Domingo |
À procura da Palavra
É possível a alegria
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DOMINGO III DO ADVENTO Ano C

“As multidões perguntavam a João Baptista:

«Que devemos fazer?»”

Lc 3, 10

 

Há alguns anos atrás alguém fez uma tentativa de restauro das imagens do presépio da Igreja de S. Domingos e, na esperança de conseguir um tom rosado para as mãos de José e de Maria, pintou-as de um rosa bem vivo. Sim, aquele tom da “Pantera-cor-de-rosa” que alguns se lembram dos desenhos animados! Todos os anos pensamos em restaurá-las melhor, mas até a essa imperfeição nos vamos afeiçoando. E neste domingo da alegria, a meio do Advento, ficam mesmo a condizer com a cor dos paramentos! E quase sempre obtêm um sorriso de quem passa diante delas!


A alegria pode ter muitas fontes e pode ser passageira ou duradoura. Desde sempre foi procurada mas também temida, apanágio de inconsciente e loucos, a sua expressão no riso e no humor punha (põe) em causa a ordem e a seriedade. Não é um pretenso livro de Aristóteles sobre o Riso a causa dos crimes em “O Nome da Rosa” de Umberto Eco? Almada Negreiros dizia: “A alegria é a coisa mais séria deste mundo”. Dostoiévsky pedia: “Amigos meus, não peçam a Deus o dinheiro, o triunfo ou o poder. Peçam-lhe a única coisa importante: a alegria.” E Clarice Lispector, insistia: “Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade.”


Não é fácil imaginar João Baptista como um porta-voz da alegria. Mas foi o salto de felicidade dado no seio de sua mãe que foi sinal para Isabel se maravilhar com a visita de Maria. E na sua pregação exigente germina a alegria da vinda do Salvador. A conversão pede mudanças importantes na rotina medíocre da vida. A todos convida à alegria de partilhar, de não dar simplesmente o que sobra mas o próprio dom de si, e a fazer a experiência da felicidade que não vem das coisas mas da abertura ao outro. Aos que manuseiam o dinheiro, que não o usem com ganância e explorando os outros, mas o utilizem com justiça. Aos que detêm algum poder, que não violentem nem roubem ninguém. O baptismo no Espírito Santo e no fogo é a abundância do amor que a Páscoa derrama no mundo. Queima a palha da tristeza e da angústia e recolhe o trigo da alegria e da paz.


Chesterton escreveu: “A alegria, que era a pequena publicidade do pagão, é o gigantesco segredo do cristão.” Mas Nietzsche lamentava: “Acreditaria no seu Salvador, se visse os cristãos com rostos mais alegres”. S. Paulo VI escreveu em 1975 uma Carta sobre a Alegria cristã em que perguntava: “não será normal que a alegria habite dentro de nós, quando os nossos corações contemplam e descobrem de novo, na fé, os seus motivos fundamentais?” E o Papa Francisco deu-nos a Carta “A Alegria do Evangelho” como verdadeiro programa de renovação. Que caminhos de alegria é possível abrir em nós e no mundo?

P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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