Missão |
Diana Pimenta, do Voluntariado Passionista
“Presenteiam-nos com lições de humanidade”
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Diana Pimenta nasceu no Hospital São João, no Porto, a 6 de Julho de 1992. Passou a sua infância em Fajões, no Concelho de Oliveira de Azeméis. É licenciada em Direito, pela Universidade de Coimbra, e teve sempre o sonho de partir em missão. Em Agosto de 2018, partiu por um mês para Angola com o Voluntariado Passionista.


Diana partilha que “em Fajões, um meio tipicamente rural, cresci a correr no meio da rua, a apanhar laranjas das árvores, e a tomar banhos de mangueira no Verão.” Estudou lá até ao 9º ano, altura em que ingressou no ensino secundário em São João da Madeira. “Posso dizer que sou uma sortuda porque tive o melhor dos dois mundos: oportunidade de mexer na terra e subir às árvores em Fajões, e ao mesmo tempo, sempre pude usufruir de uma cidade como São João, onde passei as primeiras horas de total liberdade típicas da adolescência, entre aventuras pela cidade e tardes livres passadas no café, a falar de tudo e de nada ao mesmo tempo, com o meu grupo de amigos, que é o mesmo desde essa altura”, partilha. Em 2007, ingressou no 10º ano e optou pelo curso Ciências Sociais e Humana e, mal terminou o ensino secundário, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em Setembro de 2010. Terminou o curso no dia 1 Julho de 2015 e voltou “às origens”, inscreveu-se na Ordem dos Advogados e começou a estagiar em São João. “Dois anos árduos que no final foram recompensados: fui aprovada no exame de acesso à profissão em Novembro de 2017 e finalmente tornei-me Advogada”, partilha. Sempre teve “o bichinho de viver na capital e descobrir um mundo repleto de vivências e oportunidades que só Lisboa me poderia proporcionar, ainda mais sendo eu uma menina da terra”. Após ter enviado vários currículos, em Março mudou-se para Lisboa onde trabalha num escritório de advogados. “Costumo dizer que sou um passarinho, que gosta de voar, mas que por mais alto que seja o voo, no final é para o meu ninho e para os braços de quem amo que hei de querer sempre voltar”, partilha.

 

O sonho de partir em missão

Sempre teve o sonho de fazer voluntariado, “sendo que o sonho de partir em missão para um país subdesenvolvido me acompanhava já há alguns anos. No entanto, devido ao percurso académico contínuo e à azáfama do dia-a-dia, nunca me concentrei verdadeiramente neste projeto.” Identifica, claramente, o momento em que decidiu partir: “Numa fase em que me sentia desanimada, com dúvidas sobre o meu futuro profissional, estava em São João, no café do costume, com o meu grupo de amigos, a festejar o novo emprego de sonho de um deles, que à primeira vista seria inalcançável. A conversa foi inspiradora e eu nessa noite decidi que a minha vida era demasiado preciosa para não alcançar os meus objetivos. Cheguei a casa, liguei o computador e procurei: voluntariado, missões, zonas perto do Porto. Aí surgiu um nome no ecrã do meu computador: Rosto Solidário. Organização localizada em Santa Maria da Feira, terra de vizinha de São João da Madeira, a cerca de 15 minutos de minha casa e da qual eu nunca tinha ouvido falar. Anotei o número e liguei. Do outro lado da linha, uma senhora muito simpática, chamada Rosa, atendeu o telefone e explicou-me que a Rosto Solidário se tratava de uma organização não-governamental para o desenvolvimento, ligado ao voluntariado e a várias causas sociais. Sendo que, essa mesma associação estava ligada a um outro grupo – Voluntariado Passionista – que além de realizar missão em Portugal e estar associado a projetos solidários, todos os anos enviava voluntários para Angola, em missões de curta duração. Deu-me o endereço e indicou-me a data da próxima reunião, convidando-me a aparecer.”

 

A missão em Angola

Sobre o projeto que integrou, partilha: “O Voluntariado Passionista está ligado aos Missionários Passionistas, congregação católica com várias casas espalhadas pelo mundo fora, que se dedica essencialmente à vida missionária, especialmente junto de comunidades mais desfavorecidas. Em Dezembro de 2017, enviei a minha carta de motivação para o Voluntariado Passionista e, com muita alegria minha, fui uma das selecionadas para partir em Missão para Angola, em Agosto de 2018, pelo período de um mês, mais concretamente para Calumbo, cidade da província de Luanda, que para mim será sempre ‘um pedacinho de céu na terra’. Eramos 7 voluntárias, e ficámos distribuídas em dois locais diferentes. Em Calumbo, ficámos a cuidar da biblioteca local e simultaneamente iniciamos um projeto inédito na prisão de Kakila: durante o período em que lá estivemos, a Inês e a Vera instalaram uma biblioteca, a Catarina deu consultas de optometria e eu lecionei um curso de Inglês básico, com uma turma de agentes prisionais e uma turma de reclusos. Foi das experiências mais marcantes e maravilhosas da minha vida! Quando soube, ainda em Portugal, que iria dar aulas de Inglês na prisão, fiquei aterrorizada e ao mesmo tempo fascinada. Foi um desafio enorme para mim porque poderia encontrar pessoas com todos os níveis de formação e o meu grande receio era não estar apta a transmitir-lhes conhecimento, até porque, não sou professora de Inglês nem domino a língua na perfeição. Outro problema seriam os meios que iria encontrar, porque sabia de antemão que os recursos eram escassos e portanto, iria ter de dar azos à imaginação para conseguir dar aulas úteis e interessantes. Saí de Portugal cheia de receios, mas mal entrei na modesta sala de aula da prisão, as minhas dúvidas dissiparam-se. Os sorrisos que recebi e a vontade de aprender que vi superaram tudo. Conheci provavelmente as pessoas mais interessadas em adquirir conhecimento com quem já me cruzei na minha vida. Todos os meus alunos eram extremamente educados, gratos, gentis. Nunca olhei para qualquer um deles com recluso ou como criminoso – aliás, se assim fosse, seria inútil ter ido em Missão – e nunca quis saber o crime pelo qual estavam a cumprir pena. Eram os meus alunos, que provavelmente não sabem, mas que me proporcionaram alegrias bem maiores que aquelas que lhes proporcionei a eles. Calumbo foi o local que ficou carinhosamente guardado num cantinho muito especial do meu coração. Fui tratada com tanto amor, com tanto carinho, que tudo o resto se tornou irrelevante. Quanto às comunidades locais, não há palavras que descrevam a alegria daquelas pessoas, o saber receber, o saber agradecer. Sempre que íamos a uma comunidade, eramos apresentadas individualmente. Pensava muitas vezes para mim própria, que chegamos lá com o intuito de transmitir alguma ‘civilização’, e que em troca, eles nos presenteiam com lições de humanidade. A nossa Missão não se trata de dar, trata-se de um círculo de dar e receber. Ensinamos aquilo que sabemos e aprendemos aquilo que nos ensinam. Nunca em momento algum podemos encarar-nos como superiores ou mais desenvolvidos. Somos iguais, com culturas diferentes”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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