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Advento, tempo de espera de preparação para o acolhimento da nova vida e a celebração do primeiro Natal
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Estamos próximos da celebração do nascimento do nosso Salvador e somos agora convidados a preparar este acontecimento. Este ano, na nossa família, o Natal terá um sabor diferente: é o primeiro após o nascimento da nossa primeira filha, da primeira neta dos nossos pais, da primeira sobrinha dos nossos irmãos… Devem imaginar a alegria! É previsível que essa alegria se traduza em “montanhas” de prendas e isso preocupa-nos. Este ano as prendas dizem-lhe pouco, mas gostávamos de criar um precedente de contenção. Partilhamos convosco a nossa reflexão para este tempo de preparação e de convite ao nascimento.

No ano passado, por esta altura, tínhamos a feliz notícia de que estava tudo a correr bem com a gravidez. Com o final do primeiro trimestre de uma gravidez tão esperada, o medo de que qualquer vicissitude pudesse acontecer, começou, timidamente, a dar lugar ao entusiasmo de uma vida que se ia formando. O segundo e o terceiro trimestres, foram vividos em grande azáfama na preparação do nascimento da nossa Margarida. Ainda hoje nos surpreendemos com a quantidade de coisas com que nos preocupámos e que, honestamente, vemos que era tão pouco necessário. Qual será o melhor carrinho? A melhor banheira? Compramos biberões? Há uma infinidade de oferta, tão grande quanto a incerteza do que é preciso. E pensamos em tudo isto, porque afinal queremos simplesmente o que quaisquer pais querem: o melhor para os seus filhos!

O advento é também muitas vezes vivido assim: com tanta azáfama a procurar o presente perfeito que fará os nossos felizes. Às vezes saímos das lojas já com a sensação de frustração, por não ser bem o que ambicionávamos, mas o que fomos “empurrados” a comprar.

Depois de vivermos a felicidade do nascimento da Margarida, a rotina deixa de o ser e fomos embrulhados numa imensidão de novas tarefas, a gestão das visitas ao bebé (temos que frisar que fomos muito poupados neste ponto)… No meio de tudo o que havia para fazer, quase que passava despercebido o essencial. Mas a Margarida fez questão de nos ensinar (e nós estamos muito felizes por aprender com ela) que o essencial, o que ela precisa para ser feliz é muito simples: o colo disponível e paciente da mãe e o olhar carinhoso do pai, que lhes transmite segurança.

Será que ser pequenino como aquele bebé deitado nas palhinhas, também não será isto? Ir à essência dos nossos desejos e oferecer o que realmente nos faz felizes - o nosso tempo, o nosso abraço caloroso e a escuta carinhosa dos que amamos.

Voltando à gravidez, à medida que a Margarida crescia na barriga e que a sua existência se tornava mais notória, fomos sendo surpreendidos por algo que nunca tínhamos vivido tão de perto. É extraordinário como aquele bebé, antes mesmo de nascer, já era sinal de esperança para os que se cruzavam connosco. Claro que esperávamos que a nossa família partilhasse desta alegria, mas os pais dos amigos, as parceiras de voluntariado de uma avó, as colegas de trabalho da outra, a senhora da padaria, a porteira dos nossos irmãos… é incrível como as pessoas ficavam felizes, como esta pequenina vida fazia reluzir a esperança no olhar até dos que, à partida, estavam mais distantes.

Não será este o verdadeiro sentido da espera para o nascimento do nosso Salvador? Voltar a acender em nós o brilho da esperança, deixar contagiar o nosso olhar o mundo, por esta luz e voltar a nascer com Ele.

Recordamos um texto do Arcebispo José Tolentino Mendonça que fala sobre o nascimento ao longo da vida – “o que Jesus nos diz é: também tu podes nascer...”.

A Margarida ajudou-nos a nascer de novo com o seu nascimento. Nascemos como casal, como indivíduos, obviamente como pais e até como filhos. Desejamos que este Natal, ela seja reflexo da luz que Jesus traz às nossas vidas e ilumine os corações de todos nós. Que neste Advento sejamos pequeninos e, que na azáfama de tudo o resto, não se perca de vista o essencial! Desejamos que neste Natal, cada um de nós, se permita a nascer com Jesus, o nosso Salvador!

texto por Liliana, Nuno e Margarida

 

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Oração em família

Viver o Advento

Dezembro é o mês do Nascimento de Jesus, razão da nossa Fé. Este ano, 23 dias do mês, são tempo de Advento, tempo de espera activa pelo grande dia. Um nascimento, requer um arrumar e preparar a casa para acolhermos um filho de Deus. A "casa" é cada um de nós.

 

Proposta de oração:

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Ámen.

 

Oração

Pai, Ajudai-me a que saiba acolher cada nascimento de um novo irmão, como sinal visível da tua obra. Que eu olhe e veja o Teu rosto, em cada cada um. Ámen.

Evangelho (Mt 1, 18-25)

«Maria dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

Palavra da salvação.

Partilha

Cada qual dirá o que muda na sua vida, ao saber do nascimento de Jesus

Acção de Graças

Agradecer o que sou.

Pedir para melhorar uma dificuldade actual.

Glória!

 

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50 anos da Humane vitae: uma boa notícia

 

(Continuação do texto publicado no Familiarmente de Novembro de 2018)

Por outro lado, se a maioria das pessoas não vê como problemático o uso da contraceção, então “Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar?” (HV, 17)

O Papa João Paulo II sentiu-se chamado a esclarecer esta situação. Na sua visão antropológica, conhecida como a Teologia do Corpo, ele tem como objetivo proporcionar um fundamento adequado para que as pessoas possam entender e abraçar os ensinamentos da Humane Vitae. Conhecendo a grandeza do plano de Deus para a sexualidade humana e para o matrimónio, ele quis partilhar isso com o mundo que sofria por não o entender.

Ele sabia que a única maneira de o fazer envolvia um trabalho grandioso de estudo filosófico, teológico e baseado nas escrituras, para chegar ao âmago do amor, do casamento, da sexualidade e da complementaridade masculino/feminino. E assim, o legado que nos deixou é uma obra que explora aspectos metafísicos, humanos, relacionais e teológicos que, de fato, formam o fundamento sobre o qual a Igreja foi capaz de afirmar a verdade expressa na Humane vitae, mas que, ao mesmo tempo, forma uma antropologia completa que se pode tornar uma fonte para entender muitas dimensões do significado da vida, do que é ser pessoa e de quem é Deus.

Os dois aspectos principais da antropologia de João Paulo II são: a Dignidade da Pessoa e a Familia.

A pessoa, “única criatura querida por Deus por si mesma, só se realiza no dom sincero de si própria” (GS 24) é portanto dotada de uma dignidade que lhe é própria e que determina, devido à semelhança com Deus, que a forma de amar seja também, como acontece entre as Pessoas Divinas, através da comunhão de pessoas, construída a partir do dom de cada um.

A Familia, ou seja, um pai e uma mãe casados e com filhos, são a célula base da sociedade. É no seio da familia, escola de amor, que aprendemos a relacionarmo-nos com os outros. Na familia aprendemos a ser filhos, irmãos, esposos e pais. A origem de cada pessoa deve acontecer no seio desse contexto de amor. O ato conjugal do homem e da mulher que expressa o dom da sua vida um ao outro, é o mesmo ato que deve estar na origem de uma nova vida.

Todos sabemos que podem ser geradas vidas de muitas outras formas e todos os que nascem são igualmente queridos e amados por Deus. No entanto, Deus tem um plano e quer partilhar esse plano connosco. Este plano, que tem sido alvo de muita confusão, é que a união conjugal contenha em si as duas dimensões que definem o ser do próprio Deus: amor e vida. Deus é amor e Deus é vida. Para que o ato sexual entre esposos fale a verdade que corresponde ao significado esponsal doo corpo, a verdade da linguagem do corpo, estas duas dimensões não podem ser separadas. Nas palavras da Humane vitae, trata-se da “conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador. Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.” (HV, 12)

A Teologia do Corpo de João Paulo II foi escrita para transmitir esse plano de uma forma mais compreensível: isto é, de uma forma que possamos entender a bondade e a verdade do plano de Deus tão bem que ansiemos por participar nele - e não o façamos apenas para obedecer à lei de Deus ou por medo de punição. Viver de acordo com esse plano não é o desejo de Deus somente para casais e famílias católicas, mas também para toda as pessoas do mundo – é uma boa nova que precisa desesperadamente de ser ouvida, porque, como dizia o Papa Bento XVI o Ocidente está prestes a perder-se radicalmente para o secularismo. E como tem dito insistentemente o Papa Francisco, não podemos continuar a permitir a colonização ideológica que se destina a destruir a familia e a visão binária da sexualidade.

(Continua no Familiarmente de Janeiro de 2019)

texto de Maria José Vilaça

 

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E os dois serão uma só carne

No passado dia 19 de Novembro, foi lançado o livro “E os dois serão uma só carne”, um curso para noivos e reflexões para casais. Este livro foi inicialmente pensado para divulgar os apontamentos que o Pe. Ricardo Neves, pároco do Estoril, usava nos seus cursos para noivos e que muitos outros sacerdotes também adotaram ao longo dos últimos anos.

Contudo e à medida que os trabalhos de compilação e edição desta coletânea foram avançando, ficou claro que esses apontamentos e reflexões, entretanto enriquecidos com textos de apresentação escritos por vários sacerdotes, também podem ser utilizados em retiros de casais ou, simplesmente, em reflexões e conversas dos próprios casais.

Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Ainda está por escrever a história da perseguição à Igreja católica, durante o período da dominação soviética, nos países do leste da Europa.
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Guilherme d'Oliveira Martins
A atribuição a José Mattoso do Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes constitui um justo reconhecimento...
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