando que passasse a noite rápido para voltar a vê-los pela manhã, com tantos abraços para dar, tantos beijinhos para receber. No último dia de trabalho com eles o meu coração desfez-se e cheguei à conclusão que não era eu que os fazia feliz, era sim, eles que me faziam feliz. Na última semana partilhei a minha experiência pedagógica e algumas ferramentas e técnicas de trabalho com os seis monitores da escolinha, durante três dias. Foi muito enriquecedor, quer para eles quer para mim. Ganhei amigos para a vida toda! Outra das vivências que também me marcou neste tempo de missão foi a forma como vivem a fé. Encontrei a fé traduzida no concreto quotidiano, na ajuda ao próximo, no rosto de Cristo em cada uma daquelas pessoas que não tinham “nada” para oferecer e sem saber ofereciam o que tinham de mais valioso, elas mesmas. Impressionava-me a disponibilidade e a participação das pessoas na Eucaristia Dominical, cantavam, dançavam tocavam instrumentos, sentia-se que todos louvavam o Senhor verdadeiramente. Estava tão feliz, não tinha nada, mas sentia-me completa de tudo. Voltei, e dizem as minhas amigas que voltei com um ‘brilho’ diferente e eu sei que sim, porque guardo no meu coração o brilho do olhar de 150 crianças que me amaram verdadeiramente e esta luz é impossível esconder! Não sei quando, nem como, mas voltarei!”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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